Geadas e juros elevados são combinação nociva ao agronegócio

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Perdas de produção e aumento dos custos são os principais impactos para o setor.

Geadas e juros elevados são combinação nociva ao agronegócio

Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), pondera que a elevação da Selic, colocada em prática pelo Copom, poderá ter efeito contrário ao propósito de conter a inflação. “No caso dos alimentos, cujo peso é significativo na cesta de produtos que compõem o IPCA, juros altos neste cenário de frio intenso que está causando danos às lavouras retroalimentam a tendência de elevação dos preços”, explica.

Meirelles argumenta que, neste momento, é preciso reduzir e não aumentar os custos incidentes sobre a produção agropecuária. Muitos produtores rurais perderam suas plantações e ficarão sem renda, necessitando de financiamento para sua recuperação e plantio da próxima safra. Por isso, a Faesp já solicitou ao Governo do Estado de São Paulo duas medidas urgentes: prorrogação das parcelas dos financiamentos vigentes com recursos do FEAP (Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista), com a transferência de prestações que irão vencer para um ano após a última prestação prevista em contrato; e criação de linha de crédito emergencial, com recursos do FEAP, para recuperação da estrutura produtiva e manutenção das atividades agropecuárias atingidas pelas geadas.

“Seria de bom senso segurar os juros, que já estão altos, considerando que os recursos para crédito previstos no Plano Safra do Governo Federal, embora venham aumentando nas duas últimas edições, são insuficientes para atender todos os produtores, que acabam tendo de recorrer ao mercado financeiro convencional”, ressalta Meirelles, afirmando: “O momento é muito sensível para os produtores rurais, principalmente os pequenos e médios e os que perderam lavouras devido às geadas”.

Mapa das perdas

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Levantamento inicial realizado pela Faesp, por meio da rede de sindicatos rurais filiados, sobre as perdas provocadas pelas geadas ocorridas em 19 e 20 de julho, evidencia o risco de choques nos preços de alguns alimentos. Houve danos em várias cadeias produtivas, especialmente na cafeicultura, cana-de-açúcar e milho. Prejuízos foram reportados também nas pastagens e plantações de citros, grãos, frutas e hortaliças.

Café: estima-se que entre 10% e 20% da área nas principais regiões produtoras do Estado tenha sido atingida. Os danos foram mais intensos nas lavouras novas, em áreas de plantios nas baixadas. Porém, as plantações mais maduras não passaram ilesas, o que deverá resultar em menor rendimento e qualidade na próxima safra, com o aumento de grãos pretos e verdes.

Cana-de-açúcar: na região de Ourinhos, a safra atual pode estar comprometida em até 15%. Áreas com renovação e brotação nova foram bastante prejudicadas. Nas plantações ainda não colhidas, a seca já havia provocado queda de produtividade nas lavouras. Com a geada, o teor de ATR (Açúcares Redutores Totais) tende a ser ainda mais afetado. Em Altinópolis, regional de Ribeirão Preto, a geada atingiu cerca de 30% da área plantada com cana no município.

Milho safrinha: perdas significativas nas regiões do Médio Paranapanema e Sudoeste Paulista. Nas plantações em fase de enchimento de grãos, estima-se uma quebra de produtividade em torno de 70%. Nas lavouras em estágio mais avançado (grão pastoso ou farináceo), a redução no potencial produtivo pode alcançar entre 20% e 30%.

Pastagens: em muitas localidades, as áreas de pastagens foram queimadas em sua totalidade. Com a seca, a produtividade de massa já havia caído significativamente, tendo sido potencializada com a geada. Isso implicará a necessidade de suplementação dos animais, aumento de custos devido à aquisição de rações e suplementos, com potencial reflexo na produção de carne e leite. Produtores de leite em sistemas semi-intensivos, em Cerqueira César, na microrregião de Avaré, relataram quebra de 30% a 50% na produção em um período de três dias.

Hortaliças: foram atingidos 15% das áreas em produção, de aproximadamente 9.300 hectares do Alto Tietê Paulista. Isso abrange um universo de dois mil produtores prejudicados. Houve redução da quantidade e perdas na qualidade dos produtos. Os prejuízos foram apontados também em regiões do Médio Paranapanema e Noroeste Paulista, com perdas estimadas acima de 50%.

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FONTE: DATAGRO.


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