Conheça os protocolos oficiais da Embrapa Gado de Corte para colostragem, antissepsia do umbigo e monitoramento de bezerros, reduzindo perdas e garantindo bom desenvolvimento.
PARA QUEM TEM PRESSA
- A ingestão de colostro nas primeiras horas é decisiva para a imunidade do bezerro, pois garante a passagem de anticorpos da mãe para o filhote.
- A cura do cordão umbilical com antisséptico apropriado, seguindo concentração e técnica recomendadas por médico veterinário, reduz o risco de infecções umbilicais e miíases.
- Matrizes bem nutridas gestam e amamentam com melhor qualidade, refletindo diretamente na saúde dos bezerros.
- O monitoramento constante do lote de maternidade permite identificar e intervir rapidamente em sinais de fraqueza ou doença.
- Casos de dificuldade de parto, infecções generalizadas ou recusa da cria exigem atendimento imediato de médico veterinário.
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Colostragem, cura do umbigo e monitoramento: Protocolos da Embrapa para reduzir mortalidade de bezerros
A eficiência econômica de qualquer sistema de criação de gado depende diretamente da taxa de sobrevivência e do desenvolvimento dos bezerros desde o nascimento até a desmama. Nessa fase, pequenos erros de manejo podem resultar em perdas irreversíveis. Com base nas orientações técnicas da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), apresentamos os procedimentos fundamentais a serem adotados logo após o nascimento e durante a fase de cria, com foco na redução da mortalidade e na garantia de um crescimento saudável.
Colostragem: A primeira defesa do bezerro
Ao nascer, o bezerro já possui mecanismos de defesa próprios, mas recebe pouquíssimos anticorpos maternos pela placenta dos bovinos. Por isso, a ingestão precoce de colostro — o primeiro leite produzido após o parto — é essencial para a transferência de imunidade passiva, enquanto o sistema imune do animal amadurece.
A Embrapa reforça que o momento da ingestão é determinante:
- O bezerro deve receber colostro o mais cedo possível, preferencialmente nas primeiras 2 horas e dentro das primeiras 6 horas de vida. A capacidade intestinal de absorver anticorpos diminui rapidamente após o nascimento.
- O atraso na colostragem reduz a capacidade de aproveitamento dos anticorpos, aumentando a vulnerabilidade a infecções respiratórias e digestivas.
- A qualidade do colostro está ligada à nutrição da vaca durante a gestação: matrizes bem alimentadas produzem leite com maior concentração de imunoglobulinas.
Cura do cordão umbilical: Barreira contra infecções
O cordão umbilical recém-rompido funciona como porta de entrada direta para agentes patogênicos. A recomendação técnica é:
- Aplicar solução iodada a 7% a 10% em toda a extensão do cordão imediatamente após o nascimento, sem diluição, para garantir ação antisséptica eficaz.
- Repetir a aplicação nas 24 horas seguintes se o ambiente for úmido ou se houver histórico de infecções no rebanho.
- O procedimento previne: infecções umbilicais (omfalites), septicemias e miíases — popularmente conhecidas como bicheiras — que podem levar à perda do animal em poucos dias.
Matrizes e ambiente de maternidade: Suporte que vem antes e depois do parto
O desempenho da cria está ligado diretamente ao manejo das vacas gestantes e lactantes:
- Nutrição da matriz: O aporte adequado de proteína, energia e minerais no terço final da gestação influencia o peso ao nascer, a vitalidade do bezerro e a qualidade do colostro.
- Ambiente limpo e seco: Piquetes ou instalações de parto com acúmulo de umidade e fezes favorecem a transmissão de doenças. Manter a área de maternidade arejada, com sombra e piso drenado reduz a carga de microrganismos.
- Monitoramento do lote: Observar diariamente comportamento, ingestão de alimento e consistência das fezes dos bezerros. Sinais como isolamento do grupo, recusa à mamada, febre ou diarreia exigem intervenção rápida.
Checklist: Procedimentos imediatos ao nascimento
| Ordem | Procedimento | Detalhe técnico |
|---|---|---|
| 1º | Limpeza das vias respiratórias | Remover secreções do focinho e da boca; facilitar a respiração logo ao nascer |
| 2º | Colostragem | Garantir ingestão de colostro de boa qualidade nas primeiras 2–6 horas de vida |
| 3º | Antissepsia do cordão umbilical | Mergulhar/pincelar com solução iodada concentrada (7%–10%), sem diluir |
| 4º | Verificação da mamada | Confirmar que o bezerro se mantém mamando com frequência nas primeiras 24 horas |
| 5º | Registro e observação | Anotar data de nascimento e acompanhar vitalidade nas primeiras 72 horas |
Quando acionar o veterinário
A Embrapa alerta que alguns quadros não se resolvem apenas com manejo e exigem intervenção profissional imediata:
- Dificuldade de parto que não evolui em até 2 horas após o início da fase de expulsão;
- Bezerro que não consegue se levantar ou mamar após 6 horas de vida;
- Inchaço, calor ou secreção purulenta na região umbilical;
- Diarreia persistente, febre ou recusa alimentar em qualquer fase;
- Sinais de desidratação: olhos fundos, pele sem elasticidade e boca seca.
Conclusão
Cuidar bem do bezerro desde o nascimento não é apenas técnica — é investimento direto na produtividade da propriedade. Colostragem oportuna, antissepsia do umbigo, nutrição correta das matrizes e monitoramento constante formam um conjunto de ações simples, de baixo custo e alto impacto. Reduzir perdas na fase de cria significa mais animais aptos para a desmama, maior rentabilidade e um rebanho mais saudável e resiliente.
Fontes
- Embrapa Gado de Corte — Página institucional, seções de notícias, tecnologias e orientações técnicas. Disponível em: https://www.embrapa.br/gado-de-corte — Acesso em: 03 de novembro de 2026
- Infoteca-e Embrapa — Repositório de publicações técnicas e científicas. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/ — Acesso em: 03 de novembro de 2026
- Imagem principal: IA.
