Entenda qual é a briga entre a Apple (iPhone) e o FBI

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O que você tem a ver com a briga da Apple contra o FBI?

E como essa história é diferente do caso do bloqueio do WhatsApp no Brasil

Então a Apple resolveu enfrentar o FBI, a polícia federal americana, se recusando a modificar seu software para permitir que se infiltrassem no iPhone 5C de um terrorista (leia detalhes da notícia abaixo). É isso? Não é bem assim. Explicarei rapidamente:

– o que o FBI quer não é somente acessar os dados do aparelho que era do terrorista; se fosse isso, a empresa já teria desbloqueado imediatamente essas informações (como fez em outras situações);

– o que o órgão federal pediu foi para que a Apple pirateasse seu software, de forma que os policiais pudessem não só acessar o iPhone desse terrorista, especificamente, mas que ganhassem uma porta dos fundos pela qual pudessem adentrar o iPhone de qualquer cidadão, na hora que quisessem.

Isso acarretaria na fragilidade dos aparelhos dos milhões de usuários da Apple. Só se livrariam os donos de iPhone 6, protegido contra a modificação que seria feita, caso a requisição fosse atendida pela gigante do Vale do Silício. Isso por enquanto, afinal, o caso poderia abrir um precedente, e o FBI logo arranjaria uma justificativa para realizar algo similar nos modelos atuais do dispositivo.

Tim Cook, CEO da Apple, justificou assim a negativa da empresa:

“No mundo digital moderno, a chave para um sistema criptografado é uma peça de informação que desbloqueia dados, e só é tão segura quanto a proteção em torno dela. A partir do momento em que essa informação passa a ser conhecida, ou é revelada uma forma de superar o código, a criptografia passa a poder ser vencida por qualquer um com esse conhecimento

O governo sugere que esse recurso pode ser usado uma só vez, em um celular. Mas isso simplesmente não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada outras e outras vezes, em qualquer número de dispositivos.”

Há exatos três meses, houve uma decisão judicial brasileira que requeria os dados do WhatsApp de um criminoso. Mas não é a mesma coisa?

Ocorre que os casos são bem distintos. Na história do WhatsApp, pedia-se apenas pelas informações de um usuário específico, por meio de um mandado. Nos Estados Unidos, empresas digitais regularmente fornecem dados desse tipo ao governo. Posicionar-se contra isso é o mesmo que não permitir que a polícia adentre a casa de um suspeito de sequestro, mesmo com um mandado judicial.

Já no caso da Apple, o FBI não pede exclusivamente pelas informações do celular de um terrorista (o que teria em mãos, caso fosse isso o requisitado). O que se quer é que a empresa permita que a polícia federal tenha acesso irrestrito a iPhones, de qualquer indivíduo, de qualquer nacionalidade. Em outras palavras, é como se uma empresa de segurança desse ao governo uma chave mestra para vencer qualquer proteção, de qualquer casa, seja de um criminoso, ou de um inocente.

Por isso, é prudente ficar do lado da Apple nessa.


Justiça dos EUA diz que recusa em desbloquear iPhone é ‘estratégia de marketing’ da Apple

FBI exigiu software para desbloquear o telefone de um terrorista, mas a empresa alega que, se a medida fosse atendida, fragilizaria a segurança de todos os usuários de iPhones

O Departamento de Justiça dos EUA emitiu nesta sexta-feira uma ordem judicial exigindo que a Apple forneça a assistência técnica para desbloquear o celular usado por um dos terroristas de San Bernardino (EUA), cumprindo o pedido feito pelo FBI na terça-feira. Na ordem, a Justiça americana acusou a Apple de usar a recusa de desbloquear o celular como “estratégia de marketing”.

“A atual recusa da Apple em cumprir com a ordem do Tribunal, apesar da viabilidade técnica de fazê-lo, parece ser baseada em sua preocupação com seu modelo de negócios e estratégia de marketing da marca”, escreveu o Departamento de Justiça no documento emitido nessa sexta. “Ao invés de ajudar nas investigações de um ataque terrorista mortal, obedecendo a ordem deste tribunal de 16 de fevereiro de 2016, a Apple recusou publicamente.”

A ordem proferida na terça-feira pelo FBI não pedia diretamente à Apple para desativar o bloqueio específico do iPhone 5C de Syed Farook, um dos autores do atentado que matou catorze pessoas em dezembro de 2015. O órgão exige que a empresa forneça um software que ajude os investigadores a descobrir a senha de acesso ao iPhone, que poderia ser usado em outros aparelhos.

Em um comunicado emitido na última quarta-feira pelo diretor executivo da empresa, Tim Cook, a Apple afirma que o pedido do FBI, que investiga o atentado, teria “graves consequências para a segurança” dos usuários dos telefones iPhone. “O governo dos Estados Unidos pediu à Apple que dê um passo sem precedentes, que ameaça a segurança de nossos usuários”, disse Cook no comunicado.

Fonte imagem: Apple (Mike Segar/Reuters)

Fonte: Veja online e Veja online por Filipe Vilicic

 


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