Cotação do boi, suínos, frango, soja e milho
Cepea: Indicador cotação boi, suínos, frango, soja e milho.
Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
BOI/CEPEA: Custo de produção da pecuária de corte sobe 2,12% no 1º semestre.
Os custos de produção da pecuária de corte brasileira registraram alta no primeiro semestre de 2019, conforme indicam pesquisas do Cepea em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). De janeiro a julho, o COE (Custo Operacional Efetivo) da atividade subiu 2,12%, na “média Brasil” (que considera os estados do AC, BA, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PR, RO, RS, SP e TO). No mesmo período de 2018, a alta havia sido de 1,58%. Ainda assim, a elevação verificada na primeira metade de 2019 está abaixo da inflação (IGP-DI) do mesmo período, que foi de 4,39%. Conforme a pesquisa do Cepea/CNA, dentre as etapas de produção da pecuária de corte, a que registrou a maior alta nos custos foi a recria engorda. O COE das propriedades que recriam e terminam os animais subiu 5,35% no primeiro semestre de 2019. O principal grupo de insumos que influenciou esse aumento foi a aquisição de animais, que registrou elevação acumulada de 4,26% no período – vale lembrar que a compra de animais representa, em média, 65% dos desembolsos dos invernistas. No mercado brasileiro, o que se observou no mês de julho foi uma baixa oferta de animais para abate. No entanto, as escalas relativamente alongadas de determinados frigoríficos pressionaram as cotações da arroba no acumulado do mês – agentes de unidades de abate afirmam estar com dificuldades para comercializar carne bovina no mercado interno. Nem mesmo as compras de animais para atender à exportação e a demandas internas mais específicas conseguiram sustentar os preços. Assim, entre 28 de junho e 26 de julho, o Indicador do boi gordo ESALQ/B3 caiu 1,5%, fechando a R$ 154,40 no dia 26.
SUÍNOS/CEPEA: Com retração da indústria, preços caem com força
Após quatro meses de valorizações contínuas, os preços do suíno vivo e da carne voltaram a cair em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. De acordo com colaboradores, o movimento baixista está associado à menor procura por parte da indústria. Com os casos de Peste Suína Africana (PSA), registrados principalmente na Ásia, as plantas frigoríficas brasileiras exportadoras aumentaram com força as aquisições de animais nos últimos meses. No entanto, apesar de o desempenho dos embarques de carne suína ter sido positivo no correr deste ano, agentes tinham a expectativa de vendas ainda maiores. Nesse cenário, em julho, o ritmo de compras dos frigoríficos diminuiu, pressionando as cotações, tanto do suíno vivo quanto da carne. Além disso, em São Paulo e em Minas Gerais, onde foram registradas as desvalorizações mais significativas, a maior concorrência com o suíno vivo e a carcaça produzidos em outras regiões do País também reduziu os valores. Em Patos de Minas (MG), o suíno vivo colocado na indústria foi negociado na média de R$ 5,00/kg no dia 26, queda de 13,4% em relação ao registrado no dia 28 de junho. Na região de SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o suíno vivo posto no frigorifico teve média de R$ 5,05/kg no dia 26, recuo de 8,3% em relação à do dia 28 de junho. No mercado de carnes, as carcaças comum e especial tiveram médias de R$ 7,54 e de R$ 7,65/kg, respectivamente, no atacado da Grande São Paulo, 3,5% e 6,2% abaixo das registradas em 28 de junho. Quanto às exportações de produtos suinícolas registradas no primeiro semestre deste ano, somaram 340,8 mil toneladas, aumento de expressivos 24% frente às do mesmo intervalo de 2018 e o maior volume escoado no período desde 2005, quando foi de 343,6 mil toneladas (Secex).
FRANGO/CEPEA: Cotações recuam no Sudeste, mas sobem no Sul
Os preços da carne de frango registraram comportamentos distintos dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea em julho. Em algumas praças do Sul do País, principalmente no Paraná, as cotações tiveram leve alta, enquanto em São Paulo e em Minas Gerais, o cenário foi de queda. As desvalorizações estiveram atreladas à baixa liquidez no mercado durante o mês, devido ao período de férias escolares e às temperaturas mais baixas, que costumam reduzir a demanda pela proteína. Já no Paraná, apesar dos fundamentos de baixa, o bom ritmo das exportações da proteína sustentou os valores – a atratividade dos embarques é reflexo, dentre outros fatores, do preço pago pelo produto brasileiro no mercado internacional, que subiu 4,5% de junho para julho, para a média de US$ 1.697,20/tonelada, a maior desde junho/15. Assim, em Toledo (PR), uma das principais regiões exportadoras do País, o preço do frango inteiro congelado comercializado no atacado subiu 1,7% no acumulado parcial de julho (até o dia 26), para R$ 5,16/kg no dia 26. Para o produto resfriado, a alta foi de 0,8%, na mesma comparação, para R$ 5,04/kg. Já no atacado da Grande São Paulo, a proteína congelada teve preço médio de R$ 4,54/kg no dia 26, queda de 1,5% frente ao do dia 28 de junho. O frango inteiro resfriado teve média de R$ 4,57/kg, 1,4% menor na mesma comparação.
FARELO DE SOJA/CEPEA: Comprador se retrai e pressiona valores
A procura por farelo de soja diminuiu no mercado brasileiro em julho, devido à retração de compradores, que se mostram abastecidos para o curto prazo – apenas aqueles com necessidade de repor estoques adquirem pequenos lotes do derivado. Segundo colaboradores do Cepea, há casos em que o produto é substituído por farelo de algodão e/ou polpa cítrica. Além disso, agentes compradores esperam que a desvalorização do grão seja repassada ao farelo, postergando novas aquisições. Nesse cenário, apenas negócios pontuais foram realizados durante o mês e os preços recuaram. Na parcial de julho (até o dia 26), o preço do farelo de soja teve média de R$ 1.213,56/tonelada na região de Campinas (SP), 1,2% inferior à de junho. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, a desvalorização foi de 5,7% na mesma comparação.
MILHO/CEPEA: Possível produção recorde afasta comprador do spot e preço cai
Estimativas da Conab indicando novos recordes de produção e de exportação para o Brasil afastaram agentes do mercado spot em julho, principalmente compradores, que têm aguardado as entregas de lotes comercializados antecipadamente, postergando novas aquisições. Do lado vendedor, produtores de milho voltaram a se concentrar na colheita da segunda safra e na entrega de lotes já contratados. Nesse ambiente, a liquidez esteve baixa. Quanto aos preços, o avanço da colheita pressionou as cotações em todas as praças acompanhadas. Em algumas regiões, principalmente nos portos, as quedas foram limitadas pelo bom ritmo das exportações do cereal. Assim, no acumulado parcial de julho (entre 28 de junho e 26 de julho), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, recuou 6,4% em Campinas (SP), fechando a R$ 36,36/saca de 60 kg no dia 26.
Fonte: Equipe Cepea.

