Paciente idosa ouve músicas dentro da cabeça

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Alucinação musical faz mulher escutar rádio dentro da cabeça.

Em caso inédito na medicina, paciente idosa ouve músicas que não é capaz de reconhecer, mas são familiares para outras pessoas. Segundo médicos, caso traz à tona questões sobre o funcionamento da memória.

Um acontecimento neurológico inédito, apresentado por uma paciente de 60 anos de idade, pode ampliar os conhecimentos atuais sobre mecanismos que envolvem a memória, o esquecimento, e o acesso a lembranças perdidas. O caso, relatado no periódico Frontiers in Neurology por neurologistas do Centro Médico da Universidade de Loyola, nos Estados Unidos, retrata a experiência de uma idosa que sofria com um tipo de alucinação musical que nunca tinha sido visto.

Certa noite, quando a paciente estava tentando dormir, as músicas começaram como se um rádio estivesse tocando em sua cabeça. Para tornar o caso ainda mais estranho, ela mesma não era capaz de reconhecer as canções que estava ouvindo, mas seu marido as reconheceu assim que ela começou a cantarolar, e afirmou que eram músicas populares. De acordo com os neurologistas, esse é o primeiro caso em que uma paciente tem uma alucinação musical com uma música que é familiar para outras pessoas de seu meio, mas não para ela mesma.

Quatro meses depois dessa noite, a mulher passou a ouvir músicas o tempo inteiro, todos os dias. Alucinação faz mulher escutar música desconhecida dentro da cabeçaO volume das canções não mudava, e ela podia ouvir uma mesma música tocar repetidamente por até três semanas, antes que outra faixa a substituísse. Mesmo enquanto sofria com a alucinação, a paciente era capaz de falar e ouvir o que os outros diziam, e mantinha conversas normais. Segundo os neurologistas, ela apresentou algumas melhoras nos sintomas após o uso de carbamazepina, uma droga utilizada no tratamento de doenças convulsivas, como a epilepsia.

Causas – A alucinação musical é um tipo de alucinação auditiva em que o indivíduo passa a ouvir músicas mesmo quando elas não estão tocando. A sensação costuma gerar desconforto entre os pacientes, que sabem que estão tendo alucinações.

Na maioria das vezes, o problema afeta pessoas mais velhas, e suas causas ainda são incertas. Apesar disso, diversas condições podem ser consideradas fatores de risco, como audição prejudicada, lesões cerebrais, epilepsia e intoxicações. No caso mencionado, a paciente apresentava um histórico de perda auditiva neurossensorial, um tipo de perda de audição causado por danos às células do ouvido interno. Apenas essa condição, porém, não seria capaz de originar a alucinação.

Atualmente, ainda não há cura para o problema. Contudo, os médicos amenizam os sintomas tentando remover suas potenciais causas, quando possível – como, por exemplo, removendo lesões ou tratando distúrbios psiquiátricos – e receitando medicamentos aos pacientes.

Perguntas – Para os neurologistas da Universidade de Loyola, o caso traz à tona algumas perguntas intrigantes em relação à nossa capacidade de produzir e esquecer memórias.

Eles trabalham com a hipótese de que todas as músicas presentes nas alucinações da mulher estavam em uma área de seu cérebro a que ela tinha acesso apenas quando estava alucinando. No relato do caso, os neurologistas afirmam que essa hipótese suscita uma das principais perguntas: as informações esquecidas estão mesmo perdidas, ou são apenas inacessíveis para nós?

Biblioteca básica

Alucinações musicais – Relatos sobre a música e o cérebro

No livro, o neurologista e escritor Oliver Sacks – também autor de Tempo de Despertar, que originou o filme homônimo com Robert De Niro e Robin Williams – descreve casos de pacientes que apresentam algum tipo de alteração em relação à percepção e imaginação da música. Em seus relatos, Sacks procura incorporar os conhecimentos da neurologia à simples técnica da observação de seus pacientes, o que torna o livro uma coletânea de histórias intrigantes, como a de Jon S., um homem não muito afeito à música que, subitamente, começou a escutar uma música clássica que não estava sendo tocada em lugar nenhum.

Autor: SACKS, OLIVER. Editora: COMPANHIA DAS LETRAS.

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Fonte: Veja Online.


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