Ocupação agrícola do Corredor de Nacala

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Pesquisadores de Moçambique, da Embrapa e do Japão discutem avaliação integrada de impactos ambientais de uso e ocupação agrícola do Corredor de Nacala.

 

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) estiveram no Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Centro Zonal Nordeste, em Nampula, Moçambique, de 2 a 5 de setembro, para participar de reuniões com representantes da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica/Jirca) e do IIAM para harmonização das ações previstas nos planos técnicos das equipes parceiras do Programa ProSavana-PI, em especial no Corredor de Nacala.

 

Participaram da reunião os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente Ladislau Skorupa, Joel Queiroga e Ricardo Figueiredo e da Embrapa Solos (UEP Recife, PE) José Coelho de Araújo Filho.

 

Segundo Skorupa, coordenador da missão, o propósito do encontro foi de conhecer com detalhe os planos técnicos das equipes parceiras e também de identificar as informações existentes sobre o meio físico e biológico no Corredor de Nacala, que são de interesse comum e que podem ser compartilhadas. As ações previstas nos referidos planos técnicos visam subsidiar o Governo Moçambicano na formulação de políticas para o uso agrícola das terras ao longo do Corredor de Nacala. “Nesse sentido, um dos objetivos das ações é a proposição de um modelo de avaliação integrada de impactos ambientais potenciais sob diversos cenários de uso e ocupação agrícola do Corredor”, diz Skorupa.

 

As similaridades identificadas quanto ao clima, solos e vegetação com regiões do cerrado e do semiárido brasileiros criam expectativas sobre a possibilidade de aprimorar a produção agropecuária a partir da experiência brasileira, incluindo o uso de tecnologias agrícolas sustentáveis, variedades e insumos básicos.

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Ao longo do Corredor há duas regiões com características ecológicas distintas. Uma mais seca, onde predominam os cultivos de mandioca, milho, feijão macassar e como cultivo comercial o algodão e a castanha de caju. A outra nas terras altas com maior ocorrência de chuvas, também com cultivos de mandioca, milho e feijão, e, como cultivo comercial, a soja e o gergelim. O arroz, importante cultura alimentar, é cultivado nas duas regiões, em sistemas tradicionais.

 

Apesar desse potencial, o desenvolvimento agrícola da região se depara com grandes desafios, além das questões socioculturais e econômicas, como a precariedade da infraestrutura de produção e institucional dos sistemas de pesquisa da região, armazenagem e distribuição de produtos da agricultura, ocupação desordenada das áreas agrícolas, com o uso inadequado de tecnologias de manejo de solos, água e da biodiversidade.

 

As ações previstas nos planos técnicos brasileiros incluem a avaliação de fitofisionomias, estruturas e composição florística da vegetação no Corredor de Nacala, considerando-se tanto os ecossistemas naturais quanto os agroecossistemas existentes e seus variados sistemas de produção, incluindo os componentes nativos e exóticos, domesticados ou semidomesticados, o levantamento da fauna entomológica e acarológica, em especial nas áreas dos sistemas de produção, tanto nos tradicionais como naqueles que já incorporam inovações tecnológicas, com estudos dos organismos benéficos e os com potencial para tornarem-se pragas agrícolas, a avaliação do impacto ambiental da agricultura sobre os recursos hídricos, incluindo as águas superficiais e subterrâneas, onde serão monitoradas as variações na qualidade de água, a presença de resíduos de pesticidas e a integridade biótica de ecossistemas fluviais de microbacias em áreas representativas, o levantamentos e avaliação da qualidade do solo em áreas representativas do Corredor de Nacala.

 

Para Skorupa foi importante apresentar as atividades da equipe brasileira e conhecer as propostas da parte japonesa para realização de atividades integradas. “Foram identificadas similaridades em nossas propostas, contudo são atividades que se diferenciam em critérios e escala de investigação e que apresentam complementariedades”.

 

Figueiredo, responsável pelo componente Água, ponderou que foi discutida a situação real do Corredor de Nacala, em termos ambientais e agrícolas e que as reuniões proporcionaram uma definição mais clara da responsabilidade de cada um dos pesquisadores moçambicanos, japoneses e brasileiros.

 

Conforme Queiroga, responsável pelas ações envolvendo a agregação de informações e avaliação integrada dos impactos socioambientais, “foi muito interessante essa harmonização de informações especialmente para os moçambicanos já que, na verdade, o projeto é deles, somos parceiros”.

 

Os próximos passos previstos envolvem a capacitação dos parceiros moçambicanos. Essa capacitação visa o treinamento em metodologias de laboratório e campo necessárias para a execução das atividades previstas para os próximos três anos.

 

Fonte: Embrapa Meio Ambiente.


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