Indústria defende retirada da vacina
A retirada da vacinação contra a febre aftosa voltou a ser defendida na abertura da Avisulat, que ocorre até amanhã na Capital. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos (Sips), José Roberto Goulart, defendeu a medida como forma de ampliar mercados. O Estado, que nesta semana deu início ao período de imunização de bovinos e búfalos, é área livre de aftosa com vacinação. “Santa Catarina já tomou essa decisão e hoje tem acesso a mercados como o Japão, que é o maior importador de carne do mundo”, justificou ele. Já o Rio Grande do Sul está limitado ao comércio com mercados instáveis como Rússia e Ucrânia, e de miúdos, com demanda menor, disse.
“Hoje não temos acesso a mercados mais estáveis”, complementou, citando como exemplo, além do Japão, Filipinas e Chile. O suíno é uma espécie suscetível, mas não portadora da doença. “Tanto que não é vacinado. Mas sofre as mesmas restrições do mercado de carne”, explicou o presidente do Fundesa, Rogério Kerber. O secretário da Agricultura, Cláudio Fioreze, respondeu que embora o Estado não tenha registro da doença há 14 anos, é cedo para isso. “Quem sabe daqui a dois ou três anos, com a decisão de todas as cadeias produtivas, possamos retirar a vacina e abrir mercados”, ressaltou.
Para o chefe da Divisão de Defesa Agropecuária da Superintendência do Ministério da Agricultura no RS, José Euclides Severo, está na hora de iniciar o processo. “Já não circula mais vírus há algum tempo no RS e não se tem detectado nada.” No entanto, diz ele, isso levaria dois anos após essa definição. Severo lembra que ainda falta ao Estado aprimorar o sistema de vigilância nas fronteiras. Para o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, ainda há um caminho a ser percorrido. Sperotto argumenta que a retirada tem de ser uma decisão conjunta e concomitante entre Brasil, Uruguai e Argentina.
Fonte: Jornal Correio do Povo.
