Apresentação do Zoneamento agroecológico

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Zoneamento agroecológico é apresentado como instrumento de ordenamento territorial.

 

O zoneamento agroecológico (ZAE) pode ser, de fato, um instrumento de ordenamento territorial e ter suas diretrizes aplicadas em modelos de mudança de uso da terra? Esse foi o tema estudado por Sandro Pereira, analista Geoprocessamento, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) em seu trabalho de doutorado, orientado pela pesquisadora Margareth Simões da Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ).

 

Pereira explica que realizou uma análise estratégica do zoneamento agroecológico como instrumento de ordenamento territorial e sua aplicação em modelos de mudança de uso e cobertura da terra com o objetivo de elaborar uma ferramenta de análise estratégica baseado em prospectiva estratégica e também avaliou a aplicação das diretrizes do ZAE em modelos de mudança de uso e de cobertura da terra.

 

Pereira enfatiza que sim, o zoneamento agroecológico pode ser um instrumento efetivo de ordenamento territorial setorial rural e que as suas diretrizes e suas orientações técnicas podem compor os fatores exploratórios da modelagem de mudança de uso e de cobertura da terra.

 

No Brasil, via de regra, utiliza-se o zoneamento ecológico econômico como um instrumento de ordenamento territorial, enquanto o zoneamento agroecológico é aplicado com o objetivo de fornecer subsídios para o planejamento do uso agrícola das terras, limitando-se, grosso modo, à indicação de sistemas agrícolas e agropecuários potenciais e sustentáveis em relação ao clima e ao solo.

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Conforme Pereira, “um zoneamento agroecológico que fomentou políticas de ordenamento territorial setorial rural foi o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar, de 2009, ordenando a expansão da área plantada com essa cultura”. Esta tese discute as diferenças de método na elaboração de suas diretrizes e de suas orientações técnicas que inseriram as dimensões sociais e políticas nos estudos e que fizeram esse zoneamento extrapolar sua aplicação de indicativo de áreas potenciais para fomentar políticas públicas de ordenamento territorial para o setor agrícola.

 

Em um segundo momento, elaborou-se um estudo da aplicação das diretrizes e das orientações técnicas do zoneamento como parâmetros para a modelagem de uso e cobertura da terra.

 

Observou-se a correlação das variáveis advindas do zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar com os usos e coberturas da terra de 2003 e de 2009 para os estados de Goiás e de São Paulo e aplicou-se o modelo CLUE-S no estado de Goiás de 2003 a 2009 (validação do modelo) e de 2009 a 2025 (aplicação do modelo – simulação) para verificar a viabilidade do uso dessas variáveis no processo de modelagem, o que mostrou ser viável a aplicação das diretrizes dos zoneamentos agroecológico em modelos de mudança de uso e cobertura da terra.

 

O CLUE-S é um programa para modelar a mudança de uso e cobertura da terra e simular situações futuras.

 

Esse estudo permitiu concluir que o zoneamento agroecológico pode ser utilizado como um instrumento efetivo de ordenamento territorial para setor rural se incluir as dimensões social e política nas etapas de definição das diretrizes, na validação das análises e na elaboração das orientações técnicas, ou seja, em todas as fases do zoneamento. Permite concluir também que as diretrizes, as orientações técnicas e demais informações conseguidas durante a elaboração do zoneamento são de aplicação potencial em modelos de mudança de uso e cobertura da terra.

 

Pereira defendeu a tese em 23 de agosto de 2013, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente – Doutorado Multidisciplinar.

 

Fonte: Embrapa Meio Ambiente.


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