Os novos preços da soja vêm para ficar?

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Adelson Gasparin O mês de julho em especial a última quinzena, registrou forte pressão nas principais bolsas de commodities mundiais. Inicialmente operando em sequências de altas, a soja, que chegou a ser negociada a U$ 15,20/bushel em meados de julho na Bolsa de Chicago encerrou o mês na casa de U$ 13,40.

 

Para os produtores brasileiros, uma redução de aproximadamente R$ 8,00/saca. Vários fatores foram contribuídores para este reposicionamento dos agentes na bolsa, como já citados no último artigo. Entretanto, a leitura do mercado ainda tem se baseado nestas variáveis. Melhores condições climáticas nas lavouras dos EUA, recuo dos compradores chineses na bolsa, aversão ao risco dos fundos e chineses tecnicamente abastecidos até a entrada da colheita norte-americana.

 

No Brasil, as atenções dos produtores estiveram voltadas ao dólar, que na contramão dos analistas financeiros e do governo encerrou o mês com valorização de 3%, na casa de R$ 2,30. Desta vez a valorização se deu em maior parte pelo mau humor do mercado financeiro externo, o que gerou um movimento de recompra de dólares ao redor do mundo por parte dos agentes e, consequentemente, alta da moeda norte-americana frente a uma cesta de moedas.

 

Entretanto, o aumento do dólar neste momento prejudica a maioria dos produtores, já que pouco auxilia no preço da soja, uma vez que a janela de exportação da oleaginosa já caminha para o encerramento de embarques e estimula a novas altas no preço dos insumos. Neste contesto, a pergunta que mais ouvimos dos clientes nos últimos dias quando o assunto é soja, é se os preços agora praticados assumiram de fato um novo patamar.

 

A resposta a esse questionamento converge ao pensamento de cada analista de mercado, obviamente, ao passo que o mercado não é lógico, não é exato e é constituído de pessoas com culturas, sentimentos, graus de instrução e informação e interesses diferentes. Do contrário não haveria mercado, não haveria interessados em comprar e vender ao mesmo tempo.

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Partindo deste ponto, há analistas que baseados no quadro de oferta mundial da próxima safra, sugerem a cotação da oleaginosa ainda mais próxima de U$ 11,00/ bushel, enquanto outros, do lado da demanda, acreditam em negócios sustentados à linha de U$ 13,00 até o final do ano. Como disse, as opiniões são distintas. Mesmo assim, ambas as opiniões já não falam mais em U$ 15,00, U$ 17,00/bushel, como vimos no primeiro semestre. Há também a opinião comum de que a safra 2013/2014 poderá ser superavitária em relação ao quadro de oferta e demanda mundial.

 

A menos que São Pedro não concorde, o produtor norte-americano, argentino e brasileiro esta fazendo e fará sua parte aumentando áreas e investindo em tecnologias. Ao produtor brasileiro, a observação a se fazer, é que é preciso estar atento daqui para frente aos movimentos rápidos de repiques positivos em Chicago.

 

E mais importante que isso, estar de olho afinado nas travas de custos de produção. No centro-oeste do país, por exemplo, o custo de produção, somado à logística para entregar o produto no porto de Santos, já chega a U$ 12,50/bushel para a próxima safra. O momento para vender bem agora está mais vinculado à trava de um bom custo de produção do que propriamente os movimentos da bolsa.

 

Fonte: Agroinvvesti.


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