Renovabio gera demanda para etanol

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Setor sucroenergético brasileiro tem que dobrar produção de etanol e atingir 50 bilhões de litros em 2030 para cumprir metas de redução nas emissões de gases de efeito estufaConfira a entrevista de Elizabeth Farina

A diretora-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, conversou com o Notícias Agrícolas para debater o estado e as principais metas do setor, que serão discutidos na próxima edição do Ethanol Summit, a ser realizado nos próximos dias 26 e 27 em junho no World Trade Center (WTC), em São Paulo.

De acordo com Farina, a boa nova é que, pela primeira vez, o setor está junto com o governo discutindo um programa de longo prazo para o setor. Segundo ela, por muitos anos, só foram discutidas crises imediatas que desafogavam o setor, mas que não traziam confiança para retomar investimentos. Há, agora, uma janela de oportunidade importante, como define a diretora-presidente, após uma crise que encerrou a atividade de 80 usinas e deixou outras 70 em processo de recuperação judicial, desanimando os investidores.

Cada vez mais em pauta, o abastecimento de combustíveis leves é uma das principais preocupações, levando em conta a necessidade de oferecer uma oferta relevante de etanol, seja o etanol hidratado ou o etanol para mistura na gasolina. Por outro lado, há também uma novidade ambiental associada com compromissos que o Brasil assumiu para enfrentar as mudanças climáticas. Em 2015, foi feito um acordo envolvendo 200 países que levaram compromissos voluntariamente elaborados para enfrentar essas questões. Esse acordo foi ratificado em novembro de 2016 e, portanto, há uma meta de redução de 43% dos gases que provocam o efeito estufa até 2030. Assim, existe um desafio a ser cumprido pela área de energia no Brasil, por meio do programa Renovabio.

Para chegar lá, como destaca Farina, o setor precisa aumentar o consumo de etanol em 50 bilhões de litros. Atualmente, são produzidos de 28 a 30 bilhões de litros no Brasil. Por isso, o Ethanol Summit tem como mote realizar esse salto para 2030. O compromisso é desafiador por conta da capacidade de moagem estagnada e o Brasil precisa de investimentos para crescer essa capacidade de moagem – mas esse investimento só será destravado quando o investidor sentir que esse plano terá eficácia. O etanol reduz em até 90% a emissão de CO2 em relação à gasolina, mas deve-se lembrar que a escolha do consumidor deve ser preservada.

A oferta do setor de cana já foi aumentada em 20 vezes dos anos 1970 para 2000. Agora, o setor tem área para crescer sem desmatar e sem reduzir a produção de alimentos, com 64 milhões de hectares aprovados, sendo que apenas 7 milhões de hectares são utilizados atualmente. Farina destaca que não necessariamente o setor precisa aumentar área, mas também investir em resultados com novas variedades, novas formas de plantio, novas práticas agroeconômicas, novas inovações com equipamentos e também o desenvolvimento de cana de segunda geração. Isso tudo gera uma maior quantidade de cana por hectare produzida e, consequentemente, litros de etanol por hectare. Também há um forte investimento em pesquisa para deslanchar esse potencial.

O fim da crise, entretanto, não está decretado. Há usinas com desafios financeiros a serem enfrentados, mas isso também estará na agenda de discussões do Ethanol Summit, sendo uma questão que estará na agenda de discussões, seja com representantes governamentais, empresas, fornecedores, muitos desafios, mas os fundamentos do futuro, segundo Farina, são sólidos. O evento também irá celebrar os 30 anos de bioeletricidade, que tem a meta de ser 45% da matriz de energia brasileira.

 

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas


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