Em 06/10/2026, soja física em MS caiu para média de R$ 138,57/saca — queda de até R$ 6 em poucos dias — enquanto contrato Novembro/26 em Chicago subia 1,74%. Entenda a divergência.
PARA QUEM TEM PRESSA
- Em 06/10/2026, a soja física em MS fechou com média de **R$ 138,57/saca de 60 kg**, contra R$ 144,69 em 02/10 — recuo de aproximadamente R$ 6,00/saca em poucos dias.
- O contrato Novembro/26 da soja em Chicago (CME Group) subiu +1,74%, para US$ 13,03/bushel, no mesmo período.
- A divergência ocorre porque a queda do dólar reduziu o retorno em reais das exportações, e os prêmios FOB em Paranaguá recuaram (spot para +US$ 1,40/bu, queda de 17,65%).
- A liquidez no mercado físico de MS está reduzida: 91% da safra velha já foi comercializada, tornando as cotações pontuais.
- O contrato soja NOV/26 na B3 registrou leve recuo de -0,10%, a R$ 28,72/saca.
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Soja no MS recua para R$ 138–141/saca mesmo com alta de 1,74% em Chicago
O produtor de Mato Grosso do Sul encontrou preços mais baixos no balcão na terça-feira, 6 de outubro de 2026, em movimento que contrasta com a valorização registrada na Bolsa de Chicago. Enquanto os contratos futuros nos Estados Unidos reagiram positivamente ao ritmo mais lento da colheita norte-americana, o mercado físico sul-mato-grossense foi pressionado pela valorização do real e pela redução dos prêmios de exportação nos portos. A média estadual recuou de R$ 144,69/saca no início do mês para R$ 138,57, ajuste superior a R$ 6 por saca em menos de uma semana.
Preços no mercado físico de Mato Grosso do Sul
As praças acompanhadas pela Granos Corretora, com dados atualizados em 06/10/2026, mostram os seguintes valores:
| Praça | Preço (R$/saca 60 kg) | Variação no dia |
|---|---|---|
| São Gabriel do Oeste | 140,00 | 0,00% |
| Campo Grande | 139,00 | 0,00% |
| Dourados | 139,00 | -0,71% |
| Ponta Porã | 138,50 | 0,00% |
| Maracaju | 138,00 | -0,36% |
| Sidrolândia | 138,00 | 0,00% |
| Sonora | 138,00 | 0,00% |
| Eldorado | 131,50 | 0,00% |
| Média MS | ~138,57 | — |
Fonte: Granos Corretora / Notícias Agrícolas
A amplitude entre a praça mais alta (São Gabriel do Oeste, R$ 140,00) e a mais baixa (Eldorado, R$ 131,50) reflete diferenças logísticas e de base regional. O Porto de Paranaguá, referência nacional, operava a R$ 154,50/saca disponível na mesma data.
Enquanto isso, Chicago sobe
Na Bolsa de Chicago (CME Group), os contratos de soja registraram ganhos consistentes na mesma data de referência:
| Contrato | Fechamento (US$/bushel) | Variação |
|---|---|---|
| Novembro/26 | 13,03 | +1,74% |
| Janeiro/27 | 13,19 | +1,68% |
| Março/27 | 13,29 | +1,59% |
| Maio/27 | 13,37 | +1,50% |
Fonte: CME Group / Notícias Agrícolas — Atualizado em 06/10/2026
O movimento de alta nos EUA foi atribuído ao avanço mais lento do esperado na colheita da safra 2026/27 norte-americana, conforme acompanhado pelo USDA.
Por que os mercados andaram em direções opostas?
A explicação principal está em três fatores:
1. Queda do dólar reduz conversão para reais
O dólar futuro para novembro na B3 recuou, e a moeda americana perdeu força frente ao real. Como a soja é precificada internacionalmente em dólares, a valorização do real reduz diretamente o valor recebido pelo produtor brasileiro em moeda nacional — mesmo que o preço em dólar suba no exterior. O recuo cambial foi suficiente para neutralizar os ganhos de Chicago na conversão doméstica.
2. Prêmios de exportação em Paranaguá recuam
O prêmio FOB spot de soja em Paranaguá caiu de +US$ 1,70/bu no início de outubro para +US$ 1,40/bu em 06/10 — queda de 17,65%. Com prêmios menores, o valor de retorno no porto diminui, pressionando também as cotações no interior.
3. Mercado doméstico com liquidez reduzida
No MS, 91% da safra velha já foi negociada. Com poucos negócios sendo realizados, as cotações tornam-se mais sensíveis a movimentos pontuais de compradores, o que pode amplificar a percepção de queda em relação à média do mês anterior.
Contratos futuros na B3 acompanham com cautela
Na B3, o contrato de soja para Novembro/26 fechou a R$ 28,72/saca, com variação de -0,10%. Os vencimentos seguintes mostram leve tendência de recuperação: Janeiro/27 a R$ 29,07 (+1,47%) e Março/27 a R$ 29,17 (+0,93%).
Cenário para o produtor
A divergência entre os mercados deve persistir enquanto a pressão cambial se mantiver. O avanço do plantio da safra 2026/27 no Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso também influencia as expectativas: com nova produção a caminho, compradores tendem a segurar ofertas. Recomenda-se ao produtor acompanhar o câmbio e os prêmios de porto, pois eventual recuperação do dólar pode restabelecer a correlação positiva entre Chicago e os preços domésticos.
Fechamento
A coexistência de alta externa e baixa interna mostra que o preço da soja no Brasil não é cópia automática de Chicago — resulta da combinação de preço internacional, câmbio e prêmio de exportação. Para o produtor de MS, o momento exige cautela nas vendas, considerando que a liquidez reduzida pode estar distorcendo temporariamente as referências de balcão.
Fontes
- Granos Corretora / Notícias Agrícolas — Preços físicos MS (06/10/2026)
- CME Group — Soja Chicago (06/10/2026)
- B3 — Contratos futuros de soja (06/10/2026)
- Cepea/Esalq — Indicadores de soja (06/10/2026)
- Sistema Famasul / Portal do Agronegócio — Contexto de mercado (06/10/2026)
- Notícias Agrícolas — Dados consolidados: https://www.noticiasagricolas.com.br/cotacoes/soja
- Imagem principal: Depositphotos
