Peixe brasileiro vira solução inesperada para curar lesões graves nos olhos
Peixe brasileiro vira solução inesperada para curar lesões graves nos olhos com um biotecido brasileiro inovador que acelera a regeneração da córnea.
Para Quem Tem Pressa
A pele de tilápia na oftalmologia veterinária tem mostrado resultados impressionantes: um biotecido feito no Ceará acelera a cicatrização da córnea e já devolveu a visão a mais de 400 cães. Barata, acessível e totalmente brasileira, a técnica pode revolucionar o tratamento de úlceras oculares em animais — e, quem sabe, futuramente até em humanos.
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Pele de tilápia na oftalmologia surpreende cientistas
A ciência brasileira voltou a ganhar destaque mundial com uma descoberta que une inovação, sustentabilidade e cuidado animal. Pesquisadores do Núcleo de Produção e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM-UFC) demonstraram que a pele de tilápia na oftalmologia veterinária pode ser usada para criar um biotecido capaz de tratar úlceras e lesões graves de córnea em cães. O resultado? Em muitos casos, os animais recuperam parcial ou totalmente a visão — algo que até pouco tempo parecia improvável em quadros avançados de dano ocular.
Essa descoberta surgiu após o sucesso do uso da pele de tilápia como curativo em pacientes humanos com queimaduras. Ao estudar mais profundamente as características biológicas da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), os cientistas perceberam que havia um potencial ainda maior esperando para ser explorado, especialmente na medicina veterinária.
Como a pele de tilápia se transforma em biotecido?
A aplicação da pele de tilápia na oftalmologia veterinária depende de um processo rigoroso em laboratório. Tudo começa com a coleta da pele do peixe, que passa por etapas de limpeza para remover escamas, células e qualquer material biológico que possa causar rejeição. O que sobra é uma membrana quase completamente formada de colágeno — uma proteína essencial para a regeneração de tecidos.
Esse colágeno purificado transforma a pele em um “arcabouço” biológico extremamente útil. É essa estrutura que, quando aplicada sobre a córnea lesionada, protege o olho, mantém o ambiente adequado para cicatrização e induz o processo de reepitelização. Em outras palavras, ela funciona como um curativo inteligente, guiando e acelerando a recuperação natural do organismo.
A líder do estudo, a veterinária Mirza Melo, explicou à Revista Pesquisa Fapesp que a membrana não apenas protege o olho, mas também estimula a produção celular e libera colágeno, posteriormente absorvido pelo corpo do animal. Essa liberação gradual contribui para restaurar a transparência e integridade da córnea.
Resultados clínicos: Mais de 400 casos tratados
Um dos pontos mais impressionantes dessa inovação é o impacto prático. Em apenas quatro anos, a equipe da UFC já tratou mais de 400 cães com a técnica. Muitos deles apresentavam úlceras profundas, lesões perfurantes e quadros considerados críticos. Ainda assim, obtiveram resultados notáveis de cicatrização e recuperação funcional.
Segundo Melo, o procedimento se destaca especialmente por sua eficácia e segurança. Como a pele da tilápia é rica em colágeno tipo I — muito semelhante ao colágeno encontrado em tecidos humanos e animais — a integração do material é rápida e bem-aceita pelo organismo.
Para muitos tutores, a técnica representa uma chance real de devolver qualidade de vida a animais que, sem esse tratamento, poderiam enfrentar cegueira permanente.
Por que usar pele de tilápia e não outras membranas?
Embora existam membranas biológicas no mercado feitas de material bovino ou suíno, elas são importadas e frequentemente muito caras para clínicas veterinárias e tutores brasileiros. A pele de tilápia na oftalmologia veterinária oferece uma solução nacional, com baixo custo e disponibilidade abundante.
É o tipo de inovação que une ciência e economia: um recurso acessível, sustentável e altamente funcional, desenvolvido e produzido no Brasil. Como bônus, reduz a dependência de materiais importados e torna o tratamento mais democrático.
O futuro da pele de tilápia na medicina
Hoje, a técnica se destaca principalmente na oftalmologia veterinária, mas pesquisas já investigam possíveis aplicações em humanos. A ideia de regenerar córneas humanas usando um biotecido nacional pode transformar o tratamento de queimaduras químicas, úlceras graves e até reduzir filas de transplante.
Apesar de ainda haver etapas regulatórias e testes clínicos a serem realizados, pesquisadores acreditam que estamos diante de um dos biomateriais mais promissores da atualidade.
Benefícios gerais da técnica
A inovação baseada na pele de tilápia na oftalmologia veterinária apresenta vantagens que vão além do resultado clínico:
- Custo reduzido: produção totalmente nacional;
- Alta disponibilidade: a tilápia é um dos peixes mais consumidos no Brasil;
- Sustentabilidade: transforma resíduos da indústria pesqueira em biomateriais de alto valor;
- Resultados consistentes: caso clínicos comprovam eficácia em larga escala;
- Tecnologia brasileira: fortalece pesquisa e inovação no país.
Conclusão
A utilização da pele de tilápia na oftalmologia veterinária é um marco na integração entre ciência, saúde animal e sustentabilidade. O biotecido desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará não apenas acelera a cicatrização de úlceras de córnea, como também já devolveu a visão a centenas de cães. Além disso, demonstra que soluções simples e acessíveis podem transformar a medicina quando aliadas à pesquisa científica de qualidade.
Imagem principal: Depositphotos.

