Conheça os sinais clínicos, vias de transmissão e medidas obrigatórias de prevenção da Peste Suína Clássica (PSC) e da Peste Suína Africana (PSA) — baseado em Embrapa e MAPA.
PARA QUEM TEM PRESSA
- PSC e PSA são doenças virais exclusivas de suídeos, sem risco direto ao ser humano, mas de enorme impacto econômico
- Não é possível distinguir as duas apenas pela aparência clínica — exige confirmação laboratorial
- Não há tratamento para nenhuma das duas; a PSA não tem vacina disponível; a PSC conta com vacina em áreas endêmicas
- A notificação de qualquer suspeita é obrigação legal — comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial
- Proibição de alimentação com restos de alimentos (suirreciclagem), controle de acesso e desinfecção de veículos são medidas-chave
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Peste Suína Clássica e Peste Suína Africana: Guia de prevenção e controle para o produtor
A Peste Suína Clássica (PSC) e a Peste Suína Africana (PSA) são consideradas as doenças mais ameaçadoras para a suinocultura mundial. Ambas evoluem com sinais semelhantes, exigem notificação imediata e podem causar perdas de até 100% do rebanho em casos graves. O Brasil é livre de PSA desde 1984 — doença considerada exótica — e possui ampla zona livre de PSC, com programas oficiais de vigilância. Conhecer os sinais, as vias de entrada e as barreiras sanitárias é a principal defesa do produtor.
Sinais clínicos: Semelhanças e diferenças
Quadro clínico comum às duas doenças:
- Febre alta (acima de 40–41 °C)
- Perda de apetite, letargia, animais amontoados
- Eritema e petéquias (manchas avermelhadas/arroxeadas) em orelhas, focinho, ventre e membros
- Conjuntivite, diarreia (podendo conter sangue), vômitos
- Aumento da mortalidade, especialmente em leitões
- Abortos e perdas reprodutivas
| Característica | Peste Suína Clássica (PSC) | Peste Suína Africana (PSA) |
|---|---|---|
| Agente | Vírus RNA — família Flaviviridae | Vírus DNA — família Asfarviridae |
| Transmissão por carrapatos | Não | Sim (carrapato Ornithodoros) |
| Transmissão intrauterina | Confirmada (filhotes persistentemente infectados) | Sem evidência comprovada |
| Vacina | Disponível em áreas endêmicas; proibida em zona livre | Não existe vacina comercial |
| Tratamento | Não existe | Não existe |
| Situação no Brasil | Programa nacional; maioria do território livre | Livre desde 1984 — doença exótica |
| Mortalidade (forma aguda) | Até 90% | Até 100% |
⚠️ Atenção: os sinais clínicos não permitem diagnóstico definitivo. Qualquer suspeita exige coleta de amostras e exame laboratorial oficial.
Vias de transmissão
Ambas se propagam por contato direto e indireto:
- Contato direto entre animais saudáveis e infectados — via secreções, excreções, sangue
- Alimentação com restos de carne/visceras contaminadas — rota de entrada histórica da PSA no Brasil (1978)
- Veículos, calçados, equipamentos e roupas contaminadas com fezes, urina ou sangue
- Contato com carcaças de animais mortos infectados
- Javalis e suínos asselvajados atuam como reservatórios naturais de ambos os vírus
- Na PSA especificamente: transmissão por picada de carrapato mole do gênero Ornithodoros
Medidas obrigatórias de prevenção e controle
1. Barreiras sanitárias na granja
- Restringir acesso de pessoas e veículos estranhos às áreas de criação
- Banhos desinfetantes para rodas e calçados na entrada; troca de roupas e botas por visitantes
- Lavagem e desinfecção de instalações e equipamentos com produtos registrados
- Quarentena obrigatória de animais novos antes de introduzir no rebanho
- Proibir alimentação com restos de cozinha ou produtos de origem animal sem tratamento térmico comprovado (suirreciclagem)
2. Monitoramento diário
- Verificar temperatura, comportamento e consumo de ração dos animais
- Qualquer febre alta sem causa aparente, queda de consumo ou mortalidade atípica deve acionar alerta imediato
- Manter registros de entrada e saída de animais, ração e veículos
3. Notificação — obrigação legal
Suspeita confirmada = notificação imediata ao Serviço Veterinário Oficial (MAPA ou órgão estadual de defesa agropecuária)
- Não há espera por confirmação própria: na dúvida, notifica-se
- A omissão configura infração sanitária e pode agravar a disseminação
4. Controle de populações silvestres
- Impedir contato entre rebanho doméstico e javalis/suínos asselvajados
- Vigiar áreas de floresta e limites de propriedade
5. Situação específica da vacinação
- PSC: vacina eficaz em regiões endêmicas; proibida nas zonas livres do Brasil
- PSA: sem vacina disponível comercialmente em nenhum país; a prevenção depende exclusivamente de barreiras e vigilância
Fechamento
A PSC e a PSA representam risco permanente para a suinocultura brasileira, mesmo com o status de país livre da PSA. A entrada de um foco único pode comprometer mercados internacionais e gerar prejuízos irreversíveis. Nenhuma barreira funciona sozinha: o controle rigoroso de acesso, a proibição de restos alimentares, o monitoramento constante e a notificação imediata formam o sistema de defesa do produtor. Na dúvida, notifique.
Fontes
- Embrapa Suínos e Aves — Peste Suína Clássica e Peste Suína Africana: a situação mundial e os desafios para o Brasil
- MAPA / Governo Federal — Sistema de Vigilância Sanitária dos Suídeos
- IAGRO-MS — PSC × PSA: Dúvidas Frequentes
- CIDASC-SC — Material técnico sobre PSA
- Infoteca-E Embrapa — Diferenciação entre PSC e PSA
- Imagem principal: IA.
