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Chover ainda não é o bastante

Milagre das águas traz também um risco para agropecuaristas.

 

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Imagine passar os últimos anos rezando para a chuva e quando ela chega rezar para que seja moderada. É o drama que estão vivendo agropecuaristas de uma parte do Brasil, notadamente no norte de Minas Gerais. Depois da pior seca dos últimos 40 anos que assola essa região e todo o Nordeste brasileiro, as águas voltaram. Mas como não existe controle remoto para guiar o volume e a direção dessas águas, ainda tem gente apreensiva.

 

A Enfoque abordou em 04´abril e 10´junho situações alarmantes dessa seca histórica nas duas regiões. Contra essa peça pregada pela natureza foram prometidas algumas ações governamentais que, infelizmente, como já era de se esperar, não chegam. No final de março, o Governo Federal anunciou gasto de R$ 30 bilhões em medidas estruturantes, a maioria emergenciais. Antes do primeiro dos poucos pingos que caíram no Nordeste até agora, apenas 22% das obras acordadas e contratadas, pagas, foram executadas. Continua no governo muito fácil falar de bilhões, mas muito difícil – pra não dizer impossível – mostrar soluções.

 

Tirando renegociação de dívidas, maneira mais simples de afagar a cabeça do agropecuarista, as outras medidas minguaram até agora. Poço artesiano, cisterna, construção de barragem, carro-pipa que ouvi dizer ter envolvimento de empresas do grupo EBX, todo dia manchete de dificuldade econômica na mídia nacional. Até um kit irrigação o governo oferece aos pequenos agricultores, com tubulação, aspersores, mangueira, conexões, bomba e tudo mais, só que com uma série de exigências para o beneficiário que tem até acesso a água – mas não é isso que ele precisa?

 

Vem ainda a gestão deficitária como a que põe em risco, por exemplo, o pouco que sobra do açude de Boqueirão, na Paraíba, que abastece Campina Grande e mais 19 municípios e que está com menos de 40% de sua capacidade.

 

Já no Norte de Minas, as chuvas recuperaram um pouco o nível da barragem do Bico da Pedra, em Janaúba. No estado que mais se mobilizou para combater por conta própria o problema da seca, a volta da chuva e da esperança que ela derrama no campo traz outra preocupação: volume e distribuição.

 

Nos últimos três anos, autoridades locais identificaram o desfalque de mais de um milhão de cabeças de gado por conta da seca – uma parte mortalidade e outra vendida a preço ínfimo. Tem lugar que mais de 70% do pasto foi perdido. Fora gado com baixo escore, menor número de bezerros, estação de monta atrasada. Pois voltou a chover no meio de outubro pra frente em algumas regiões. Todos os dias a gente vê posts nas redes sociais de amigos agropecuaristas comemorando chuva na fazenda ou na cidade. Aquele cheiro de terra molhada, de capim rebrotando verde e saudável, entretanto, contrasta com a necessidade que o gado que ficou ali tem de comer.

 

O dinheiro do pecuarista foi na comida comprada para alimentar o seu rebanho. E hoje não dá pra poupar a rebrota  porque o gado come o que está reaparecendo no solo, não aguenta esperar dois meses para boa formação. Existe ainda o risco de enchente de alguns pedaços daquele chão. E de apodrecimento do pouco que sobrou. Choveu na região 390mm de outubro pra cá (180mm só na última semana), mais da metade dos 742mm de todo ano de 2012. No total do ano já foram 915mm, perto dos 1.155mm de todo 2011. O que fazer para driblar esse novo problema?

 

O governo mineiro autorizou em junho abertura emergencial de poços artesianos pelos produtores para depois exigir e emitir outorga. Poços públicos também são abertos com um pouco menos de burocracia, como o de Mamonas. Mas ainda não é suficiente para resolver a produção.

 

Em MG, tem gente que estuda e busca soluções. Como a equipe da UFMG que pertence ao Grupo de Estudo em Manejo e Irrigação no Semiárido – Gemisa. Conversei com o professor doutor Flávio Oliveira e ele contou que parceria com a Embrapa está instalando estações de estudo de produtividade em diferentes áreas daquela região imensa de MG. Os dados estão sendo avaliados e servirão para, em poucos meses, dar uma noção das estratégias que os agropecuaristas deverão adotar. Enquanto isso, alguns amigos vão fotografando a evolução da chuva que eles tanto dançaram para ver cair. E agora rezam para evitar que a solução daquele antigo problema que está vindo do céu se agrave com o início de outro que está se acumulando no chão.

 

Em Foco:

As fotos que aparecem aí embaixo são da fazenda Barra da Vereda, em São João da Ponte, Norte de Minas. Pertence ao amigo Paulo Salgado, a quem cabe a menção aqui de aproximação com algumas informações importantes para a Enfoque. Preocupado em registrar os principais momentos do sistema de produção do seu Sindi e do seu Caracu na região, ele mostra a preparação do solo seco para plantio que servirá de silo na próxima safra e depois os caminhos encharcados pela chuva volumosa dos últimos dias. Maior prova de um problema que decorre do que deveria ser uma solução.

 

Semana que promete emoções com a realização do leilão beneficente ao Hospital de Câncer de Barretos. O leilão Senepol Solidário, organizado pela S+ e o grupo Parceiros do Senepol, terá toda sua renda revertida para a instituição modelo no mundo todinho. Também será realizada reunião final de balanço das atividades dos Parceiros e nós traremos aqui números que, como já escrevi em outras oportunidades, significam um exemplo de organização e negócio de um grande grupo de criadores.

 

Momento de reconhecimento do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, aos devotos do Laço Comprido. Saiu do sorteio da Copa do Mundo, em Salvador/BA, para declarar oficialmente, no domingo, em Campo Grande/MS, a modalidade como esporte nacional. Evento que reuniu número recorde de laçadores para o XXI Encontro Estadual e 1ª Copa Nacional do Laço Comprido marcou também o anúncio que os laçadores esperavam há 20 anos. Com o reconhecimento, a Confederação Brasileira do Laço Comprido, que tem um ano de existência, espera participar do rateio do orçamento do ministério. A placa retratada aí abaixo é o “documento” que atesta a oficialização do “novo” esporte brasileiro que é quase uma religião no MS há mais de 40 anos.

 

Fonte: Daniel De Paula.

Equipe Agron

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