Análises CEPEA

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BOI/CEPEA Disponibilidade aumenta e pressiona valor do animal; carne se valoriza

Os preços da arroba do boi gordo, que iniciaram outubro em alta (impulsionados pela baixa oferta de animais para abate e pelo bom ritmo das exportações da carne), acabaram recuando no correr do mês, encerrando o período em queda. A desvalorização, por sua vez, esteve atrelada ao maior volume de animais disponibilizados pelos confinamentos e também ao ligeiro recuo de compradores, que estavam menos ativos no mercado, recebendo lotes adquiridos anteriormente por meio de contratos. Já as cotações da carne subiram em outubro, refletindo o bom ritmo das exportações durante o mês, o que ajudou a reduzir a oferta doméstica da proteína. Assim, o valor médio da arroba da carne voltou a superar o do boi gordo em outubro. Até o dia 29, a carcaça casada bovina registrava média de R$ 151,80 por arroba, alta de 0,6% frente à de setembro, enquanto a média do Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa recuou 0,6% na mesma comparação, a R$ 148,77 na parcial do mês.

SUÍNOS/CEPEA: Oferta reduzida e exportação firme elevam preço do vivo por mais um mês

O suíno vivo se valorizou por mais um mês nas regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea, ainda refletindo a menor oferta de animais para abate – o alto custo de produção levou suinocultores a migrar de atividade neste ano, reduzindo a disponibilidade de suínos no mercado. As exportações da carne, por sua vez, registraram bom desempenho em outubro, o que ajudou a enxugar a oferta doméstica da proteína, impulsionando as cotações. Esse cenário, somado às desvalorizações do milho e do farelo de soja, elevou o poder de compra de suinocultores de São Paulo e do Oeste Catarinense pelo terceiro mês consecutivo. Na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o preço médio do suíno vivo em outubro (até o dia 29) foi de R$ 3,82/kg, alta de 3,8% frente ao de setembro. No Oeste Catarinense, o animal registrou média de R$ 3,50/kg, valor 5,4% superior na mesma comparação. Apesar do aumento, o poder de compra do suinocultor permanece menor que o registrado em outubro de 2017. Além disso, os custos da atividade seguem em patamares elevados. Segundo colaboradores do Cepea, no Rio Grande do Sul, produtores têm utilizando trigo e cevada na formulação de ração, visando diminuir os custos com a alimentação dos animais.

FRANGO/CEPEA: Demanda se enfraquece, mas média mensal em SP é a maior em quase 2 anos

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Com a oferta mais restrita de animais para abate e a procura aquecida por carne de frango no mercado doméstico, as cotações da proteína subiram no início de outubro na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. No correr do mês, porém, a demanda interna diminuiu, visto que os altos patamares dos preços desestimularam o consumo. Assim, os valores recuaram, principalmente na região Sudeste, onde a produção não tem viés exportador tão acentuado e, portanto, depende mais da procura doméstica do que os estados do Sul. Mesmo assim, o preço médio da carne de frango em outubro foi maior que o registrado em setembro na maioria das praças acompanhadas. Na Grande São Paulo, a média parcial de outubro (até o dia 29) do frango congelado, de R$ 4,29/kg, foi 4,1% superior à de setembro e a maior desde novembro de 2016, em termos nominais, quando chegou a R$ 4,39/kg. Para o produto resfriado, a média de outubro foi de R$ 4,26/kg na mesma região, 4,6% maior que a de setembro.

FARELO DE SOJA/CEPEA: Cotações caem com força e retornam ao patamar de abril

A demanda por farelo de soja esteve bastante enfraquecida em outubro, principalmente por parte de avicultores e suinocultores, que se mostravam abastecidos – alguns, inclusive, já encerraram as aquisições neste ano. Nesse cenário, os preços do derivado recuaram com força na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea – em 19 das 25 praças analisadas, o valor médio do derivado em outubro (até o dia 29) foi o menor desde abril/18. De setembro para a parcial de outubro, o preço do farelo de soja recuou significativos 4,3% na média das regiões acompanhadas pelo Cepea. Apesar de as cotações da soja em grão também terem caído – devido à forte desvalorização do dólar frente ao Real –, o recuo foi menos intenso, visto que a disponibilidade doméstica da oleaginosa está baixa. Esse contexto acabou reduzindo ainda mais a margem de lucro das indústrias, que fechou o mês negativa. Com isso, muitas optaram por reduzir o processamento em vez de comprar o grão. No encerramento de outubro, algumas fábricas já não tinham mais estoque de derivados, mas, mesmo assim, algumas devem retomar o processamento apenas na entrada da safra 2018/19.

MILHO/CEPEA: Preço médio recua 9% em outubro e é o menor desde fev/18

As cotações do milho caíram com força em outubro em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Entre 1º e 29 de outubro, a média do Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas/SP) foi de R$ 36,64/saca de 60 kg, 9,08% inferior à de setembro e a menor desde fevereiro deste ano, em termos nominais. No acumulado do mês (28/9 a 29/10), o Indicador recuou expressivos 12,5%, fechando a R$ 34,48/sc no dia 29. Esse cenário esteve atrelado tanto ao maior interesse de venda por parte de produtores quanto à retração de compradores, que adquiriam apenas pequenos lotes para repor estoques de curto prazo, na expectativa de novas desvalorizações. O bom andamento da safra de verão, favorecido pelo clima, e a queda do dólar no acumulado do mês, que leva mais produtores a negociar no mercado doméstico, também pressionaram os valores do cereal. Além disso, as exportações de milho vêm registrando fraco desempenho nesta safra, elevando a oferta interna e influenciando as baixas.

Fonte: CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.


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