Dia ficou um segundo mais longo; entenda o motivo

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Dia ficou um segundo mais longo nesta terça-feira; entenda o motivo

Adição de 1s permitiu sincronizar a velocidade de rotação da Terra e a hora oficial. O não ajuste provocaria colapso em sistemas de comunicação e bancário.

Os relógios de todo o mundo adicionaram um segundo para consertar uma pequena defasagem entre a velocidade de rotação da Terra e a hora oficial registrada no planeta.

Esse ajuste acontece de forma periódica desde 1972. De lá para cá, já foram 26 correções, mudança que, embora seja pequena, é considerada significativa na sociedade.

O segundo foi adicionado às 23h59m59s pelo horário de Greenwich (GMT), hora padrão da Terra. No Brasil, esse ajuste aconteceu às 20h59m59s, hora de Brasília (fuso de três horas a menos em relação ao GMT).

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No Observatório Nacional, localizado no Rio de Janeiro, o relógio oficial, chamado de atômico, registraou a seguinte sequência: 23h59min59s, 23h59min60s, para só então passar a 0h00min00s de 1º de julho.

Mas qual a importância de tudo isso?

De acordo com Ricardo José de Carvalho, chefe da divisão do Serviço da Hora do Observatório Nacional, a consequência de não ajustar o segundo nos relógios do mundo pode ser desastrosa.

“A internet, por exemplo, pode ser afetada, já que os servidores estão conectados e sincronizados pelo planeta. Atividades que dependem da rotação da Terra também, como a navegação marítima, que usa como parâmetro o tempo para saber a posição”, explica.

Ele afirma que o ponto mais crítico nesse ajuste de tempo é a sincronização de servidores utilizados no mercado financeiro.

Carvalho explica que na Bovespa, bolsa de valores localizada em São Paulo e que é uma das maiores do mundo, ocorrem diariamente 45 milhões de operações e podem ser afetadas caso a adição deste segundo não seja feita nos computadores de lá. Isso poderia causar prejuízo de milhares de reais.

Apesar de a adição ser rápida, a forma como alguns serviços digitais a receberão pode causar uma interferência generalizada e temporária.

Instabilidade temporária

A última vez que um segundo foi adicionado foi em 31 de dezembro de 2012. Nesta época, o mundo da internet sofreu com uma onda de instabilidade. Os problemas ocorreram com Mozilla, Reddit, Foursquare, Yelp, LinkedIn, o sistema operacional Linux e aplicações rodando em Java. A falha pode ocorrer porque muitos sistemas de computação, incluindo computadores, laptops, smartphones e afins, usam o Network Time Protocol (NTP), que registra as horas e está alinhado a relógios atômicos.

A maioria, porém, não está preparada para lidar com um segundo extra. O mesmo problema ocorreu com o Google em 2005, quando um segundo extra foi adicionado. Os sistemas da companhia não estavam preparados. Alguns deles “se recusaram” a trabalhar enquanto possuíam uma medição de tempo “errada”. O problema foi identificado em 2008 por engenheiros, que começaram a trabalhar em uma forma de driblá-lo. A solução encontrada foi implementar uma modificação interna no NTP. Milissegundos são acrescentados ao tempo durante todo o dia que terá um segundo a mais. Assim, quando chega a hora, o segundo já foi acrescentado naturalmente.

A adição de segundos é tema para discussões internacionais. Os Estados Unidos querem acabar com os acréscimos. Argumentam que a correção atrapalha sistemas de navegação e de comunicação, além de poder atrapalhar transações financeiras que necessitam de um registro preciso do tempo. Já o Reino Unido é defensor dos segundos extra. O argumento é que a não inclusão poderia criar um distúrbio no conceito de tempo, e isso significaria “dissolver” o sistema de fusos horário adotados a partir do Meridiano de Greenwich.

Variações na rotação da Terra

O mecanismo que altera o segundo é chamado de Leap Second (ou Segundo intercalado, na tradução do inglês) e é determinado pelo Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra, organização que mantém padrões de referência e tempo globais.

De tempos em tempos, essa adição deve ocorrer devido a variações da duração do dia que se acumulam, provocadas por alterações na velocidade da rotação da Terra.

O Observatório Nacional explica que essa variabilidade ocorre “em virtude dos efeitos gravitacionais do Sol, da Lua e dos planetas, e também resultado dos deslocamentos de massas terrestres em diferentes partes do planeta” – incluindo terremotos.

Adaptado de Eduardo Carvalho, G1

Imagem: O relógio da estação de metrô e trens Central do Brasil, no Rio de Janeiro, é um dos cartões postais da capital fluminense (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)

 

Dia ficou um segundo mais longo nesta terça-feira; entenda o motivo

Adição de 1s permitiu sincronizar a velocidade de rotação da Terra e a hora oficial. O não ajuste provocaria colapso em sistemas de comunicação e bancário.

Os relógios de todo o mundo adicionaram um segundo para consertar uma pequena defasagem entre a velocidade de rotação da Terra e a hora oficial registrada no planeta.

Esse ajuste acontece de forma periódica desde 1972. De lá para cá, já foram 26 correções, mudança que, embora seja pequena, é considerada significativa na sociedade.

O segundo foi adicionado às 23h59m59s pelo horário de Greenwich (GMT), hora padrão da Terra. No Brasil, esse ajuste aconteceu às 20h59m59s, hora de Brasília (fuso de três horas a menos em relação ao GMT).

No Observatório Nacional, localizado no Rio de Janeiro, o relógio oficial, chamado de atômico, registraou a seguinte sequência: 23h59min59s, 23h59min60s, para só então passar a 0h00min00s de 1º de julho.

Mas qual a importância de tudo isso?

De acordo com Ricardo José de Carvalho, chefe da divisão do Serviço da Hora do Observatório Nacional, a consequência de não ajustar o segundo nos relógios do mundo pode ser desastrosa.

“A internet, por exemplo, pode ser afetada, já que os servidores estão conectados e sincronizados pelo planeta. Atividades que dependem da rotação da Terra também, como a navegação marítima, que usa como parâmetro o tempo para saber a posição”, explica.

Ele afirma que o ponto mais crítico nesse ajuste de tempo é a sincronização de servidores utilizados no mercado financeiro.

Carvalho explica que na Bovespa, bolsa de valores localizada em São Paulo e que é uma das maiores do mundo, ocorrem diariamente 45 milhões de operações e podem ser afetadas caso a adição deste segundo não seja feita nos computadores de lá. Isso poderia causar prejuízo de milhares de reais.

Apesar de a adição ser rápida, a forma como alguns serviços digitais a receberão pode causar uma interferência generalizada e temporária.

Instabilidade temporária

A última vez que um segundo foi adicionado foi em 31 de dezembro de 2012. Nesta época, o mundo da internet sofreu com uma onda de instabilidade. Os problemas ocorreram com Mozilla, Reddit, Foursquare, Yelp, LinkedIn, o sistema operacional Linux e aplicações rodando em Java. A falha pode ocorrer porque muitos sistemas de computação, incluindo computadores, laptops, smartphones e afins, usam o Network Time Protocol (NTP), que registra as horas e está alinhado a relógios atômicos.

A maioria, porém, não está preparada para lidar com um segundo extra. O mesmo problema ocorreu com o Google em 2005, quando um segundo extra foi adicionado. Os sistemas da companhia não estavam preparados. Alguns deles “se recusaram” a trabalhar enquanto possuíam uma medição de tempo “errada”. O problema foi identificado em 2008 por engenheiros, que começaram a trabalhar em uma forma de driblá-lo. A solução encontrada foi implementar uma modificação interna no NTP. Milissegundos são acrescentados ao tempo durante todo o dia que terá um segundo a mais. Assim, quando chega a hora, o segundo já foi acrescentado naturalmente.

A adição de segundos é tema para discussões internacionais. Os Estados Unidos querem acabar com os acréscimos. Argumentam que a correção atrapalha sistemas de navegação e de comunicação, além de poder atrapalhar transações financeiras que necessitam de um registro preciso do tempo. Já o Reino Unido é defensor dos segundos extra. O argumento é que a não inclusão poderia criar um distúrbio no conceito de tempo, e isso significaria “dissolver” o sistema de fusos horário adotados a partir do Meridiano de Greenwich.

Variações na rotação da Terra

O mecanismo que altera o segundo é chamado de Leap Second (ou Segundo intercalado, na tradução do inglês) e é determinado pelo Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra, organização que mantém padrões de referência e tempo globais.

De tempos em tempos, essa adição deve ocorrer devido a variações da duração do dia que se acumulam, provocadas por alterações na velocidade da rotação da Terra.

O Observatório Nacional explica que essa variabilidade ocorre “em virtude dos efeitos gravitacionais do Sol, da Lua e dos planetas, e também resultado dos deslocamentos de massas terrestres em diferentes partes do planeta” – incluindo terremotos.

Adaptado de Eduardo Carvalho, G1

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