Você lava o bebedouro do seu cachorro com frequência, usa sabão, enxágua bem e repõe a água fresca com todo carinho. Ainda assim, ele apresenta diarreias recorrentes, mesmo com boa alimentação e vacinas em dia. O que muitos tutores não sabem é que o problema pode estar justamente no jeito de limpar o bebedouro. Um detalhe despercebido na higienização é capaz de deixar resíduos invisíveis que fermentam, acumulam bactérias e contaminam a água — afetando diretamente o intestino do animal sem dar pistas visuais claras.
O grande vilão não é a água velha, mas o biofilme bacteriano que se forma nas paredes internas do recipiente. Esse biofilme é uma camada viscosa e quase imperceptível composta por bactérias, fungos e restos de ração e saliva. Ele se adere ao plástico, inox ou cerâmica e não sai apenas com uma lavagem superficial.
Muitos tutores usam esponjas comuns e sabão neutro, mas esquecem que o biofilme é resistente ao atrito leve e exige ação mais firme e regular. Se esse resíduo não for removido por completo, ele se acumula e se torna o ambiente ideal para a proliferação de E. coli, Salmonella, Pseudomonas e outros micro-organismos que causam distúrbios gastrointestinais em cães — especialmente filhotes ou animais idosos.
Um erro recorrente é usar a mesma esponja de lavar louça para limpar o bebedouro do cachorro. Esse objeto, já contaminado com gordura e restos de alimentos humanos, transfere microrganismos para o bebedouro, mesmo após enxágue. O resultado é uma contaminação cruzada que passa despercebida por dias ou semanas, até que o cão comece a apresentar sintomas como:
Muitas vezes, o tutor investiga a ração, o ambiente, a vermifugação — mas não considera que o problema vem da água aparentemente limpa, servida num recipiente mal higienizado.
O ideal é que o bebedouro do cachorro seja higienizado diariamente, mesmo que a água pareça limpa. Uma vez por semana, é necessário um processo mais rigoroso, com:
Esse processo remove o biofilme e impede a formação de colônias bacterianas. Também é importante esfregar os cantinhos do bebedouro, onde o limo costuma se esconder.
Evite bebedouros com reentrâncias ou texturas internas que dificultam a limpeza. Quanto mais liso o interior, melhor.
Bebedouros de plástico, embora práticos, são os que mais retêm micro-organismos, pois criam microfissuras com o tempo — imperceptíveis a olho nu, mas ideais para o acúmulo de resíduos. Já os de inox e cerâmica são mais fáceis de higienizar e têm menor adesão de biofilmes.
Mesmo nesses materiais, a limpeza precisa ser constante. O que muda é que o risco de resíduos persistentes é menor — mas não zero.
Evite também deixar o bebedouro exposto ao sol ou em locais onde folhas, poeira e insetos possam cair. A combinação de luz direta + água parada favorece a proliferação de algas e desequilibra o pH da água.
O mais preocupante é que o bebedouro pode parecer limpo — transparente, sem limo visível, sem odor — e ainda assim estar contaminado. Isso acontece quando o biofilme já está estabilizado, formando uma camada que se mistura à água e solta micro-organismos em doses contínuas.
Nessas situações, o cão pode não apresentar diarreia aguda, mas sofrer com quadros leves e persistentes, que afetam sua absorção de nutrientes, aumentam o risco de desidratação e prejudicam o sistema imunológico com o tempo.
Filhotes e cães idosos são os mais vulneráveis, mas até cães adultos saudáveis podem ser afetados por essa exposição crônica.
A prevenção começa com hábito, rotina e atenção aos detalhes. As ações mais recomendadas incluem:
Além disso, observe sempre se a água fica com aspecto esbranquiçado, cheiro estranho ou se o cachorro reluta para beber — esses sinais podem indicar problema no recipiente ou na qualidade da água.
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