O leite não vem da caixinha
Projeto leva crianças a fazendas para conhecerem origem de produtos.
Você provavelmente deve saber que o leite não vem da caixinha e que mandioca não é uma fruta, mas isso é novidade para parte das crianças das escolas privadas e públicas de Mato Grosso. As descobertas sobre as origens dos produtos foram feitas durante visitas a propriedades rurais do estado, que são as atrações principais do projeto Filhos no Campo, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do estado (Senar/MT) em parceria com os sindicatos rurais e as próprias escolas.
A ideia nasceu no Sindicato Rural de Matupá, cidade localizada ao norte do Mato Grosso, e acabou virando um programa especial contínuo do Senar/MT. O projeto começou em 2012 e consolidou-se em 2013, quando terminará o ano levando mais de 3600 crianças de 90 escolas diferentes para visitar fazendas de agricultura e pecuária e aprender sobre as principais profissões ligadas ao campo, como a agronomia, a medicina veterinária e a zootecnia.
Nos dias de campo, as crianças são recebidas por instrutores especificamente treinados e visitam as instalações das propriedades rurais, dentre elas o curral onde as vacas de leite são ordenhadas, e as lavouras das principais culturas, como o milho. Durante as visitas, além de conhecer as áreas de produção, os alunos recebem constantemente informações sobre as matérias-primas que saem das fazendas para compor diversos itens essenciais do dia-a-dia, que vão muito além das refeições.
“A gente instrui os nossos profissionais a levarem materiais didáticos, com fotografias, para ilustrar na hora de descanso do almoço, por exemplo, que o edredom que os pequenos usam para dormir é feito com algodão, que vem do campo, e a cama é feita com madeira do cultivo de árvores”, explica Garibaldi Toledo de Moraes Júnior, analista do Senar/MT.
Garibaldi destaca que um dos fatos mais inusitados que ocorreu nas visitas foi quando um aluno disse que queria ver uma mandioca pendurada. “Como se fosse uma manga”, lembra o analista do Senar. “Ele não sabia que era uma raiz, mas pudemos mostrar o que é um pé de mandioca e que a parte que consumimos está embaixo da terra”, completa Moraes Júnior.
As fazendas que recebem as visitas do projeto são selecionadas após passarem por avaliação dos instrutores, que se certificam de que não há riscos para as crianças. Assim aconteceu com Fazenda Olho D’Água, de Getúlio Vilela, que foi uma das credenciadas para receber as turmas do projeto Filhos no Campo.
Além de não oferecer perigos, a propriedade investe na organização dos processos produtivos e trabalha com alta tecnologia na criação de gado de elite da raça Gir Leiteiro. Foi nesta propriedade que as dúvidas sobre a origem do leite vendido no supermercado foram respondidas.
Na ocasião, muitas das crianças viram pela primeira vez uma vaca e tiveram a oportunidade de ordenhá-la para não restar dúvidas sobre onde é produzido o leite. “É mais do que eu imaginava. Achava que o leite era algo artificial feito na fábrica, fiquei mais feliz em saber que é natural”, comentou a estudante do 6º ano da Escola Municipal Professor Firmo José Rodrigues (Cuiabá/MT), Camila da Silva Santos, de 11 anos, em depoimento concedido à assessoria de imprensa do Senar/MT.
Perspectivas para o mercado de trabalho
Embora o objetivo do projeto Filhos no Campo seja melhorar a imagem do produtor rural mostrando seu cotidiano para as crianças de 7 a 12 anos que vivem em zonas urbanas, os resultados vão além do esperado.
“O conhecimento sobre a realidade das fazendas abre uma nova perspectiva para as crianças”, diz a assessora pedagógica Andreia Foratto, que trabalha na Coordenadoria de Programas e Projetos da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá. Foratto conta que, após os dias de campo, os alunos comentam que querem ter uma fazenda para produzir alimento ou se formar em alguma profissão relacionada à agropecuária, como medicina veterinária.
Em Cuiabá, 10 escolas participaram do projeto em 2012 e mais 80 serão contempladas pelo Filhos no Campo até o fim de 2013. Além da capital, as demais escolas selecionadas estão localizadas nos 29 municípios com maior população urbana do estado, já que seus estudantes, em tese, têm mais dificuldade para conhecer a produção agropecuária de perto.
No Brasil, em meados da década de 60, a população urbana tornou-se maior que a rural no pela primeira vez. Desde então, a distância entre as duas vem aumentando. Segundo dados do IBGE de 2000, 2.093 municípios (38% de todo o Brasil) tem população rural maior que a urbana, enquanto o inverso acontece em 3.414 cidades, ou 62%. Atualmente, 15,64% da população brasileira vivem na zona rural, enquanto 84,36% vivem na zona urbana, revelam dados do IBGE apurados no Censo de 2010.
Embora o objetivo do projeto Filhos no Campo seja melhorar a imagem do produtor rural mostrando seu cotidiano para as crianças de 7 a 12 anos que vivem em zonas urbanas, os resultados vão além do esperado. “O conhecimento sobre a realidade das fazendas abre uma nova perspectiva para as crianças”, diz a assessora pedagógica Andreia Foratto, que trabalha na Coordenadoria de Programas e Projetos da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá. Foratto conta que, após os dias de campo, os alunos comentam que querem ter uma fazenda para produzir alimento ou se formar em alguma profissão relacionada à agropecuária, como medicina veterinária.
Em Cuiabá, 10 escolas participaram do projeto em 2012 e mais 80 serão contempladas pelo Filhos no Campo até o fim de 2013. Além da capital, as demais escolas selecionadas estão localizadas nos 29 municípios com maior população urbana do estado, já que seus estudantes, em tese, têm mais dificuldade para conhecer a produção agropecuária de perto.
No Brasil, em meados da década de 60, a população urbana tornou-se maior que a rural no pela primeira vez. Desde então, a distância entre as duas vem aumentando. Segundo dados do IBGE de 2000, 2.093 municípios (38% de todo o Brasil) tem população rural maior que a urbana, enquanto o inverso acontece em 3.414 cidades, ou 62%. Atualmente, 15,64% da população brasileira vivem na zona rural, enquanto 84,36% vivem na zona urbana, revelam dados do IBGE apurados no Censo de 2010.
Fonte: José Luiz Alves Neto.

