O que muda com a recontagem de votos da eleição nos EUA

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Recontagem de votos nos EUA: como funciona e o que pode mudar?

O resultado da eleição presidencial foi contestado e pode ter novos resultados em Wisconsin, Michigan e Pensilvânia

Mesmo com a vitória de Donald Trump nas urnas, a eleição presidencial nos Estados Unidos ainda não acabou. A candidata Jill Stein, do Partido Verde, criou uma campanha que já arrecadou mais de 6 milhões de dólares para pedir a recontagem das urnas em três estados, que deram a vitória por uma margem mínima ao republicano. Na última sexta-feira, o pedido foi registrado em Wisconsin e, na teoria, uma mudança nos resultados poderia dar a vitória a Hillary Clinton, que lidera o voto popular por margem superior a 2 milhões.

Entenda os motivos e o processo de recontagem:

 

1. Quais estados estão envolvidos?

A intenção é realizar o processo em Wisconsin, Michigan e Pensilvânia. Os três usam algum tipo de sistema eletrônico e levantaram suspeitas de especialistas sobre possíveis interferências de hackers. Os estados também tiveram resultados apertados: Trump venceu por 1,2% dos votos na Pensilvânia, 0,7% em Wisconsin e, em Michigan, onde a contagem ainda não acabou, lidera por 0,3%.

 

2. Por que recontar?

O objetivo, segundo Stein, não é mudar o resultado – até porque a candidata era opositora tanto de Trump quanto de Clinton -, mas mostrar a fraqueza do sistema eleitoral americano. Especialistas em ciência da computação enviaram relatórios às autoridades eleitorais indicando possíveis fraudes, além de notarem a desvantagem de Clinton onde há urnas eletrônicas. A possibilidade de manipulação é defendida com base em outros casos deste ano: o vazamento de e-mails do Partido Democrata e o roubo de dados de eleitores dos sistemas de registro em Illinois e Arizona.

 

3. Como funciona o processo?

Na maior parte dos estados, a exigência é que um candidato à Presidência entre com o pedido de recontagem, o que foi assumido por Stein. Também é preciso pagar as taxas necessárias para realizar o processo sem o uso de dinheiro público, o que o Partido Verde tenta fazer com a campanha. O pedido já foi aceito em Wisconsin e requerido no prazo em Michigan, onde ainda pode enfrentar objeções de outros candidatos (como Trump). Na Pensilvânia, é pouco provável que a recontagem ocorra, pois Stein precisa comprovar fraude ou entrar com uma petição assinada por cem eleitores, considerando que já perdeu alguns prazos.

 

4. A recontagem pode mudar o vencedor?

Na teoria, sim, mas na prática é improvável que Trump perca o posto na Casa Branca. Todas as recontagens precisam ser aceitas e realizadas até o dia 19 de dezembro, quando os representantes dos colégios eleitorais se encontram para efetivamente votar de acordo com a escolha popular. Hillary precisaria se tornar a vencedora em todos os três estados para ganhar a eleição, pois é a única forma de somar os votos necessários no colégio eleitoral para assegurar uma reviravolta.

 

5. Quais são as posições de Hillary e Trump?

Apesar ser a possível beneficiada com a recontagem, a campanha de Hillary se mantém passiva e distante do tema. Representantes da candidata declararam que pretendem “participar do processo”, para comprovar a segurança das eleições, mas não acreditam que houve fraude nas urnas. Trump comentou que a recontagem é “um esquema para encher os cofres” do Partido Verde, mas disse que irá “monitorar o caso”. O presidente-eleito também condenou a campanha democrata pela intenção de participar e disse que “nada vai mudar”, já que Hillary aceitou a derrota.

Fonte: Veja.com


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