Não é novidade para ninguém que essa explosão nos preços do boi gordo em tão pouco tempo deixou todo mundo sem referência de preços e sem saber o que é caro ou barato no mercado atual. Toda a cadeia pecuária está com os preços bagunçados, desde reposição, animais prontos, carne, subprodutos e qualquer outro item ligado ao valor da arroba segue oscilando em busca do novo ponto de equilíbrio.

No curto prazo, a chamada “tempestade perfeita” se instalou no mercado, com o final da entressafra e menor oferta dos confinamentos, atraso das chuvas nas regiões produtoras e o enorme aumento das exportações para a China balizando os preços para cima. É de se esperar que essa situação persista ainda em pelo menos uma parte de dezembro, porém, isso não vai durar para sempre. O sinal emitido pela alta forte dos preços sempre é captado pelo mercado que reage e se ajusta, aumentando a produção para “rebalancear” a equação. A questão não é “se” isso irá acontecer, mas sim “quando” seu impacto será sentido.

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O impacto da puxada dos preços no mercado físico foi muito mais relevante nos vencimentos mais curtos do que nos mais longos e isso acabou desarbitrando toda a curva de preços para 2020. Por exemplo, temos hoje out/20 três reais abaixo do jan/20; fev/20 seis reais abaixo de jan/20 ; mar/20 cinco reais abaixo de jan/20 e assim por diante. Será que esse deságio é o que melhor descreve a expectativa do mercado, ou será que esse fator é apenas devido à falta de liquidez nos vencimentos mais longos e, portanto, seria uma ótima oportunidade de realizar spread vendendo contratos de janeiro e comprando os vencimentos mais longos?

Cravar qual será o novo patamar de preços vigente para 2020 é impossível, mas independentemente de onde o mercado se estabilizar, acredito ser pouco provável que existam grandes deságios como o precificado atualmente pelo mercado futuro para 2020. Safra com reposição firme e boa capacidade de suporte das pastagens “orna” muito mais com poucas quedas mês a mês do que com as quedas abruptas apontadas pelo mercado atualmente. Para quem concordar com esse cenário, uma boa oportunidade seria fazer spread vendendo janeiro e comprando fevereiro ou março para apostar que esse diferencial feche em 2020.

Fonte: Scot Consultoria. Por: Leandro Bovo.

Otavio Culler

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