Economia chinesa vai decolar esse ano e ajudar o agronegócio no Brasil?
Economia chinesa está voltando forte? Será que enfim teremos uma boa notícia! O índice que mede a atividade econômica na China subiu? Será um sinal de que o Brasil como exportador de Commodities agrícolas e metálicas irá seguir aumentando as exportações?
Veja também: Análise do Gráfico da Macrobond Bloomberg sobre a economia chinesa
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Nesse artigo a Equipe Agron, fez um apanhado com as principais análises internacionais sobre a economia chinesa em 2023. Com base nessas análises é possível estimar o possível impacto para o Brasil, já que a China é um dos principais compradores de comodities do país. Além disso, para quem tem interesse acesse outro artigo (acesso aqui) onde analisamos o gráfico que algumas mídias sociais estão apontando como prova de que a economia chinesa está voltando forte.
Preâmbulo: Gráficos da Bloomberg e Índice Yicai.
Para começar esse artigo, devemos definir alguns pontos importantes. O primeiro deles é sobre os gráficos da Bloomberg, empresa de tecnologia para o mercado financeiro e agência de notícias, que mostra crescimento dos indicadores econômicos chineses e isso pode ser uma ótima notícia para o Brasil. A Bloomberg permite recuperar séries temporais históricas divulgadas pelo canal do Bloomberg e essa função possibilitou a criação de um gráfico com vários fatores que podem afetar a economia chinesa.
O segundo item é sobre o índice Yicai – Atividade Econômica de Alta Frequência Yicai – que é utilizado no gráfico da Bloomberg divulgado nas redes sociais como prova do crescimento econômico chines, que analisamos em outro artigo e que pode ser acessado aqui. Esse índice foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Yicai e a Yicai Global, empresa de mídia chinesa.
Incertezas: Covid, mobilidade urbana e tensão geopolítica.
Mark Kruger, editor de opinião da Yicai Global, uma empresa de mídia chinesa, membro sênior do Yicai Research Institute e, que anteriormente foi chefe da Seção Econômica e Financeira da Embaixada do Canadá em Pequim, publicou, no final de 2022, o artigo “Perspectivas para a economia chinesa em 2023” onde descreve sua opinião sobre as perspectivas para a economia chinesa. Considere que essas opiniões foram publicadas por um grupo de mídia Chinês em um ambiente altamente censurado e controlado por políticas governamentais.
Segundo Kruger, que mora em Pudong, Bairro em Xangai, China, a vida nas ruas no final do ano ainda não tinha voltado ao normal. Para o autor devido todas as incertezas atuais, prever 2023 é especialmente desafiador. A partir disso, podemos definir que qualquer artigo ou gráfico que tragam informações sobre os possíveis ganhos para o agronegócio brasileiro devido ao aquecimento na economia chinesa pode ser precipitado. Apesar disso, seria ótimo se essas boas previsões ocorressem de fato.
O Artigo, aponta alguns pontos que devemos considerar para as previsões. Uma delas é a evolução da Covid em um cenário político muito mais permissivo. Segundo o autor a capacidade da Covid de causar estragos na economia chinesa dependerá criticamente da disposição das pessoas de se vacinarem. Para Kruger, a variante Omicron do Corona vírus, que apareceu com um atraso de um ano em relação a outros países, permitiu à China atingir uma cobertura vacinal relativamente alta. Em dezembro de 2021, a taxa média de vacinação nos países do G20 era de 150 doses por 100 pessoas. Com 193 por 100 pessoas, a taxa da China já estava entre as mais altas do grupo. Um ano depois, a taxa de vacinação da China é de 243 doses por 100 habitantes, sugerindo que o surto lá pode ser um pouco menos mortal do que em outros lugares. Embora seja difícil avaliar a escala de novas infecções e a gravidade dos casos, os dados de mobilidade, sugerem que a grande maioria dos chineses ainda estão ficando em suas casas.
Morgan Stanley, uma empresa global de serviços financeiros sediada em Nova York, sustenta que ainda existem incertezas quanto à política governamental de abertura da economia. Durante o processo de reabertura da China, os analistas esperam um aumento nas infecções por Covid. Um rápido aumento nas hospitalizações e na pressão sobre o sistema público de saúde pode levar as autoridades chinesas a repensar sua postura política. Uma retirada do apoio político antes do esperado – como uma forte retração nos gastos com infraestrutura, aperto na política monetária ou um aperto nas políticas regulatórias – pode diminuir o ânimo e enfraquecer o crescimento”, afirmou. O relatório da Morgan Stanley disse, ainda, que uma maior flexibilização das restrições provavelmente levará a um aumento significativo nos casos de Covid, embora a empresa preveja que o impacto do aumento será de curta duração.
Outra área de incerteza para as perspectivas de crescimento é a geopolítica. “O reaparecimento da tensão geopolítica também pode desencadear um aumento no prêmio de risco das ações da China”, disse a nota do Morgan Stanley.

A “lacuna de mobilidade” mostra que a situação de dezembro 2022 é mais aguda do que em abril de 2022 (Figura 1, acima). Isso não é surpreendente. Embora a onda na primavera tenha se limitado em grande parte a Xangai e à província de Jilin, a Omicron está se espalhou por todo o país. Os números de baixa mobilidade registrados em dezembro são um mau presságio para a atividade econômica. O modelo simples, que usa a lacuna de mobilidade para prever a atividade econômica mensal consistente com o PIB, aponta para uma forte contração na economia em 2023 segundo Kruger (Figura 2, abaixo).

Novas políticas públicas na China.
O governo da China também está priorizando o crescimento econômico, outro pilar por trás da previsão revisada do Morgan Stanley para as perspectivas econômicas do país. “Do nosso ponto de vista, os formuladores de políticas estão adotando ações conjuntas para impulsionar o crescimento em todas as frentes”, disse a nota. “Esta é a primeira vez desde 2019 que as políticas macro domésticas e a gestão da Covid estão alinhadas para apoiar uma recuperação do crescimento, em vez de atuar como forças de compensação.”
As exportações líquidas contribuíram com cerca de um ponto percentual para o crescimento do PIB da China nos últimos anos, mas é difícil vê-las ajudando muito em 2023. Portanto, não é de admirar que a Conferência Central de Trabalho Econômico (CEWC), realizada em Pequim em meados de dezembro, enfatizou a necessidade de apoiar a demanda doméstica. De acordo com o CEWC, a expansão do consumo será uma prioridade e destacou a melhoria da habitação, apoiando a compra de novos veículos elétricos e serviços de assistência a idosos.
A política promoverá o desenvolvimento estável do mercado imobiliário, inclusive garantindo que os edifícios em construção sejam entregues aos seus compradores. Dados os riscos financeiros associados aos desenvolvedores altamente alavancados, o CEWC disse que o setor será reestruturado por meio de fusões e da provisão de um montante “razoável” de financiamento. Embora o mercado imobiliário possa não crescer vigorosamente em 2023, é improvável que ocorra o mesmo tipo de declínio tanto na demanda quanto na oferta de moradias ocorrido em 2022. No mínimo, o setor será um empecilho muito menor ao crescimento. O CEWC disse que o investimento doméstico deve se concentrar em acelerar a conclusão dos grandes projetos descritos no 14º Plano Quinquenal. Ele também enfatizou que a China precisa fazer um esforço maior para atrair investimentos estrangeiros. Em particular, apontou para o potencial do capital estrangeiro para modernizar a indústria de serviços do país. Apesar do apoio governamental para acelerar a economia, para Kruger ainda ocorrerão muita destruição criativa. Inúmeras empresas irão à falência e novas entrarão no mercado. Este será um processo doloroso para muitos, mas a esperança é que, em 2023, a economia saia mais forte e vibrante finaliza Kruger.
Previsões para a economia Chinesa.
É muito provável que o quarto trimestre se pareça muito com o primeiro trimestre, com o PIB caindo e não mostrando nenhum crescimento ano a ano. Tal resultado reduziria o crescimento do ano como um todo para 2,3%, aproximadamente a mesma taxa registrada em 2020 prevê os modelos analisados por Kruger. Contudo, as previsões do relatório permitem que seja razoável esperar que a economia volte à tendência pré-Covid no quarto trimestre do ano. Se o PIB seguir o caminho ilustrado na Figura 3, o crescimento em 2023 chegará a 5,8% no ano como um todo. No entanto, a composição do crescimento em 2023 provavelmente será diferente dos últimos anos. É improvável que as exportações líquidas contribuam. Devemos ver alguma recuperação no consumo e no investimento – principalmente liderado pelo estado – que provavelmente será o motor de crescimento mais significativo.

As previsões da economista chefe do site, especializado em economia global, “capitaleconomics” Jennifer McKeown indicam que a interrupção da reabertura da China está diminuindo mais rapidamente do que era esperado de maneira que em janeiro ela revisou suas previsões anteriores de crescimento de 2,0% para 5,5%. Um aumento significativo! Isso significa que o crescimento do PIB global será um pouco mais forte do que previsto este ano, mas a inflação de energia será maior. Por outro lado, a inflação cairá drasticamente nas principais economias avançadas devido à recessão.
De acordo com McKeown houve uma mudança em direção a políticas pró-crescimento e diminuição dos efeitos da Covid na economia chinesa esse ano, conforme descrito no artigo anterior por Kruger. O efeito direto disso é que as previsões do PIB global para 2023 deve indicar um crescimento de 2,2% um pouco superior aos 1,5% previstos. Mas como essa recuperação está ocorrendo mais cedo, e isso pode significar que o crescimento global será menor em 2024 do que previsto anteriormente. A análise, mais recente, de McKeown concorda com o artigo, anterior de Kruger que durante a maior parte deste ano, o crescimento ainda será muito fraco em relação aos padrões anteriores.
Morgan Stanley, também elevou suas perspectivas para a economia da China em 2023, prevendo que uma recuperação da atividade ocorrerá mais cedo e será mais acentuada do que o esperado. A empresa elevou suas previsões para o produto interno bruto do país em 2023 para 5,4% em relação à previsão anterior de 5%, de acordo com uma nota de pesquisa liderada pelo economista-chefe da empresa para a Ásia, Chetan Ahya. “Anteriormente, esperávamos que uma recuperação na atividade se materializasse no final do segundo trimestre de 2023. Agora estamos projetando que a mobilidade urbana melhore desde o início de março”, disse a nota, acrescentando que a empresa espera ver um “aumento mais rápido e acentuado da mobilidade” refletido na economia a partir do segundo trimestre.
Outras previsões para a China em 2023 e suas implicações.
Em sua previsão de outubro, o FMI projetou que a atividade econômica nos principais parceiros comerciais da China irá desacelerar significativamente entre 2022 e 2023. Na verdade, Kruger espera que o crescimento na Zona do Euro e nos EUA seja apenas a metade da velocidade de suas médias de 2012-21 (Figura 4).

Para a economista McKeown, os efeitos sobre a atividade no resto do mundo serão limitados, uma vez que a recuperação da China será focada em serviços, que não são intensivos em importações. Haverá ramificações positivas para o turismo em algumas economias, incluindo Hong Kong e Tailândia, e os exportadores de metais podem se beneficiar do renascimento do setor imobiliário apesar das economias mais avançadas entrem em recessão no início deste ano, incluindo a zona do euro e os EUA.
A recuperação mais rápida da China influenciará a inflação global, mas talvez não da maneira esperada. McKeown discorda da percepção de que os problemas de oferta na China foram uma das principais causas da inflação nas economias avançadas, que, em vez disso, decorreu principalmente de um aumento na demanda por bens relacionado à pandemia e depois devido a guerra na Ucrânia. No entanto, a recuperação mais rápida da atividade chinesa aumentará a demanda por energia e, consequentemente, seu preço. Isso implica que a inflação nas economias avançadas será cerca de 0,4 pontos percentuais maior do que previsto. Contudo, uma inflação de energia ligeiramente mais alta não será uma grande preocupação para esses países segundo suas análises. Mas existe o risco de que o renascimento da China leve a um aumento maior nos preços do petróleo. Em ambos os casos, os bancos centrais seriam forçados a manter as taxas de juros mais altas por mais tempo.
Qual é o benefício para o agronegócio do Brasil com a recuperação da economia chinesa?
Provavelmente, ocorrerá aumento da atividade econômica chinesa de aproximadamente 2,5% em relação ao ano de 2022, e esse crescimento pode ser bom para o Brasil. Mas, ainda existem muitas incertezas com a questão geopolítica, o Covid e a provável inflação de energia. Além disso, outros grandes parceiros comerciais brasileiros como a zona do euro e os EUA estarão em recessão no início deste ano. Os efeitos sobre a atividade no resto do mundo serão limitados, uma vez que a recuperação da China será focada em serviços. O pequeno crescimento mundial previsto de 2,2% provavelmente não vai levar a grandes alterações no comércio internacional para o setor agropecuário brasileiro, já que existem outros fatores de sanidade, climáticos e de produção mundial de alimentos que podem ter um impacto maior.
Dessa forma, de acordo com o que foi analisado nesse artigo, ainda é prematuro fazer qualquer análise sobre impacto do crescimento da economia chinesa em 2023 para o agronegócio brasileiro.
Fonte: Equipe Agron, Imagens Yicaiglobal e depositphotos.
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2 thoughts on “Economia chinesa vai decolar esse ano e ajudar o agronegócio no Brasil?”