Indústria de produtos de origem animal alcança novos recordes no Brasil
Expectativa do mercado é de crescimento e criação de novas tecnologias no setor de produtos de origem animal para os próximos anos
O Brasil é uma das grandes potências mundiais na pecuária. A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2022, divulgada recentemente, mostrou que mesmo no período pós-pandêmico o setor segue com produtos de origem animal firme e forte na economia do país, com crescimento em todos os seus âmbitos.
A PPM 2022 mostrou que a produção de todos os produtos de origem animal chegaram ao valor de R$ 116,3 bilhões no último ano. O responsável pela maior porcentagem desse montante foi o leite, que concentrou 68,8% do valor de produção (R$ 80 bilhões).
O rebanho bovino, por sinal, alcançou um recorde histórico, com alta de 4,3%. Foram 234,4 cabeças de gado, a maior quantidade desde 1974, quando os dados passaram a ser contabilizados.
O rebanho de suínos também bateu recorde na série histórica, obtendo um crescimento de 4,3% em relação a 2021. No total, 44,4 milhões de animais foram para o mercado.
Da mesma forma, a aquicultura bateu o recorde de 617,3 mil toneladas de peixes produzidos, o que corresponde a R$ 5,7 bilhões em valor de produção.
Além do leite, citado no início, a PPM 2022 constatou um avanço em outros derivados de animais. A produção de ovos de galinha cresceu 1,3%, chegando a 4,9 bilhões de dúzias, e o mel obteve uma alta de 9,5%, alcançando 61 mil toneladas geradas.
Criação de animais impulsiona indústria veterinária
Os recordes alcançados na agropecuária refletem-se também na indústria dos profissionais formados na faculdade de Medicina Veterinária. A alimentação animal e os produtos para saúde dos bichos representam grandes ramos da pecuária brasileira e em 2022, também tiveram crescimento.
De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), a indústria de ração animal avançou 1,3% no último ano, o que corresponde a 82 milhões de toneladas produzidas. Este número foi puxado pela maior demanda da avicultura de corte.
O setor de produtos veterinários, por sua vez, obteve um crescimento ainda mais expressivo. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), o avanço em relação a 2021 foi de 14% – valor acima da média de 9,65% registrada na última década.
Dados da entidade apontam que metade do faturamento deriva do segmento de ruminantes (principalmente bovinos), 25% de animais domésticos (gatos e cachorros), 12% de aves, 11% de suínos e 2% de equinos.
O futuro: alimentos com proteína animal criada em laboratório
A expectativa é de que todo o setor pecuarista siga crescendo. Porém, o mercado demonstra o caminho para um novo braço dessa indústria, com a criação de alimentos feitos com proteína animal, mas produzida em laboratório.
Por isso novas startups têm surgido e inovado no mercado alimentício fabricando produtos que teriam origem animal. Como leite, queijos e sorvetes, mas feitos a partir da chamada fermentação de precisão. Os cientistas fazem esse processo com a codificação do DNA de vacas em microrganismos que acabam reproduzindo a proteína do gado.
Tudo isso tem movimentado o mercado – financeiramente falando. Segundo o think-thank Good Food Institute, essas empresas de fermentação receberam por volta de 840 milhões de dólares em investimentos em 2022.
Fonte: Thaís Cal
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