Condenação Meritória e Omissão Nefasta
Entidades brasileiras exigiram a imediata e enérgica ação do governo no combate aos incêndios florestais que acontecem em menos de 2% das áreas que podem ou são destinadas a produção agropecuária, a maioria ocupada por invasores e grileiros, devido a falta de regularização da posse pelo poder público, na Amazônia.
A maioria dessas mesmas entidades se omitiu sobre o que acontece em 98% das áreas restantes, que cumprem um dos códigos florestais mais restritivos do mundo e preservam, em média, 50% das áreas das propriedades (no mínimo 20% no sul e 80% na Amazônia), ou 218,2 milhões de hectares ou 25,6% de todo o território brasileiro. Esses produtores mantém a posse, mas perderam o direito de uso, por enquanto em troca de quase nada em termos receita econômica e de imagem. E são os maiores preservacionistas da vegetação nativa do planeta. Atualmente também os mais agredidos por vários brasileiros e quase todos os estrangeiros.
Omitiram que 86% da área da Amazônia e 66,3% do território brasileiro mantém a cobertura vegetal nativa preservada, o que não existe em nenhum dos países que nos acusam de devastadores florestais ambientais.
Omitiram o fato que nenhum país desenvolvido menciona uma linha sequer sobre a necessidade da reposição florestal do que destruíram há séculos, em seus atuais planos de sustentabilidade ambiental. Eles abordam apenas a urgente necessidade de mudança na matriz energética e nos veículos automotores. E nesse aspecto, nossas entidades também omitiram que a atual composição da matriz energética brasileira é uma das menos poluentes e mais sustentáveis, na comparação entre os países.
Esqueceram que todas essas campanhas internacionais difamatórias escondem uma luta econômica de combate ao agro brasileiro, devido a sua alta competitividade e a previsão de crescimento da oferta mundial de alimentos superior a demanda, nos próximos anos, com a consequente queda dos preços internacionais de quase todos os produtos agropecuários. E que a América Latina e principalmente o Brasil serão os maiores responsáveis pelo aumento dessa produção e das exportações do agronegócio mundial. Tudo isso acontecendo fruto do trabalho e das tecnologias empregadas pelos nossos produtores, que também são os menos subsidiados do mundo.
Esqueceram que a omissão de todos esses fatos torna os meritórios documentos entregues ao governo, sobre a urgente e correta necessidade de erradicar o que está errado em 2% das áreas, nas melhores e mais poderosas armas usadas pelas entidades internacionais para combaterem o agronegócio brasileiro.
E que fique totalmente claro: não estou defendendo ou acusando o governo e nem as entidades ou as pessoas que se manifestaram publicamente sobre esse assunto. E nem analisando as lutas pelo poder e a total divisão da sociedade brasileira sobre qualquer posição econômica, política, social, cultural ou ambiental, que estão destruindo o nosso desenvolvimento desde os anos 80. Estou apenas defendendo minha família que também produz no Mato Grosso e no Pará, respeita toda a legislação ambiental, teve as propriedades visitadas por altas autoridades americanas e de outros países, e se sente ofendida, como a enorme maioria das demais, pela nefasta omissão sobre o que acontece na quase totalidade das propriedades agropecuárias do país. E essa omissão também é responsável pela rápida desconstrução da nossa verdadeira imagem, que os competidores internacionais e alguns brasileiros subservientes querem a todo custo destruir.

