Análises CEPEA

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Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. 

Textos elaborados pela Equipe Cepea 

BOI/CEPEA: Valor do dianteiro sobe quase 25% em 2019 

Os preços do dianteiro bovino estão em forte ritmo de alta neste ano. O produto negociado no mercado atacadista da Grande São Paulo se valorizou fortes 24,6% desde o início de 2019. Na parcial de abril (até o dia 26), a alta no preço foi de 7,2%, com o dianteiro negociado a R$ 9,52/kg no dia 26. Além da elevação nos preços do boi gordo, a valorização do dianteiro está relacionada ao bom desempenho das exportações nacionais neste ano, especialmente à China. De janeiro até a terceira semana de abril, o Brasil havia embarcado 407,4 mil toneladas de carne bovina in natura (a todos os destinos), 4,7% a mais do que no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Secex. Quanto aos demais cortes, o traseiro apresenta movimento contrário, registrando desvalorização de 11,3% em 2019. Em abril, no entanto, o preço do corte subiu ligeiro 0,9%, a R$ 12,32/kg no dia 26. Quanto à ponta de agulha, o preço médio no dia 26 foi de R$ 9,15/kg, altas de 6,9% no ano e de 6,4% na parcial de abril. Com a forte alta no preço do dianteiro e a queda no do traseiro, a carcaça casada do boi registra estabilidade em 2019, com ligeira alta de 0,37%. Já na parcial de abril, o preço da carcaça do boi subiu 3,5%, com o produto negociado a R$ 10,81/kg no dia 26. 

SUÍNOS/CEPEA: Poder de compra de produtor catarinense é o maior desde nov/17

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A maior demanda de frigoríficos exportadores por suíno vivo impulsionou os preços do animal em abril, principalmente na região Sul do País.Na parcial do mês (até o dia 26), o suíno vivo registrou preço médio de R$ 3,99/kg no Oeste de Santa Catarina, 2,3% acima da de março/19. Na região de SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a média do período, de R$ 4,30/kg, foi 2,1% superior na mesma comparação. Esse cenário somado às desvalorizações dos principais insumos utilizados na atividade (milho e farelo de soja) elevaram o poder de compra de suinocultores de ambas as praças. No Oeste Catarinense, inclusive, a relação de troca do vivo por esses insumos em abril foi a melhor desde novembro/17, e na região paulista, desde janeiro/18. Quanto às carnes, a proteína suína ganhou competitividade frente à de frango no mês passado, visto que as cotações da carne de frango subiram consideravelmente, enquanto as da suína registraram menor elevação. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína se valorizou 1,1% de março para a parcial de abril, a R$ 6,42/kg, em média. No mesmo comparativo, o preço do frango resfriado subiu 4,7%, para R$ 4,69/kg. Diante disso, a diferença entre os preços da carcaça especial suína e os do frango resfriado passou de 1,87 Real/kg para 1,73 Real/kg, representando um ganho de competitividade de 7,5% para a proteína suína. 

FRANGO/CEPEA: Exportações recuam, mas preço interno segue em alta 

Apesar do recuo das exportações brasileiras de carne de frango in natura de março para abril, o volume embarcado no mês passado foi o segundo maior de 2019. Esse cenário, somado à produção ajustada no mercado doméstico, manteve as cotações internas da proteína em alta. Na parcial de abril (até o dia 29), o frango inteiro congelado negociado no atacado da Grande São Paulo registrou média de R$ 4,68/kg, alta de 4,9% frente à do mês anterior. Para o produto resfriado, os negócios tiveram média de R$ 4,69/kg na parcial do mês, aumento de 4,7% na mesma comparação. Além da carne, as valorizações também foram observadas para o frango vivo, o que acabou elevando o poder de compra do avicultor frente ao milho e ao farelo de soja – cujos preços recuaram no período. Na parcial de abril (até o dia 29), um quilo de frango vivo valia 5,8 quilos de milho em São Paulo, quantidade 20% superior à de março. Essa é a melhor relação de troca do animal pelo insumo desde agosto/17, quando um quilo de frango comprava 5,67 quilos do cereal. No caso do farelo de soja, a relação de troca também foi mais favorável em abril, com um quilo do animal valendo até 3,04 quilos do derivado de soja, 14% a mais do que em março. Além da produção ajustada, a valorização do frango vivo também está atrelada à maior demanda pela carne, enquanto que para o milho e o farelo de soja, as quedas dos preços refletem respectivamente a retração compradora e a maior oferta, devido ao encerramento da colheita de soja no Brasil, e também à expectativa de acordo comercial entre China e Estados Unidos.  De março para abril, o frango vivo registrou valorização de 10,2% na capital paulista, para a média de R$ 3,45/kg na parcial do mês passado, a maior, em termos nominais, da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2004. 

FARELO DE SOJA: Oferta supera demanda e preços renovam mínimas 

Os preços do farelo de soja recuaram por mais um mês em abril, refletindo a desvalorização da matéria-prima e o baixo interesse de boa parte dos compradores, que se mostram abastecidos para os médio e longo prazos. Além disso, o enfraquecimento da demanda internacional pelo derivado brasileiro, a queda dos preços futuros na CME Group (Bolsa de Chicago) e o recuo do prêmio de exportação do farelo de soja também pressionaram as cotações. Com isso, em abril, 13 das regiões pesquisadas pelo Cepea registraram a menor média mensal desde fevereiro/18, em termos nominais. Assim, na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, o valor médio do farelo de soja caiu 1,1% de março para abril (até o dia 26). Em Campinas (SP), especificamente, a desvalorização foi de 3,2% no mesmo comparativo, para R$ 1.134,33/tonelada na parcial do mês passado. 

MILHO/CEPEA: Indicador cai 12% e registra o menor patamar nominal desde fev/18

O maior interesse de vendedores em negociar e a retração de compradores do mercado, devido à perspective de oferta elevada nos próximos meses, pressionaram as cotações do milho por mais um mês em abril. A Conab estima que a produção nacional do cereal atinja 94 milhões de toneladas, que, somadas às 14,3 milhões de toneladas de estoques inicias e às importações de 500 mil toneladas, geraria disponibilidade de 108,8 milhões de toneladas – um recorde. A liquidez também está baixa no mercado brasileiro, refletindo a disparidade entre as ofertas de compradores e os pedidos de vendedores. Além disso, alguns produtores têm dado preferência à comercialização de soja, o que também tem influenciado as exportações de milho. O recuo nos preços domésticos aliado à valorização do dólar, por sua vez, têm aumentado a competitividade internacional do cereal brasileiro, o que pode favorecer as exportações nos próximos meses. Entre 31 de março e 29 de abril, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) caiu fortes 12,05%, fechando a R$ 33,80/sc de 60 kg no dia 29.


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