Do cerrado brasileiro para a savana africana

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De volta ao básico da Agronomia. É assim que o pesquisador César Miranda, da Embrapa Agroenergia, está encarando seu próximo desafio na Embrapa: assumir a coordenação técnica dos trabalhos da Empresa na região de Moçambique conhecida como Corredor de Nacala. Ele viaja nos próximos dias para a cidade de Nampula e lá deve permanecer por dois anos, à frente da cooperação técnica que envolve Brasil e Japão, em programa para desenvolvimento agrícola da região capitaneado pelo governo moçambicano.

 

A iniciativa, que já está no terceiro ano, foi firmada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores. A Embrapa, por meio da Secretaria de Relações Internacionais (SRI), atua como executora das ações de pesquisa junto ao principal centro de pesquisa local, o Instituto de Investigação Agrícola de Moçambique (IIAM). São três projetos em andamento.

 

O primeiro visa a estruturar e dar apoio de logística e gestão ao IIAM. Um segundo projeto tem como foco a segurança alimentar da população e faz experimentações com hortaliças, especialmente em área próxima à capital, Maputo. O terceiro é o Pró-Savana, no qual Miranda atuará mais diretamente, com pesquisa para a produção de alimentos e excedentes exportáveis no Corredor de Nacala.

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Essa região está entre os paralelos 7 e 13, assim como os campos brasileiros de cerrado nos estados de Goiás e Mato Grosso. “As condições locais de solo e clima favorecem a adaptação das técnicas agrícolas que já existem no Brasil”, explica Miranda.

 

Na província de Nampula, a área agricultável está estimada em 4,6 milhões de hectares, dos quais apenas 30% são explorados atualmente. Também nesta província está o porto de Nacala, considerado o melhor de águas profundas da África Oriental, o que favorece o escoamento da produção.

 

Todo esse potencial, no entanto, ainda não é aproveitado. Miranda conta que a agricultura da região é composta basicamente por algodão, milho e mandioca, sendo os dois últimos a base da alimentação da população local. No entanto, os produtores não fazem preparo de solo, adubação, controle de pragas e doenças, tampouco adotam as técnicas de plantio adequadas. Para piorar a situação, como Moçambique não produz sementes, acabam utilizando materiais provenientes de países de clima temperado, que não produzem bem em regiões quentes e secas.

 

O resultado é uma produtividade baixíssima, o que obriga os moçambicanos a importar alimentos. Estimativas apontam que no país, que tem o quarto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, 38% dos agricultores familiares estão em situação de insegurança alimentar.

 

Na expectativa de ajudar a mudar esse cenário, a Embrapa está testando no Corredor de Nacala, em conjunto com o IIAM e em apoio à política externa brasileira, diversas tecnologias desenvolvidas para regiões com características semelhantes.

 

Os primeiros resultados nos campos experimentais de Nampula e Lichinga são animadores. O próximo plantio está agendado para dezembro, quando uma missão da Embrapa passará cerca de uma semana no local. Depois, os experimentos serão acompanhados por Miranda e a equipe do IIAM.

 

Fonte: Embrapa Agroenergia.


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