O preço futuro do milho renovou máxima na B3 para contratos a partir de nov/26, ultrapassando R$ 80/saca. Confira dados do Cepea, ágio e estoques globais.
Para Quem Tem Pressa
O preço futuro do milho renovou suas máximas históricas na B3 para os contratos com vencimento a partir de novembro de 2026. Atingindo a marca expressiva de R$ 76,70 por saca em novembro/26 e ultrapassando os R$ 80,00 por saca para março de 2027, o mercado futuro precifica expressiva valorização e ágio substancial em relação ao físico (Cepea), atualmente cotado a R$ 67,20. O cenário de otimismo é reforçado pelo corte nas estimativas dos estoques mundiais do grão para a safra 2026/27.
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Preço futuro do milho renova máximas para 2026 e 2027 na B3
O mercado financeiro e de commodities agrícolas operou em forte ritmo de valorização no decorrer da parcial de agosto de 2026. O preço futuro do milho, especificamente para os contratos com vencimento programado a partir de novembro de 2026, renovou suas máximas de negociação no dia 18 de agosto. O movimento de alta acentuada reflete uma mudança de expectativa do setor produtivo e comprador frente às projeções de oferta e demanda globais.
No caso das posições mais curtas, o contrato de milho para vencimento em setembro de 2026 encerrou o pregão do dia 18 de agosto cotado a R$ 71,62 por saca. Embora esse valor represente uma clara elevação em relação ao patamar do mercado físico atual, ele ainda permaneceu ligeiramente abaixo do teto histórico registrado para o referido contrato, que se posiciona acima de R$ 72,00 por saca.
Por outro lado, todos os demais vencimentos negociados na B3 — isto é, os contratos negociados para liquidação de novembro de 2026 em diante — renovaram suas marcas máximas na parcial do mês.
Projeções da B3 e a Quebra do Patamar de R$ 80 por Saca
O comportamento da curva futura revela um ambiente de forte otimismo. O contrato futuro com vencimento para novembro de 2026 atingiu a cotação de R$ 76,70 por saca no dia 18 de agosto. Indo além, a posição para março de 2027 rompeu a barreira psicológica e operacional dos R$ 80,00, sendo cotada exatamente a R$ 80,09 por saca.
Esse avanço nos preços futuros exige a atenção imediata de produtores e compradores no planejamento de hedge e comercialização, pois o preço futuro do milho sinaliza ganhos expressivos frente aos valores correntes negociados na praça física paulista.
| Vencimento do Contrato (B3) | Preço Futuro em 18/Ago (R$/saca) | Média Nominal Ano Anterior / Cepea (R$/saca) | Ágio Frente ao Físico Atual (R$/saca) |
| Setembro 2026 | R$ 71,62 | R$ 64,77 (set/25) | R$ 4,42 |
| Novembro 2026 | R$ 76,70 | R$ 67,55 (nov/25) | R$ 9,50 |
| Janeiro 2027 | R$ 78,85 | R$ 67,88 (jan/26) | R$ 11,65 |
| Março 2027 | R$ 80,09 | R$ 70,90 (mar/26) | R$ 12,89 |
| Maio 2027 | R$ 78,81 | R$ 65,60 (mai/26) | R$ 11,61 |
| Julho 2027 | R$ 76,28 | R$ 64,43 (jul/26) | R$ 9,08 |
Fonte: B3 e Cepea (Dados apurados em 18 de agosto de 2026).
Legenda: Comparativo entre o preço futuro do milho na B3 para vencimentos de set/26 a jul/27 e o mercado físico Cepea.
Análise do Ágio: Futuro versus Mercado Físico (Cepea)
A comparação entre o mercado disponível e os preços derivados da Bolsa do Brasil mostra a magnitude da valorização esperada. No mercado físico (indicador Cepea/Esalq), a cotação da saca de 60 kg do milho permaneceu em trajetória de recuperação graduada, sendo negociada a R$ 67,20 em 18 de agosto.
Ao analisar o diferencial de bases (ágio):
- Contrato de Setembro/2026: Apresentou um ágio de R$ 4,42 por saca em relação ao físico de 18 de agosto (R$ 67,20). Quando comparado à média nominal observada no mês de setembro de 2025 (R$ 64,77/saca), o aumento esperado atinge R$ 6,85 por saca.
- Contrato de Novembro/2026: A expectativa de alta frente ao físico de agosto chegou a expressivos R$ 9,50 por saca. Em relação à média nominal de novembro de 2025 (R$ 67,55/saca), a projeção da B3 aponta valorização de R$ 9,15 por saca.
Os contratos referentes ao primeiro semestre de 2027 mantêm a mesma toada: janeiro de 2027 opera com projeção de R$ 78,85 (contra R$ 67,88 do mesmo período no ano anterior); maio de 2027 projeta R$ 78,81 (frente a R$ 65,60 em mai/26); e julho de 2027 sinaliza R$ 76,28 por saca (diante de R$ 64,43 em jul/26).
Legenda: Projeções do preço futuro do milho em relação aos valores médios nominais registrados pelo Cepea no mesmo mês do ano anterior.
Recuperação no Mercado Físico e Histórico do Indicador Cepea
Apesar do otimismo concentrado nos contratos de longo prazo, a média parcial acumulada no mercado físico durante o mês de agosto de 2026 (até o dia 18) apresenta ganhos moderados na comparação com os meses imediatamente anteriores. O preço físico de R$ 67,20/saca reflete um processo constante de recomposição, vindo de patamares como R$ 63,70 em maio de 2026, R$ 64,80 em junho e R$ 65,70 em julho de 2026.
Uma visão histórica mais ampla do Indicador Cepea (janeiro de 2020 a agosto de 2026) permite mensurar os ciclos de preços do grão no Brasil:
- 2020: O ano iniciou cotado a R$ 51,10 em janeiro, alcançando R$ 80,30 em novembro e encerrando dezembro a R$ 75,30.
- 2021: Fase de forte alta impulsionada por gargalos globais, saindo de R$ 83,60 em janeiro para a máxima de R$ 100,70 em maio. Encerrou aquele ano negociado a R$ 88,00 em dezembro.
- 2022: Manteve níveis elevados, variando entre R$ 96,00 (janeiro) e o pico de R$ 99,70 em março, recuando para R$ 83,00 em dezembro.
- 2023: Período de forte correção negativa no mercado, caindo de R$ 86,10 em janeiro para a mínima do ciclo em agosto (R$ 53,30), fechando o ano em R$ 60,60 (dezembro).
- 2024: Oscilou entre a faixa de R$ 66,80 (janeiro) e R$ 57,20 (julho), ensaiando recuperação a partir de outubro (R$ 69,30) e fechando dezembro a R$ 72,90.
- 2025: Apresentou picos importantes no primeiro trimestre, chegando a R$ 89,10 em março, antes de estabilizar na faixa de R$ 63,00 a R$ 68,00 no segundo semestre.
- 2026: Iniciou janeiro cotado a R$ 69,60, passando por R$ 70,90 em março, R$ 63,70 em maio, até alcançar R$ 67,20 no físico em meados de agosto.
Legenda: Evolução do valor nominal da saca de milho no mercado físico Cepea entre janeiro de 2020 e a parcial de agosto de 2026.
Estoques Mundiais Menores Sustentam Atitude Otimista
Por trás da sustentação do preço futuro do milho, encontram-se importantes atualizações nos fundamentos globais de oferta e demanda. O estoque mundial de milho para a safra 2026/27 foi novamente revisado para baixo no relatório divulgado em agosto de 2026.
A expectativa atual aponta para um volume final de 274,66 milhões de toneladas. Este número representa uma redução de 0,2% em relação à estimativa anterior publicada em julho (que projetava 275,26 milhões de toneladas).
O dado mais crítico, no entanto, surge no confronto com o ciclo produtivo anterior: a nova projeção global para 2026/27 é 8,1% menor do que os 298,83 milhões de toneladas registrados na safra 2025/26. Essa retração de mais de 24 milhões de toneladas nos estoques de passagem globais ajuda a explicar por que o mercado futuro na B3 opera precificando valores expressivamente mais altos para o final de 2026 e o primeiro semestre de 2027.
Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.

