Indicador cotação boi, suínos, frango, soja e milho
Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
BOI/CEPEA: Ano já é marcado por recordes
O ano de 2020 avança e já vem sendo marcado como um novo período de recordes. Segundo pesquisadores do Cepea, as intensas exportações brasileiras de carne bovina e a baixa oferta de animais para abate vêm mantendo as médias mensais da arroba em patamares recordes no mercado nacional. No entanto, essa valorização da arroba não indica que o pecuarista tem obtido maiores margens. Isso porque os animais de reposição (bezerro e boi magro) estão sendo negociados igualmente em patamares recordes reais das respectivas séries do Cepea. Além da reposição – que representa mais da metade dos custos de produção de pecuaristas recriadores –, a forte valorização do dólar neste ano elevou os preços de importantes insumos pecuários que são importados. É importante lembrar, ainda, que insumos de alimentação, como milho e farelo de soja, estão bastante valorizados. No caso da indústria, enquanto as exportações aquecidas e o dólar elevado ajudam na receita, os frigoríficos que trabalham apenas no mercado doméstico se deparam com o preço da matéria-prima em patamar recorde e a demanda por carne bovina um pouco enfraquecida. A carcaça casada do boi é negociada em patamares superiores aos verificados em anos recentes, enquanto o poder de compra da população está menor, diante da crise econômica gerada pela pandemia de covid-19.
SUÍNOS/CEPEA: Após novo recorde nominal na 1ª quinzena, preço do vivo se estabiliza no Sudeste
A oferta de animais em peso ideal para abate seguiu baixa na maior parte das regiões brasileiras em setembro, devido ao clima de incerteza gerado pela pandemia de covid-19 e aos elevados custos, que inibiram o aumento da produção em meses anteriores. Esse cenário manteve em alta os preços do animal em todas as praças acompanhadas pelo Cepea. As cotações, inclusive, renovaram as máximas nominais na primeira quinzena. No entanto, na segunda metade do mês, agentes de indústrias do Sudeste começaram a se retrair do mercado, limitando os negócios envolvendo novos lotes de suínos vivos a preços mais elevados. Diante disso, o movimento de alta dos preços foi interrompido nos mercados independentes de São Paulo e de Minas Gerais, onde os valores se estabilizaram. Já nos estados do Sul do País, as cotações seguiram em alta, ainda influenciadas pela oferta abaixo da demanda. A resistência de parte da indústria em elevar os preços ofertados é reflexo da dificuldade no repasse das consecutivas valorizações do animal para a carcaça. Para os cortes negociados no estado de São Paulo, além do repasse da valorização do animal, os preços também foram impulsionados pelos aumentos das cotações do boi gordo e da carne bovina, o que, vale lembrar, favorece a competitividade dos produtos suinícolas, e, consequentemente, aumenta sua liquidez.
FRANGO/CEPEA: Do vivo à carne, preços sobem pelo 4º mês consecutivo
Os preços praticados na avicultura de corte subiram pelo quarto mês consecutivo em setembro, refletindo, principalmente, a elevada competitividade da proteína no mercado doméstico frente às carnes bovina e suína. Apesar das valorizações durante o mês, as cotações das concorrentes aumentaram com mais intensidade, garantindo à proteína avícola boa liquidez no mercado doméstico. As exportações de carne de frango in natura também estiveram firmes no último mês, ajudando a impulsionar os valores. No mercado do vivo, as cotações também registraram elevação, visto que a indústria aumentou a procura por animais para garantir o andamento das linhas de produção. Além disso, a oferta de animais para abate está baixa – o setor vem operando com produção controlada há alguns meses. De acordo com dados de abate divulgados pelo IBGE, no segundo trimestre de 2020, a avicultura de corte registrou a menor produção desde o mesmo período de 2018, somando 1,41 bilhão de cabeças de frango abatidas. O peso médio das carcaças também teve forte recuo no mês de junho, a 2,27 kg, 3,6% menor que o do mesmo mês de 2019. Assim, os valores do frango vivo operam nos maiores patamares nominais da série histórica do Cepea em algumas regiões.
FARELO DE SOJA/CEPEA: Com alto custo da matéria-prima e demanda firme, farelo se valoriza
Os preços de farelo de soja subiram mais de 10% entre agosto e a parcial de setembro (até o dia 25), considerando-se a média das regiões acompanhadas pelo Cepea. Além do elevado custo da matéria-prima, a firme demanda pelo derivado, tanto do mercado interno quanto do internacional, seguiu encarecendo os lotes desse coproduto no último mês. Como sojicultores se capitalizaram no início da safra, esses agentes não demonstraram interesse em comercializar grandes lotes da oleaginosa em setembro, limitando a oferta no mercado. Esse cenário desafiou as indústrias que têm estoques baixos. A estratégia de algumas foi trabalhar com lotes agendados de farelo, ou seja, contratos a termo, a fim de garantir margem de lucro – algumas indústrias chegaram a pagar quase R$ 150,00/saca no interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná; outras até indicaram esses valores na compra, mas não obtiveram retorno de vendedores. Com as cotações do farelo nacional em patamares recordes, consumidores domésticos buscaram novas alternativas para substituir esse derivado na ração animal, principalmente o DDG (grãos secos por destilação, na sigla em inglês), cuja oferta já era baixa em setembro, devido à alta procura, segundo relatos de agentes consultados pelo Cepea.
MILHO/CEPEA: Cotações atravessam setembro em queda, mas fecham mês em elevação
Após atingirem recordes nominais no fim de agosto, os preços do milho se enfraqueceram no início de setembro, passando a maior parte do mês em queda. Esse cenário esteve atrelado ao avanço da colheita da segunda safra, que afastou compradores do mercado – depois de adquirirem o cereal a patamares elevados de preços em agosto, esses agentes indicaram estar abastecidos para o curto prazo e optaram por aguardar desvalorizações mais significativas com o avanço das atividades de campo, negociando apenas lotes pontuais. Já no encerramento do mês, os valores voltaram a subir na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, impulsionados principalmente pela maior demanda nos portos, que, por sua vez, esteve atrelada à alta do dólar frente ao Real. Além disso, compradores no interior do País retornaram ao mercado, enquanto vendedores seguiram firmes quanto aos preços pedidos, na perspectiva de continuidade das altas. Assim, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (base Campinas – SP) encerrou o mês (até o dia 25) em alta, fechando a R$ 62,45/saca de 60 kg no dia 25, novo recorde nominal na série história do Cepea (iniciada em 2004) e aumento de 1,96% frente ao dia 31 de agosto.
Textos elaborados pela Equipe Cepea.

