Cepea: Indicador cotação mês de maio
Cepea: Indicador cotação boi, suínos, frango, farelo de soja e milho.
Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
BOI/CEPEA: Firme demanda externa e baixa oferta de animais sustentam valor da arroba.
Os preços da arroba do boi gordo mantiveram-se firmes em maio frente à média de abril, com o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (estado de São Paulo, à vista) registrando ligeira alta de 0,52% e fechando a parcial de maio (até o dia 26) com média de R$ 200,61. Além disso, a média do último mês superou em 24,3% a de maio do ano passado, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI). Segundo pesquisadores do Cepa, as cotações têm sido sustentadas pela firme demanda externa pela carne brasileira – principalmente da China – e pela baixa oferta de animais prontos para abate. O país asiático tem importado volumes significativos de carne do Brasil neste ano, o que tem levado os embarques totais a volumes recordes. Esse cenário, por sua vez, ameniza os impactos da pandemia do novo coronavírus sobre o mercado pecuário nacional. Já as cotações da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo estão enfraquecidas, visto que a demanda doméstica pela proteína está baixa. Na parcial de maio, a média à vista da arroba da carcaça casada do boi negociada no atacado foi de R$ 205,05 (R$ 13,67/quilo), queda de 2,63% em relação à de abril, mas alta de 20,7% frente à de maio/19, em termos reais.
SUÍNOS/CEPEA: Maior procura impulsiona preços do vivo e da carne.
O mercado nacional de suínos voltou a se aquecer em maio. Segundo colaboradores do Cepea, o aumento da procura de redes atacadistas e varejistas para reposição de estoques e o Dia das Mães aumentaram a liquidez interna da carne suína. Além disso, as exportações brasileiras da proteína foram intensas, contexto que favoreceu a recuperação dos preços. Esse cenário, por sua vez, elevou a demanda de frigoríficos por novos lotes de animais para abate, resultando também em aumento nas cotações do suíno vivo em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea – a situação desfavorável vivida pelo setor entre meados de março e abril fez com que parte da indústria reduzisse a produção e, consequentemente, os níveis de estoque da proteína. Diante da rápida melhora nas vendas da carne nas primeiras semanas de maio, frigoríficos intensificaram as compras de suínos no mercado independente. Assim, mesmo com a alta nas cotações dos principais insumos utilizados na atividade (milho e farelo de soja), o poder de compra do suinocultor aumentou em maio, devido à valorização mais intensa do animal vivo.
FRANGO/CEPEA: Exportação e vendas internas aquecidas elevam cotações.
Os embarques de carne de frango in natura tiveram ritmo elevado em maio, conforme dados da Secex, o que reduziu a disponibilidade interna do produto, principalmente congelado. Com isso, os preços domésticos subiram. Nos 15 primeiros dias úteis de maio, o Brasil embarcou 278,38 mil toneladas de carne de frango, com média diária de 18,5 mil toneladas, aumento de 15,6% frente à de abril e ainda 14,3% acima do ritmo registrado em maio/19. Segundo agentes do setor consultados pelo Cepea, a China tem sido a maior responsável pelo incremento dos embarques brasileiros, adquirindo também as principais carnes concorrentes, suína e bovina. No mercado brasileiro, as vendas de carne de frango também estiveram aquecidas em maio. Neste caso, o impulso veio do aumento das compras de redes atacadistas e varejistas para reposição de estoques. Além disso, a produção na indústria esteve mais enxuta, reforçando as valorizações.
FARELO DE SOJA/CEPEA: Demanda elevada e baixo excedente do grão mantêm preço em alta.
As cotações de farelo de soja permaneceram em alta no mercado brasileiro em maio, ainda impulsionadas pela firme demanda externa e pelos elevados patamares dos preços da matéria-prima – o dólar fortalecido frente ao Real manteve a procura pelo grão nacional e seus subprodutos aquecida no último mês, reduzindo a oferta interna de ambos. Somado a esse contexto, a demanda de suinocultores e avicultores brasileiros por farelo passou a subir em maio, também devido à firme procura externa por seus produtos, o que ajudou a impulsionar os valores do derivado no Brasil. Assim, em maio, os preços da soja renovaram as máximas nominais em algumas das regiões levantadas pelo Cepea, especialmente nos portos, e os do farelo registraram recordes nominais em 17 praças. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, o preço médio de farelo de soja em maio foi 4,3% superior ao de abril e 45,5% maior que o de maio de 2019.
MILHO/CEPEA: Com clima desfavorável e vendedor retraído, valores voltam a subir.
Os preços do milho voltaram a subir na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea em maio. O impulso veio de incertezas quanto ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra, devido à irregularidade das chuvas, o que manteve vendedores afastados do mercado durante o mês. Além disso, o dólar em patamar elevado sustentou as cotações do cereal nos portos de Paranaguá (PR) e de Santos (SP), também favorecendo a recuperação dos preços domésticos. Do lado comprador, agentes realizaram apenas negócios pontuais para curto prazo, à espera de mercadoria da segunda safra e do recebimento de lotes adquiridos antecipadamente. Nesse cenário, a liquidez esteve baixa. Na região de Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa subiu 4% no acumulado parcial de maio (até o dia 26), fechando a R$ 50,29/sc no dia 26. Já a média do mês, de R$ 50,09, permaneceu 5,3% abaixo da registrada em abril.
Textos elaborados pela Equipe Cepea.

