IATF: a ferramenta mais versátil para o melhoramento.

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IATF: a ferramenta ideal para o melhoramento genético do seu rebanho

 Marcelo Valente Selistre Médico Veterinário – Técnico Europeu Corte da PECPLAN ABS Imp. E Exp. Ltda. mselistre@absnet.com.br

 

Hoje estamos vivendo um bom momento na pecuária de corte, a valorização do gado está dando um novo ânimo aos produtores, viabilizando o uso de tecnologias na sua criação. Fica mais fácil e necessário investir quando o setor está em crescimento. No gado de cria, não podemos esquecer que a função da vaca é produzir um bom terneiro por ano. E para ser bom, é necessário investir no melhoramento genético. A eficiência do gado de cria depende da taxa de terneiros nascidos e desmamados, ou melhor, kg de terneiro produzido por hectare. A nossa proposta é melhorar essa eficiência através da INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM TEMPO FIXO (IATF).   

Aumente sua eficiência de produção, é a melhor maneira de reduzir custo! A IATF é uma técnica que veio para ficar. Cada vez mais no mundo inteiro, as inseminações estão sendo realizadas em tempo fixo, ou seja, realizasse um protocolo hormonal em um lote de vacas e insemina-se sem a observação de cio. É muito claro entender o porquê, em qualquer atividade hoje em dia é uma necessidade aumentar a eficiência produtiva e otimizar o uso do tempo. Daí o desenvolvimento desta técnica. É um desejo de todo o produtor de gado de cria utilizar a melhor genética disponível no seu rebanho, e a inseminação artificial é a principal ferramenta para atingir este objetivo. O desafio é conseguir inseminar todas as categorias de vacas. Considerando vacas em boa condição sanitária e nutricional, bom escore corporal, aptas à reprodução, o principal fator limitante da inseminação artificial é a observação de cio, principalmente em vacas com cria ao pé, seja pelo manejo que a inseminação artificial convencional exige, de parar rodeio todos os dias pela manhã e a tarde e até mesmo pela baixa manifestação de cio dessa categoria. Sem falar da dificuldade que passamos com a mão-de-obra, cada vez mais difícil.

            A IATF permite a inseminação de todas as categorias de fêmeas bovinas, desde que estejam aptas à reprodução. O gado com cria ao pé é a principal categoria que devemos investir em melhoramento gené- tico, aquelas vacas que repetem cria todo o ano, que desmamam os melhores terneiros, que são adaptadas ao meio, são as que merecem a melhor genética. Assim, além das vantagens da inseminação artificial convencional, como utilizar touros provados, evitar a transmissão de doenças por monta natural, entre outras, com a IATF você pode concentrar e adiantar a parição, padronizar a terneirada com maior peso ao desmame e com isto aumentar sua produtividade. Vantagens da IATF:

• Inseminação com dia e hora marcados

 • Eliminação da detec- ção de cio

 • Inseminação de vá- rias vacas por dia

 • Inseminação de vacas com cria ao pé

• Indução de ciclicidade em vacas em anestro

• Redução no intervalo entre partos

 • Possibilidade de altas taxas de prenhez no início da estação de monta

 • Atingir o objetivo de obter 1 bom terneiro/vaca/ano

 Os resultados médios que têm se obtido, são considerados satisfatórios. A taxa de prenhez média, em todo o mundo, com apenas uma inseminação, está entre 50 a 55%. É claro que existem resultados ruins, abaixo da média, mas estes devem ser analisados com cuidado para identificar alguma falha no uso desta tecnologia. Por outro lado, temos resultados excelentes de até 65% ou mais de prenhez. Mas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANGUS – ANUÁRIO 2007/2008 C O N S E L H O T É C N I C O 196 não devemos parar por aí, o repasse do cio dessas vacas é muito importante, seja com observação de cio e IA convencional, monta natural ou até mesmo com uma segunda IATF, com a ajuda do ultrassom para diagnóstico precoce de gestação. Daí os índices melhoram muito. Em propriedades com uma taxa de prenhez média de 50 a 60%, com a IATF, podem chegar a 70- 80%. E naquelas que possuem bons números, entre 80 a 90%, tem a possibilidade de ter mais prenhezes de inseminação e/ou encurtar o tempo de inseminação e monta. As linhas de pesquisa, na intenção de obterem melhores resultados e viabilizar a técnica, buscam identificar e atender as necessidades dos produtores em relação à IATF, que deve ser:

• Eficiente: Obviamente, devemos buscar a maior taxa de prenhez possível. Assim, devemos adequar os protocolos de acordo com cada propriedade, com a categoria de fêmeas, condição corporal das vacas, mão-de-obra e instalações disponíveis.

 • De fácil aplicação: Referindo-se principalmente aos implantes de progesterona, os produtos devem ser fáceis de aplicar, de manusear, de higienizar. Com a popularização da técnica, não só veterinários estão aplicando os produtos, várias pessoas estão sendo treinadas para aplicá-los, assim quanto mais simples a aplicação, menor chance de erros. Porém, um programa de IATF nunca deve ser iniciado sem a orientação e supervisão de um Médico Veterinário.

 • Menos manejo possível com as vacas: Normalmente são necessárias 4 passagens dos animais pelo brete, porém, quanto menos vezes passarmos as vacas na mangueira, melhor, menos estresse dos animais, menos mão-de-obra e mais tempo para outras atividades. Inclusive para os prestadores de serviço que montam e agendam programas de IATF, podem atender mais propriedades, porque a época de inseminação é a mesma para todos.

• Ter a melhor relação custo/benefício, claro que quanto menor o custo por prenhez, melhor, mas nunca esqueça de usar produtos de qualidade, como diz o ditado: “às vezes, o barato sai caro…”. Quanto à reutilização dos implantes, sem dúvida, o ideal seria usá-lo apenas uma vez, mas esta é uma maneira de otimizar o valor unitário do produto. É importante levar em conta que o índice de perda dos implantes, que não deve ser maior do que 2%. Outra conta a ser feita é que tem protocolos com a indicação de hormônios folículo estimulantes (FSH, eCG), que aumentam o custo por vaca, mas garantem maior eficiência de acordo com a categoria trabalhada.

Alguns casos de fracassos na IATF tentam condenar a técnica, mas certamente alguma etapa não foi bem coordenada, desde a seleção das vacas, aplicação dos hormônios, protocolo utilizado, sêmen, descongelamento do sêmen, manejo nas mangueiras até mesmo o próprio inseminador. Por isso a supervisão de um Médico Veterinário é essencial. Em contrapartida, a IATF cresce no mundo todo, quem faz em um ano, volta a fazê-lo, normalmente aumentando a quantidade de vacas inseminadas. Até mesmo aqueles que não obtiveram o resultado esperado, procuram identificar fatores que possam ter atrapalhado e voltam a realizar a Inseminação Artificial em Tempo Fixo novamente. Isso comprova que a técnica veio para ficar. O mercado é promissor. O Brasil tem muito mais potencial para produzir e nós temos como produzir a carne que o mundo pede. O Programa Carne Angus e o Terneiro Certificado Angus são uma realidade. Sem sombra de dúvidas, a IATF é um dos caminhos para a expansão da raça Angus no país.

 

     


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