O que é síndrome da fadiga crônica? Doença biológica

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Síndrome da fadiga crônica é uma doença biológica e não psicológica, diz estudo

Até hoje, acreditava-se que essa doença, cujos sintomas variam de fadiga extrema e dificuldade de concentração a dores de cabeça e musculares, vinha de um distúrbio no sistema nervoso

A síndrome da fadiga crônica não tem causas conhecidas nem diagnóstico preciso. O início dos sintomas tende a começar com um mal-estar semelhante ao da gripe

Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, identificaram alterações imunológicas em pacientes com síndrome da fadiga crônica ou encefalomielite miálgica (EM) que evidenciam a origem biológica desta doença. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na versão online do periódico Science Advances.

“Agora temos provas que confirmam o que milhões de pessoas com este problema já sabiam: a EM não é psicológica”, afirma Mady Hornig, principal autora do estudo e professora de epidemiologia.

Utilizando uma técnica conhecida como imunoensaio (utilizada para a detecção e/ou quantificação de antígenos e anticorpos), os pesquisadores buscaram determinar os níveis de 51 biomarcadores imunológicos em amostras sanguíneas de 298 pacientes com a síndrome. Os resultados foram comparados com os do grupo de controle, formado por 348 pessoas saudáveis.

Foi descoberto que, nos pacientes diagnosticados há três anos ou menos, havia altas quantidades de diferentes moléculas conhecidas como citocinas. Essa alteração não foi encontrada nas amostras do grupo de controle nem dos pacientes que já haviam sido diagnosticados há mais tempo. De acordo com os pesquisadores, esses resultados evidenciam, pela primeira vez, que a EM possui diferentes estágios.

 

Citocina é um termo genérico empregado para designar um extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes. Constituem um grupo de fatores extra-celulares que podem ser produzidos por diversas células, como Monócitos, macrófagos, Linfócitos e outras que não sejam linfoides.

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Todas as citocinas são pequenas proteínas ou peptídeos, algumas contendo moléculas de açúcar ligadas (glicoproteínas). As diferentes citocinas podem ser enquadradas em diversas categorias: interferons (IFN), interleucinas (IL), fator estimulador de colônias (CSF), fator de necrose tumoral (TNFa e TNFb), e fator de transformação de crescimento (TGF b).

Funções das citocinas

  • Regular a duração e intensidade das respostas especificas;
  • Recrutar células efetoras para as áreas onde se desenvolvem respostas e induzir a geração e maturação de novas células a partir de precursores.

As citocinas são produzidas durante a fase de ativação e fase efetora da imunidade para mediar e regular a resposta inflamatória e imunitária. Têm uma vida média curta. Estas só estimulam as células com receptores específicos na membrana da célula alvo, têm uma ação extremamente potente. São moléculas pleiotrópicas (podem atuar sobre muitos tipos celulares diferentes). São também redundantes ( várias citocinas podem efetuar as mesmas ações).

As citocinas podem induzir efeitos diferentes sobre as mesmas células alvo de forma separada no tempo ou simultaneamente. Podem também influir na ação de outras citocinas de forma antagônica ou sinérgica.

Mediadores e reguladores da imunidade inata

Reconhecimento do vírus. Os RNSs virais induzem a libertação de interferons de tipo I que inibem a replicação viral e proliferação celular; incrementam o potencial litico das celulas NK; e estimulam a expressão de moléculas MHC I.

Detecção de vírus pelas células NK. As células NK activadas liberam citocinas que activam fagócitos, neutrófilos e células endoteliais.

Detecção de bactérias pelos fagócitos mononucleares. Os monócitos/macrófagos activados produzem citocinas que levam à activação de respostas sistémicas como o aumento de temperatura</nowiki>, activação das células T e B e libertação de outras citocinas.

Quimiocinas

Família de citocinas que induzem a adesão rápida, quimiotaxia e activação de subpopulações de leucóucitos efectores. São produzida por quase todos os tipos celulares em resposta a sinais pro-inflamatórias (plaquetas…). Orientam os leucócitos circulantes.

Citocinas mediadoras da função dos linfócitos T e B

Os linfócitos T activados libertam um grande número de citocinas que controlam os efectores da resposta imunitária. Actuam sobre macrófafos, eosinófilos e células endoteliais. Estes participam na diferenciação dos TH em TH1 e TH2.

Citocinas estimuladoras da hematopoiese

Denominam-se fatores estimulantes de colonias (CFS). Estimulação de novas células que substituem as utilizadas na resposta imunitária.

 

O que é a Síndrome da fadiga crônica e o que era conhecido antes desses estudos

“Ando muito cansado, doutor. De manhã, para levantar da cama é o maior sacrifício. Mal chego no trabalho, já quero voltar para casa.”

Cansaço é uma das cinco queixas mais frequentes dos que procuram os clínicos gerais. Nessas ocasiões, cabe ao médico encontrar uma causa que justifique a falta de disposição.

As mais comuns costumam ser:

* Doenças cardiovasculares (insuficiência cardíaca, arritmias, etc.);

* Doenças autoimunes (lúpus, polimiosite, etc.);

* Doenças pulmonares (enfisema, quadros infecciosos, etc.);

* Doenças endócrinas (hipotireoidismo, diabetes, etc.);

* Doenças musculares e neurológicas;

* Apneia do sono e narcolepsia;

* Abuso de álcool e outras drogas;

* Obesidade;

* Depressão e outros distúrbios psiquiátricos;

* Infecções;

* Tumores malignos.

A experiência mostra que contingente expressivo de pessoas que se queixam de cansaço, não se enquadra em nenhum desses diagnósticos. A tendência dos médicos nesses casos é atribuir a queixa às atribulações da vida moderna: noites mal-dormidas, alimentação inadequada, falta de atividade física, problemas psicológicos ou mera falta de vontade de trabalhar.

Alguns desses pacientes, no entanto, sentem-se muito mal, excessivamente cansados, incapazes de concentrar-se no trabalho e executar as tarefas diárias. Inconformados, fazem via sacra pelos consultórios atrás de um médico que leve a sério seus problemas, lhes ofereça uma esperança de melhora ou, pelo menos, uma explicação para o mal que os aflige.

São os portadores da síndrome da fadiga crônica, diagnosticada mais frequentemente em mulheres do que em homens.

Na maioria das vezes, a doença se instala insidiosamente depois de um episódio de  resfriado, gripe, sinusite ou outro processo infeccioso. Por razões desconhecidas, entretanto, a infecção vai embora, mas deixa em seu rasto sintomas de indisposição, fadiga e fraqueza muscular que melhoram, todavia retornam periodicamente, em ciclos, durante meses ou anos.

Como diferenciar esse estado de fadiga crônica, daqueles associados às solicitações da vida urbana?

Não há exames de laboratório específicos para identificar a fadiga crônica. De acordo com o International Chronic Fatique Syndrome Study Group, o critério para estabelecer o diagnóstico é o seguinte: considera-se portadora da síndrome toda pessoa com fadiga persistente, inexplicável por outras causas, que apresentar no mínimo quatro dos sintomas citados abaixo, por um período de pelo menos seis meses:

* Dor de garganta;

* Gânglios inflamados e dolorosos;

* Dores musculares;

* Dor em múltiplas articulações, sem sinais inflamatórios (vermelhidão e inchaço);

* Cefaleia com características diferentes das anteriores;

* Comprometimento substancial da memória recente ou da
concentração;

* Sono que não repousa;

* Fraqueza intensa que persiste por mais de 24 horas depois da atividade física.

Alguns estudos sugerem que predisposição genética, doenças infecciosas prévias, faixa etária, estresse e fatores ambientais tenham influência na história natural da enfermidade. Condições como hipoglicemia, anemia, pressão arterial baixa ou viroses misteriosas também são lembradas, mas a verdade é que as causas da síndrome da fadiga crônica são desconhecidas.

A evolução da doença é imprevisível. Às vezes, desaparece em pouco mais de seis meses, mas pode durar anos ou persistir pelo resto da vida.

A ignorância em relação às causas da síndrome, explica a  inexistência de tratamentos específicos para seus portadores. Os sintomas são passíveis de tratamentos paliativos, entretanto anti-inflamatórios são recomendados para as dores musculares ou articulares; drogas antidepressivas podem melhorar a qualidade do sono.

Mudanças de estilo de vida podem ser úteis. Os especialistas recomendam uma dieta equilibrada, uso moderado de álcool, exercícios regulares de acordo com a disposição física e a manutenção do equilíbrio emocional para controlar o estresse.

Reabilitação fisioterápica e condicionamento físico são fundamentais para a manutenção da atividade física e profissional.

Como em todas as doenças mal conhecidas, proliferam os assim chamados tratamentos naturalistas, alguns dos quais apregoam resultados milagrosos para a fadiga crônica. Infelizmente, não há qualquer evidência científica de que eles modifiquem a evolução da doença.

 

Fonte: veja.com, wikipedia e Drauzio Varella

Fonte imagem: Thinkstock/VEJA


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