O gene do lucro? Estudo revela segredo da rentabilidade no Nelore

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Estudo revela genes ligados à rentabilidade no confinamento em bovinos Nelore. Saiba como aplicar a seleção genética para maior lucro.

Para quem tem pressa:

Um estudo genômico inédito revelou os genes ligados à rentabilidade no confinamento em bovinos da raça Nelore. A pesquisa mostra que é possível selecionar animais com maior eficiência alimentar e retorno financeiro — com menos impacto ambiental. E sim, há gene até para comportamento!

estudo

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Por que falar em rentabilidade no confinamento?

Falar de rentabilidade no confinamento não é luxo, é sobrevivência. Com margens cada vez mais apertadas, saber quais animais realmente entregam mais lucro por arroba produzida é ouro — ou quase isso.

O estudo liderado por Letícia Silva Pereira, da Universidade Federal de Goiás, em parceria com a UNESP, Embrapa, ANCP e @Tech, analisou dados genéticos de 2.127 animais da raça Nelore. Eles usaram um painel SNP de última geração (Clarifide® Nelore 3.0) e integraram informações econômicas como lucro acumulado e lucro por 15 kg de peso vivo (a boa e velha “arroba”).

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O que foi analisado?

Os pesquisadores focaram em dois novos indicadores:

AFP (accumulated feedlot profitability): quanto de lucro o animal gera no confinamento.

PFT (profit per 15 kg of liveweight gain): lucro por arroba produzida.

Esses dados foram integrados com curvas de crescimento, consumo de matéria seca, preços padronizados da arroba (via CEPEA/USP), e custos de alimentação e manejo. E, claro, genética.

Quais genes foram encontrados?

Foram identificados:

83 genes relacionados ao AFP

268 genes ao PFT

Entre os destaques:

Genes ligados à eficiência alimentar (ex: CYP7A1, UBXN2B)

Genes de desenvolvimento muscular (CASTOR1, FGFBP1)

Genes de fertilidade (ACKR3, CDC45, TANGO2, LIF)

Genes de metabolismo lipídico e glicídico (GALNT13, CEPT1, CHI3L2)

E até genes que influenciam comportamento e temperamento, como COMT e DRD1

Implicações práticas para o produtor

Se você ainda seleciona animais com base apenas no peso ou aparência… talvez esteja jogando dinheiro (e proteína) fora. O uso desses novos indicadores permite:

Escolher animais com melhor retorno por arroba produzida

Reduzir tempo de abate (menor emissão de carbono)

Diminuir o custo com ração (o vilão do confinamento)

Melhorar a sustentabilidade da operação

E mais: a baixa herdabilidade do PFT (~5%) mostra que ele é influenciado por muitos fatores. Mas a herdabilidade moderada do AFP (~24%) indica que dá para acelerar o ganho genético com boas escolhas.

Seleção genética: Custo ou investimento?

Segundo os autores, entender a base genética da rentabilidade no confinamento é o primeiro passo para desenvolver ferramentas práticas de seleção. Empresas e programas de melhoramento já podem usar essas informações para criar índices econômicos mais precisos.

E sim, isso pode mudar completamente a forma como você escolhe seus animais.

Humor no curral: “Quem diria que seu boi comilão é, na verdade, um péssimo negócio?”

A genética mostra que nem sempre o animal que mais come é o que mais engorda — e muito menos o que mais lucra. Às vezes, menos é mais. E mais gene certo, é muito mais.

Conclusão

O estudo conduzido pela Universidade Federal de Goiás e parceiros marca um avanço significativo na pecuária de corte brasileira, ao demonstrar que a rentabilidade no confinamento de bovinos Nelore pode ser prevista e melhorada por meio da seleção genética. A identificação de genes associados à eficiência alimentar, desenvolvimento muscular, metabolismo e até comportamento oferece ao produtor uma nova ferramenta estratégica para maximizar o lucro por animal.

Mais do que uma curiosidade acadêmica, os resultados têm aplicação direta no campo: permitem selecionar animais que produzem mais arrobas com menos ração e em menos tempo, além de reduzir o impacto ambiental da operação. Isso significa que o confinamento pode ser mais rentável e sustentável ao mesmo tempo.

Além disso, a criação de indicadores econômicos baseados em genética, como o AFP e o PFT, inaugura uma nova forma de avaliar os animais: saindo do olhar apenas visual e de peso, para um critério mais técnico, preciso e voltado ao retorno financeiro.

Para o pecuarista, a mensagem é clara: investir em genética não é mais uma opção, mas uma necessidade competitiva. O futuro da rentabilidade no confinamento passa obrigatoriamente pelo uso inteligente das informações genômicas. Adotar essa tecnologia pode ser o diferencial entre ter lucro ou prejuízo nas próximas safras.

Fonte:

Pereira, L.S. et al. Genome-wide association study of novel feedlot profitability-related traits in Nelore cattle. Animal Genetics, 2025. DOI: 10.1111/age.70018

Instituições envolvidas: Universidade Federal de Goiás, UNESP, Embrapa, ANCP, @Tech, University of Wisconsin-Madison.


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