Para Quem Tem Pressa
Pesquisadores do instituto indiano ICAR-CRIDA avaliaram o uso de pulverizações foliares com nanopartículas e bioestimulante à base de alga marinha em plantas de milheto submetidas a déficit hídrico. Conduzido em vasos, o experimento revelou que a aplicação de bioestimulante a 0,5% na fase vegetativa e de nano-DAP a 0,2% no florescimento limitou as perdas de produtividade a índices entre 9% e 13% em relação ao controle. As intervenções preservaram a hidratação das folhas, protegeram membranas celulares e melhoraram a eficiência fotossintética da cultura durante a retomada pós-estresse.
Embora o milheto (Pennisetum glaucum) seja reconhecido pela rusticidade e pela capacidade de se desenvolver em áreas de sequeiro, estiagens severas durante os estágios vegetativo e reprodutivo costumam provocar quebras expressivas de safra. Para investigar maneiras de mitigar esse impacto, pesquisadores do ICAR–Central Research Institute for Dryland Agriculture (ICAR-CRIDA), com sede em Hyderabad, na Índia, testaram a pulverização foliar de nano-nutrientes e bioestimulantes em plantas sob restrição de umidade.
Os resultados foram publicados no periódico científico Scientific Reports, do grupo Springer Nature. O estudo avaliou o comportamento fisiológico e os componentes de rendimento do milheto durante o período de estresse e após a sua atenuação.
Redução nas perdas de produtividade
No experimento, a aplicação foliar de bioestimulante à base de extrato de alga marinha (SWAS a 0,5%) após o alívio do estresse hídrico no estágio vegetativo conteve as perdas de rendimento a patamares de 9% e 13% em comparação com o grupo controle não tratado.
Já quando a restrição hídrica atingiu a fase de floração — um dos períodos mais sensíveis para o enchimento de grãos —, a pulverização de fosfato diamônico em nanoescala (nano-DAP / NDAPAS a 0,2%) após o alívio da seca limitou a queda de produtividade a 13%.
Segundo os autores, a combinação estratégica dessas duas intervenções — bioestimulante na fase vegetativa e nano-DAP no florescimento — despontou como a resposta mais eficaz para sustentar a produtividade do cereal sob estresse por déficit de umidade.
Proteção celular e eficiência fotossintética
Além do rendimento final, as avaliações laboratoriais mostraram alterações fisiológicas marcantes nas plantas que receberam os tratamentos.
Na fase vegetativa, o tratamento com bioestimulante a 0,5% garantiu:
- Conteúdo relativo de água foliar (RLWC) de 93,2%;
- Índice de estabilidade de membrana celular (MSI) de 93,2%;
- Umidade retida no solo do vaso de 19,3%;
- Atividade da enzima nitrato redutase de 2.962,2 µg g⁻¹ de massa fresca.
Ao mesmo tempo, as folhas tratadas apresentaram menores concentrações de malondialdeído (15,7 µg g⁻¹ de massa fresca), indicador bioquímico diretamente ligado à peroxidação lipídica e à destruição das membranas por estresse oxidativo. Os teores de prolina (32,0 µg g⁻¹), aminoácidos livres (21,2 µg g⁻¹) e açúcares solúveis totais (1,8 µg g⁻¹) também se mantiveram mais controlados.
No florescimento, a pulverização com nano-DAP a 0,2% registrou 93,0% de conteúdo relativo de água nas folhas e 17,9% de umidade no solo, acompanhada de reduções expressivas de prolina (33,0 µg g⁻¹), aminoácidos livres (2,1 µg g⁻¹) e açúcares solúveis (22,8 µg g⁻¹).
A análise de fluorescência da clorofila também indicou melhor funcionamento do aparato fotossintético. Os parâmetros avaliados apontaram maior integridade e eficiência de transporte de elétrons no fotossistema II (PSII), demonstrando que o tecido foliar manteve a capacidade de captar energia luminosa e transformá-la em biomassa mesmo sob escassez hídrica.
Condições do ensaio e próximos passos
O trabalho foi desenvolvido em ambiente experimental com vasos durante a estação pós-monção em Hyderabad, contando com suporte financeiro da cooperativa indiana de fertilizantes IFFCO.
Por se tratar de um ensaio sob condições controladas em vasos, os autores destacam o potencial da nanotecnologia e dos bioestimulantes foliares como ferramentas agronômicas complementares de resiliência climática, abrindo caminho para validações em lavouras comerciais de sequeiro em diferentes tipos de solo.
fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.
