Inseminação artificial para o aumento da produção
A inseminação artificial em bovinos é uma biotecnologia amplamente conhecida e utilizada mundialmente. O principal objetivo da técnica é aumentar a qualidade genética do rebanho por meio da seleção de animais de interesse, que garantam ao produtor maior produção de leite e carne. Esta tecnologia promove o melhoramento genético do rebanho de forma mais rápida, simples e com baixo custo quando comparado a outras técnicas de melhoramento. A inseminação artificial consiste na deposição mecânica do sêmen de um gado selecionado no interior do útero de uma fêmea para fecunda-la.
No Brasil estima-se que mais de 8,2 milhões de dose de sêmen seja comercializada por ano. Ainda que tenha crescido muito nos últimos anos, a adesão à técnica da inseminação artificial pelos pecuaristas brasileiros é baixa, dado o tamanho do rebanho nacional. Estima-se que apenas 10% dos criadores brasileiros adotam a técnica, muito diferente do que ocorre em outros países, onde quase a totalidade dos rebanhos bovinos são inseminados artificialmente, tal como ocorre na Dinamarca, onde quase 100% do rebanho é inseminado artificialmente e nos EUA com 90% de seu rebanho. Um dos possíveis motivos da não utilização desta técnica pelos produtores é o desconhecimento de todos os benefícios e custos envolvidos, que inclui a compra de matérias e a estruturação do local.
O Brasil produz aproximadamente de 61,8% do sêmen utilizado na inseminação artificial dos bovinos, mas ainda boa parte deste material é importado. Entre as principais raças de bovinos de corte que mais possuem o sêmen comercializado no país, o Nelore lidera com aproximadamente 43,7% das vendas, seguido das raças Angus (14,58%) e Red Angus (10,63%). O predomínio do Nelore nas vendas de sêmen é justificado pela maior adaptabilidade do animal, que compõe os maiores rebanhos brasileiros. Já entre os bovinos leiteiros, a raça Holandês predomina a comercialização do sêmen, com 55,62%% comercializado no país.
São inúmeras as vantagens estabelecidas pela inseminação artificial em bovinos, sendo a principal delas o melhoramento genético do rebanho em curto tempo. O melhoramento genético se dá através da seleção do sêmen de animas com características superiores aos demais quanto ao desempenho na produção de carne e leite. A seleção dos bovinos de interesse faz parte do processo de melhoramento genético que visa aumentar a frequência gênica destes animais e desta forma padroniza-los de acordo com o atributo desejado.
Outra vantagem da inseminação artificial é o aumento no número de descendentes de um mesmo touro, por meio da monta natural um touro, durante seu período de vida, teria em média 650 descendentes e com o advento da inseminação artificial este número chega aos 100.000 descendentes. A elevação do número de bezerros gerados se deve a difusão do sêmen do touro, que permite a inseminação de até 20.000 fêmeas por ano. A utilização de um único touro também gera homogeneidade do rebanho, ou seja, um rebanho com as mesmas características físicas, o que beneficia o processo produtivo.
A inseminação artificial limita a incidência de doenças sexualmente transmissíveis, pois não ocorre o contato entre os animais, além de evitar acidentes que podem ocorrer na monta natural. Também permite que animais, que por algum motivo, não consigam realizar a monta natural, em especial os de alto valor comercial, possam ser utilizados para reprodução, garantindo menor custo por concepção, pois o número de fêmeas que concebem filhotes é alta.
Além disso, a inseminação artificial permite a escolha do sexo dos bezerros com segurança superior a 90%, por meio do sêmen sexado. Este atributo permite que o produtor planeje a quantidade de machos e fêmeas do rebanho de acordo com a necessidade produtiva. A técnica é baseada na separação dos espermatozoides com cromossomo x (fêmea) e y (macho).
O produtor que tem interesse em implementar o programa de inseminação artificial no seu rebanho deverá realizar um investimento na compra de materiais necessário para execução da inseminação como, botijão de sêmen, termômetro, caixa de isopor e etc, e na manutenção da nutrição e sanidade de seu rebanho. Outro fator importante no programa de inseminação artificial é a mão de obra, os funcionários devem ser treinados e capacitados para execução das atividades envolvidas.
Um dos mais relevantes aspectos ligado ao manejo da reprodução e consequentemente a eficiência da inseminação artificial é a detecção do cio nas fêmeas. Visando otimizar o desempenho reprodutivo da inseminação artificial foi criado o IATF, Inseminação Artificial em Tempo Fixo, técnica que consiste no controle da ovulação por intermédio de hormônios (as prostaglandinas F2α, estrógenos e gonadotrofina). Este método dispensa a identificação do cio, resultando em 100% de eficácia nas matrizes inseminadas, por esta razão a IATF cresceu muito nos últimos, estimando-se um aumento de 80 vezes durante o período de 2002 a 2013.
Ainda que pouco adotada no Brasil, a inseminação artificial é uma excelente ferramenta para os bovinocultores devido aos inúmeros benefícios, entre eles o de tornar mais eficiente à reprodução dos bovinos, diminuindo os custos econômicos e atribuir qualidade ao rebanho por meio do melhoramento genético em curto prazo.

