Controle químico de Bemisia tabaci na soja

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Controle químico de Bemisia tabaci (Gennadius) (Hemiptera: Aleyrodidae) na cultura da soja.

Introdução

A mosca-branca Bemisia tabaci (Gennadius) durante muito tempo foi considerada como praga ocasional no Brasil. Todavia, o biótipo B da espécie introduzido no início da década de 90, tem se tornando mais importante a cada safra (Lima & Lara, 2004). O biótipo B é considerado mais agressivo e virulento, pois se adapta com facilidade a novas plantas hospedeiras e a condições climáticas diversas (Villas-Boas et al., 1997).

Os danos provenientes do ataque da praga são ocasionados pela sucção de seiva e injeção de toxinas nas plantas (Vieira et al., 2012). Além disso, esse inseto pode causar danos indiretos, já que durante a alimentação a mosca-branca excreta substâncias açucaradas favorecendo o desenvolvimento do fungo pertencente ao gênero Capnodium (fumagina), o que diminui a capacidade fotossintética e outras funções fisiológicas da planta (Ferreira & Avidos, 1998).

A intensidade de ocorrência na cultura da soja é dependente dos sistemas de cultivos explorados na região, da presença de hospedeiros alternativos, especialmente durante o período de entressafra “ponte verde”, bem como das condições climáticas. Dessa forma, objetivou-se no presente trabalho, avaliar a eficiência dos principais produtos químicos utilizados na cultura da soja para controle da mosca-branca.

Materiais e Métodos

O experimento foi realizado no ano agrícola 2019/2020 no município de Primavera do Leste – MT, no Campo Experimental Ceres Consultoria Agronômica, utilizando a cultivar M 8372 IPRO semeada no dia 12 de novembro de 2019. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições.

Foram realizadas duas aplicações com intervalo de dez dias, quando se atingiu o nível médio de três ninfas por folíolo. Para as aplicações utilizou-se um pulverizador costal pressurizado a CO2, com pressão constante de 40 libras pol-² dotado de seis pontas de pulverização tipo leque 110.015, espaçadas em 0,50 m, totalizando uma faixa de aplicação de 3,0 m e volume de calda de 150 L ha-1.

Os tratamentos utilizados foram: Testemunha; Buprofezina (250,00 g i.a ha-1); Piriproxifen (25,00 g i.a ha-1); Ciantraniliprole (50,00 g i.a ha-1); Acetamiprido (25,00 g i.a ha-1) + Piriproxifen (25,00 g i.a ha-1); Abamectina (13,50 g i.a ha-1) + Ciantraniliprole (45,00 g i.a ha-1); Diafentiurom (300,00 g i.a ha-1); Dinotefuram (25,20 g i.a ha-1) + Lambda-Cialotrina (14,40 g i.a ha-1); Espiromesifeno (144,00 g i.a ha-1); Sulfoxaflor (96,00 g i.a ha-1); Tiametoxam (35,25 g i.a ha-1) + Lambda-Cialotrina (26,50 g i.a ha-1); Imidacloprido (87,50 g i.a ha-1) + Bifentrina (17,50 g i.a ha-1); Acetamiprido (62,50 g i.a ha-1) + Bifentrina (62,50 g i.a ha-1); Imidacloprido (75,00 g i.a ha-1) + Beta-Ciflutrina (9,37 g i.a ha-1); Imidacloprido (175,00 g i.a ha-1); Acetamiprido (50,00 g i.a ha-1); Acetamiprido (37,50 g i.a ha-1) + Fenpropatrina (56,25 g i.a ha-1); Tiametoxam (50,00 g i.a ha-1); Tiacloprido (96,00 g i.a ha-1) e Flupiradifurona (150,00 g i.a ha-1).

Foram realizadas avaliações de contagem direta das ninfas de mosca-branca em cinco folíolos do terço médio do dossel da soja aos 3, 7, 10 e 14 dias após as aplicações. O nível de desfolha causado por mosca-branca foi realizada aos 110 (DAE) dias após a emergência. Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade do erro utilizando o programa estatístico SASM – Agri (Canteri et al., 2001). Para o cálculo de eficiência de controle da praga foi utilizada a fórmula de Henderson & Tilton (1955).

Resultados e Discussão

O início das aplicações se deu quando a infestação estava em 2,81 ninfas por folíolo, um pouco abaixo do nível de controle recomendado, 5 ninfas por folíolo. No entanto na avaliação realizada aos 3 dias após a primeira aplicação se verificou um aumento na população, a qual alcançou 13,26 ninfas por folíolo no tratamento testemunha, sendo que a população média nos tratamentos inseticidas foi de 8,26 ninfas.

A população de ninfas de mosca-branca no tratamento testemunha aumentou gradativamente durante todo o período de condução do estudo, chegando ao seu pico aos 14 dias após a segunda aplicação com 21,26 ninfas por folíolo, sendo que os tratamentos, Buprofezina; Piriproxifen; Ciantraniliprole; Acetamiprido + Piriproxifen; Abamectina + Ciantraniliprole; Espiromesifeno; Sulfoxaflor; Acetamiprido; Acetamiprido + Fenpropatrina e Flupiradifurona diferiram estatisticamente da testemunha e dos demais tratamentos avaliados.

Para a elaboração de estratégias de manejo da mosca-branca, é fundamental conhecer a eficiência dos produtos utilizados para seu controle, no presente estudo verifica-se que os tratamentos Ciantraniliprole; Acetamiprido + Piriproxifen; Espiromesifeno; Acetamiprido + Fenpropatrina e Flupiradifurona apresentaram na média das avaliações, as maiores eficiências de controle dentre os tratamentos avaliados.

Quando há uma alta infestação de mosca-branca seu controle se torna muito difícil, especialmente quando ocorrem períodos de estiagem prolongada como verificado nesta safra no mês de março, favorecendo seu desenvolvimento, elevando assim a densidade populacional e causando desfolha precoce da soja pela formação de fumagina, onde verificou-se que os tratamentos Piriproxifen; Ciantraniliprole; Acetamiprido + Piriproxifen e Abamectina + Ciantraniliprole obtiveram os menores níveis de desfolha dentre os tratamentos avaliados (Gráfico 1).

Os tratamentos Piriproxifen; Ciantraniliprole; Acetamiprido + Piriproxifen; Abamectina + Ciantraniliprole; Espiromesifeno; Acetamiprido + Bifentrina; Acetamiprido; Acetamiprido + Fenpropatrina e Flupiradifurona obtiveram as maiores produtividades, assim como proporcionaram os maiores incrementos de produtividade do trabalho.

Conclusão

Aplicações sequenciais de produtos químicos com ação sobre a forma jovem da mosca-branca como Buprofezina; Piriproxifen; Ciantraniliprole; Acetamiprido e Flupiradifurona apresentam uma boa eficiência de controle e garantem a manutenção do potencial produtivo da soja.

Referências

CANTERI, M. G., ALTHAUS, R. A., VIRGENS FILHO, J. S., GIGLIOTI, E. A., GODOY, C. V. SASM – Agri: Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas pelos métodos Scoft – Knott, Tukey e Duncan. Revista Brasileira de Agrocomputação, v.1, n.2,p.18-24. 2001.

FERREIRA, L. T.; AVIDOS, M. F. D. Mosca-branca: presença indispensável no Brasil. BioTecnologia – Ciência & Desenvolvimento, Brasília, v. 1, n. 4, p. 22-26, 1998.

LIMA, A.C.S.; LARA, F.M. Resistance of soybean genotypes to the silverleaf whitefly Bemisia tabaci (Genn.) biotype B (Hemiptera: Aleyrodidae). Neotropical Entomology, Londrina, v.33, n.1, p. 1-75, jan./feb. 2004.

VIEIRA, S. S.; BOFF, M. I. C.; BUENO, A. F.; GOBBI, A. L.; LOBO, R. V.; BUENO, R. C. O. B. Efeitos dos inseticidas utilizados no controle de Bemisia tabaci (Gennadius) biótipo B e sua seletividade aos inimigos naturais na cultura da soja. Seminário: Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 5, p. 1809-1818, set./out. 2012

VILLAS-BÔAS, G. L.; FRANÇA, F.; ÁVILA, A. C.; BEZERRA, I. C. Manejo Integrado da moscabranca Bemisia argentifolii. Brasília. DF: Embrapa-CNPH, 1997. 11 p. (Circular técnica, 9).

Informações sobre os autores:

1Pesquisador, Estação Experimental CERES Consultoria Agronômica, 78850-000. Primavera do Leste-MT, Brasil. E-mail: fernando@ceresconsultoria.com.br

2Consultor, CERES Consultoria Agronômica, 78850-000. Primavera do Leste-MT, Brasil.

Autores: Fernando Juchem¹; Maurício S. Stefanelo¹; Guilherme A. Ohl²; Evaldo K. Takizawa²; Fábio Lima de A. Melo².

Fonte: Equipe Mais Soja.


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