Embrapa avança em pesquisas de melhoramento do feijão-c
Embrapa avança em pesquisas de melhoramento do feijão-caupi
Programa de melhoramento visa expandir a cultura do feijão nos demais estados brasileiros
Há quase 25 anos, a Embrapa Meio-Norte (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Meio-Norte) vem desenvolvendo pesquisas, avanço tecnológico e conhecimento científico no Estado do Piauí. E a principal frente de pesquisa da unidade é o melhoramento genético do feijão-caupi, conhecido também como feijão-de-corda ou feijão-macassar.
A cultura é originária da África, chegou ao Brasil através dos portugueses, no Século XVI, foi plantado inicialmente na Bahia, e posteriormente disseminado por toda região Nordeste e demais regiões do País. O alimento, rico em proteína, minerais e fibras, constitui-se num componente básico para alimentação das populações rurais e urbanas da região Norte e Nordeste.
E para expandir essa cultura em nos demais estados brasileiros, a Embrapa desenvolveu um programa de melhoramento do feijão-caupi no Piauí. O projeto é referência nas regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste do País e sua expansão gradativa deve-se às inúmeras pesquisas realizadas na Embrapa Meio-Norte. A única região do Brasil que a unidade ainda não atua fortemente é no Sul, devido às funções climáticas que não são propícias para o cultivo do feijão-caupi, que necessita de um clima tropical e quente.
O pesquisador e agrônomo da Embrapa, Maurisrael Rocha, explicou que a essa evolução da pesquisa surgiu por causa da demanda por soluções em cima de problemas que os agricultores, comerciantes e consumidores tinham. Ele contou que no início as pesquisas visavam melhorar a produtividade, vez que essa era a grande demanda dos produtores.
“Mas depois víamos que a forma como estava sendo trabalhada pelo agricultor não dava impacto muito grande, pois as vezes ele demandava um problema, mas o comerciante tinha outro e o consumidor, que é nosso grande foco, tinha outro. Hoje nós trabalhamos em cima de vá- rias demandas, como a produtividade, que é o aumento de produção e a demanda é muito grande por parte dos agricultores, e depois veio a demanda dos comerciantes. Antes o feijão-caupi era comercializado apenas nas feiras e não se via ele numa prateleira de supermercado ou processado, em latas ou caixinhas. E isso foi possível através de pesquisas”, explica Maurisrael.
Assistência aos agricultores
Devido a maior visibilidade da cultura, muitos produtores estão curiosos em saber mais sobre o feijão- -caupi. Com isso, a Embrapa assessora gratuita, através do SAC, os interessados, que podem enviar dúvidas sobre o plantio, como conseguir sementes, comportamento do mercado, entre outros.
“Muitos têm medo de plantar e não ter onde comercializar, mas temos um mapeamento dos mercados, então indicamos para eles os melhores mercados e locais. Paralelo a isso, é feito um trabalho de transferência, ou seja, são levadas as tecnologias em forma de eventos, feiras agropecuárias, como forma de mostrar os avanços da pesquisa. Para conseguir o grão, o produtor deve buscar a Embrapa (escritórios e unidades) e o escritório do feijão-caupi fica localizado em Petrolina (PE), mas também há cadastro um do Ministério da Agricultura, de produtores de sementes, e essas pessoas interessadas podem ligar que nós indicamos o mais próximo”, finalizou Maurisrael Rocha, pesquisador da Embrapa Meio-Norte.
Melhoramento genético
O feijão-caupi pode ser encontrado pré-cozido, assim como o feijão carioca entre outros. Segundo Maurisrael Rocha, o grão está conseguindo alcançar outras formas de chegar ao consumidor, já que antes somente era comercializado à granel. A Embrapa está propondo pesquisas na área de processamento como forma de estimular o consumo, por isso a disponibilidade do produto em outras formas, no intuito de conquistas os consumidores do Sul e Sudeste do País.
“Hoje o consumidor não tem tempo para preparar seu alimento. Com isso, estamos desenvolvendo pesquisas que melhoram o tempo de cozimento do feijão, pois nas variedades mais antigas o tempo de cozimento chegava a mais de uma hora, e agora temos variedade, que lançamos recentemente, no qual seu tempo de cozimento é de no máximo 20 minutos. E tudo isso foi graças ao melhoramento genético”, disse.
Além da produção, na área da culinária, a Embrapa está melhorando a qualidade nutricional. A partir de algumas pesquisas realizadas na USP, ficou-se evidenciado que o feijão-caupi tem uma proteína (peptídeos) que é redutora do colesterol, ou seja, atual na circulação sanguínea e elimina o excesso de gordura, principalmente da má gordura (LDL). De acordo com o pesquisador, há inclusive um diferencial do feijão-caupi e do carioca, comprovando que o carioca não tem essa proteína e a capacidade de reduzir o colesterol.
Ele acrescentou que esse foi um dos motivos de debate em um congresso realizado no estado do Matogrosso, no início de junho deste ano, onde contou com a presença de especialistas até da África, onde o feijão–caupi tem uma importância significativa. Outra linha muito importante e voltada para o pequeno produtor é a questão da tolerância à seca.
Maurisrael Rocha relatou que nos dias atuais, por conta das mudanças climáticas e dos problemas de déficits hídricos, no qual as chuvas não são suficientes e má distribuídas, é preciso melhorar o feijão para que ele consiga tolerar esses problemas.
“O feijão-caupi por si só é uma espécie muito tolerante, vez que sua origem é da África, e por isso ele se adaptou muito bem na região Nordeste, por ser uma região semiárida. Estamos fazendo cruzamento entre variedades que toleram mais e obtendo cada vez mais grãos tolerantes à seca, o que traz um benefício muito grande aos agricultores, principalmente do semiárido, que não tem condi- ções de irrigar suas plantações e dependem totalmente das chuvas”, destacou.
Outro motivo de pesquisa da Embrapa é o zoneamento agroclimático do feijão-caupi. Esse zoneamento consegue descrever exatamente os locais mais propícios e os que tem maior risco. Para as regiões de maior risco, o mais indicado são feijões mais resistentes à seca. As regiões que tiverem menor risco podem ser plantadas variedades mais expansivas à tecnologia, como irrigação, adubação, outras práticas agrícolas, e isso ocorre mais na região do Cerrado, onde a agricultura está mais avançada.
Por: Isabela Lopes – Jornal O DIA
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