Estratégia para o crescimento passa pelo agronegócio

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O fortalecimento do agronegócio é uma estratégia de sucesso no Ceará. As exportações do agronegócio cearense representam hoje mais de 40% do total das exportações do Estado, com um faturamento de US$ 1,4 bilhão em 2013. O Ceará já é o quarto maior produtor brasileiro de frutas (banana, melão, manga) e o terceiro maior exportador do país, com uma receita de US$ 117 milhões no ano passado, o que representou um aumento de 8,1% sobre 2012. É também o primeiro exportador de flores tropicais e o segundo maior exportador nacional de flores, com um volume de US$ 5 milhões. E o terceiro maior exportador de mel, com US$ 12,8 milhões, uma ação realizada por 77 associações de produtores em oito polos com 135 municípios e produção total de 5,4 mil toneladas.

 

É uma nova perspectiva de desenvolvimento econômico, avalia Alexandre Pereira, empresário do setor de alimentos e serviços, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e secretário de governo, no cargo de presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cede). Segundo ele, o avanço do Estado no agronegócio foi favorecido por uma política de pesados investimentos do governo num esquema de logística internacional, através do complexo portuário do Pecém, de investimentos em infraestrutura rodoviária, de energia renovável e de garantia de água, além de incentivos tributários e financeiros e maiores oportunidades aos investidores competitivos.

 

“Queremos tornar o Ceará em uma referência na agricultura irrigada e colocá-lo no mapa das exportações das frutas e flores do Brasil, em 10 anos”, diz Pereira. O esforço passou por investimentos em várias áreas. No que se refere ao fortalecimento do esquema de logística, o governo investiu R$ 700 milhões para a construção de mais dois berços de atracação para permitir uma expansão planejada das instalações, dando condições para um crescimento das atividades do porto e dos seus níveis de competitividade. Uma vez concluída a implantação do complexo industrial e portuário, estima-se que a movimentação do Pecém saltará para 45,2 milhões de toneladas até 2016 e para 83,3 milhões de toneladas até 2020. As ações para garantir água aos projetos do agronegócio irrigado também são significativas.

 

O Ceará tem uma estrutura hídrica: de 18 bilhões de metros cúbicos de água, com 12 bacias hidrográficas e 500 açudes, dos quais 135 considerados estratégicos. Nos últimos sete anos, o Estado não economizou dinheiro para assegurar o abastecimento de água. Com apoio do governo federal, concluiu o Eixão das Águas, a maior obra de infraestrutura hídrica do Ceará, com 256 quilômetros de extensão, ao custo de R$ 1,4 bilhão. É um empreendimento que faz a transposição das águas do Açude Castão, do Açude de Orós e do rio Jaguaribe, na região do semiárido cearense, visando garantir água para 4,2 milhões de habitantes da região metropolitana de Fortaleza e para o complexo industrial e portuário do Pecém, mas que, ao longo de seu percurso, assegura água em abundância a pelo menos seis polos de produção irrigada, algo em torno de 200 mil hectares de áreas irrigáveis.

 

“O foco são os setores e produtos com maior mercado e melhor resposta econômica, como frutas, flores, hortaliças e leite”, diz Sérgio Baima, gerente de produtos e mercado da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece).O projeto conta com forte adesão dos empresários cearenses do agronegócio. É o caso dos pecuaristas leiteiros. Com um rebanho estimado de 2,7 milhões de cabeças, em cerca de 180 municípios, o Ceará produz em torno de 500 milhões de litros de leite, com um valor de produção, em 2012, de R$ 464,8 milhões. Só o polo de Quixeramobim conta com 49 agroindústrias de leite em 26 municípios. Para eles o projeto de produção de leite em áreas irrigadas é uma experiência exitosa.

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“O uso da irrigação para produção do capim que vai alimentar o gado aumentou nossa capacidade de produção de leite, hoje em torno de 20 mil litros por dia”, conta Luiz Girão, proprietário das Fazenda Flor da Serra, de Limoeiro do Norte, a 194 quilômetros de Fortaleza. A pastagem irrigada, através de pivôs rotacionados, é feita numa área de 1,3 mil hectares na região do Apodi cearense, e o leite é vendido à empresa de laticínio Betânia, também de propriedade de Girão.

 

As perspectivas são, igualmente, animadoras para os produtores de frutas, indica Carlos Prado, presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, dono da Itaueira Agropecuária, que produz melão e melancias em áreas irrigadas (2,4 mil hectares), no município de Aracati, às margens do Canal do Trabalhador. “Nossa produção atual é de 60 mil toneladas por ano, mas se as condições favoráveis de irrigação forem mantidas, poderemos avançar e aumentar a produção”, diz ele.

 

Fonte: Jornal Valor Econômico.


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