Cotações do milho finalizaram fevereiro com nova alta

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As cotações do milho finalizaram fevereiro com nova alta, apesar da demanda enfraquecida. O início do mês foi marcado pela queda nos valores na maior parte das regiões brasileiras, refletindo o baixo ritmo de negócios e a resistência de compradores em negociarem nos patamares mais elevados, além das quedas dos preços externos e do câmbio, o que reduziu os valores nos portos, e da melhora no desenvolvimento da safra verão. Já no final de fevereiro, o movimento de alta voltou a ser observado. Vendedores, capitalizados, se retraíram novamente dos negócios, à espera de novas elevações.

Compradores que necessitavam de mercadoria acabaram cedendo a valores maiores, fazendo com que o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas/SP) voltasse a registrar patamares recordes nominais, fechando a R$ 85,41/sc de 60 kg, com aumento de 2,5% no acumulado de fevereiro. A média mensal do Indicador, de R$ 83,89/sc de 60 kg, também é a maior registrada desde ago/2004 em termos nominais. Já considerando os valores reais (IGP-DI de fevereiro 2021), o maior patamar mensal é R$ 86,76/sc de 60 kg, em dezembro/07.

Com as atenções de produtores voltadas aos trabalhos de campo, as valorizações também ocorreram devido às preocupações com os fretes no mercado interno. Tipicamente, os fretes sobem neste período, e a disponibilidade de caminhões está restrita, devido à intensificação da colheita de soja. Além disso, colaboradores do Cepea apontaram que a valorização dos combustíveis em fevereiro dificultou ainda mais as negociações.

Com isso, na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, no acumulado do mês, os preços das negociações entre empresas (mercado disponível) permaneceram estáveis. Para os valores pagos ao produtor (balcão), o avanço foi de 1,4%. Quando comparadas as médias mensais, as valorizações são mais evidentes: 0,9% e 1,3%, respectivamente.

Os contratos negociados na B3 também avançaram em fevereiro, refletindo o atraso na semeadura do milho segunda safra e incertezas quanto ao clima. No acumulado do mês, o contrato Março/21 teve reação de 1,7%, a R$ 88,28/sc de 60 kg, e o contrato Maio/21 subiu 5,9% entre 29 de janeiro e 26 de fevereiro, para R$ 88,58/sc de 60 kg.

Exportação – Os embarques de milho atingiram 822,9 mil toneladas em fevereiro, expressivos 142% superior ao mesmo período de 2020, quando 340,3 mil toneladas foram vendidas ao mercado externo, segundo a Secex. As altas domésticas também elevaram a diferença entre as cotações no interior e nos portos. Em fevereiro, o preço médio em Campinas chegou a ficar 4,23 Reais/saca acima das cotações em Paranaguá (PR), bem superior aos 2,81 Reais/sc registrados em janeiro.

No acumulado do mês, no porto de Paranaguá (PR), os preços subiram 0,7%, com média de R$ 79,57/saca de 60 quilos no dia 26. Com as negociações pontuais nos portos e a menor demanda internacional pelo cereal brasileiro, o mercado interno se mostrou mais atrativo a vendedores.

Campo – Agentes brasileiros passaram o mês atentos aos trabalhos de campo, como o ritmo de colheita das lavouras de verão e, principalmente, o cultivo da segunda safra. Apesar do clima mais favorável no fim de fevereiro, produtores deram preferência para a comercialização da soja, pois necessitavam entregar os lotes negociados antecipadamente.

Em Mato Grosso, a semeadura da segunda safra avançou com expressividade nos últimos dias do mês, mas ainda abaixo da média dos últimos anos, segundo dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Até o dia 26, 54,56% da área estadual havia sido semeada, avanço mensal de 53 p.p., mas ainda 37,3 p.p. atrasados em relação à temporada 2019/20.

Em Mato Grosso do Sul, produtores alcançaram 19,4% da área semeada até o dia 26 de fevereiro, segundo dados da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul). Com os patamares de preços considerados elevados, a área de milho pode ser ainda maior, a 1,89 milhão de hectares (+5,7%).

No Paraná, até o dia 1º de março, a colheita da primeira safra teve avanço de 45 p. p. em relação ao final de janeiro, atingindo 46% da área do estado. A semeadura da segunda temporada segue avançando. Segundo o Seab/Deral, 28% da área estimada para o cereal já havia sido implantada até o dia 1º. No Rio Grande do Sul, na última semana do mês, o clima favoreceu as atividades. A Emater/RS indicou que 48% da área esperada foi colhida até o dia 25.

Mercado internacional – Na Argentina, a semeadura da safra 2020/21 esteve lenta em fevereiro: apenas 0,8% já foi semeado – são 6,3 milhões de hectares projetados, segundo informações da Bolsa de Cereales. A área deve recuar 3% frente à campanha anterior, refletindo em queda de 11% na produção.

Quantos aos preços internacionais, nos Estados Unidos as cotações avançaram, fundamentadas nas preocupações com o clima nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina. Além disso, a expectativa de que a China necessite de mais cereal para recomposição do seu plantel de suínos e as valorizações do petróleo deram suporte às cotações. A alta só não foi mais expressiva devido ao relatório do USDA indicando estoques mundiais acima do esperado pelo mercado.

Na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), o contrato Mar/21 avançou 1,55% no acumulado de fevereiro, fechando a US$ 5,5550/bushel (US$ 218,69/t) no dia 26, enquanto o contrato Mai/21 se manteve estável, indo para US$ 5,4750/bushel (US$ 215,54/t).

Fonte: Cepea – Agromensais de Fevereiro/2021 – www.cepea.esalq.usp.br


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