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Mercado de carne suína bate recordes, mas esconde um grave problema

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O mercado de carne suína cresce em consumo e exportações no Brasil, mas a queda drástica nos preços acende o sinal de alerta para os produtores. Entenda o cenário.

Para Quem Tem Pressa

Se o brasileiro nunca comeu tanta costelinha e bacon, por que o suinocultor está preocupado? O mercado de carne suína vive um paradoxo: o abate cresceu 5,49% no primeiro trimestre e o consumo por habitante saltou 40% na última década. No entanto, o excesso de oferta fez o preço da carcaça despencar 42,4% desde o final do ano passado. Em vários estados, o valor pago pelo animal já não cobre os custos de produção, transformando a abundância em prejuízo.

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Mercado de carne suína: Alta no consumo e queda nos preços desafiam o setor

O mercado de carne suína no Brasil vive um momento de sentimentos profundamente mistos. De um lado, as churrasqueiras e gôndolas de supermercado atestam um sucesso histórico: o volume produzido subiu, as exportações aceleraram e o consumidor doméstico finalmente abraçou a proteína. Do outro lado da porteira, porém, as contas simplesmente não fecham. Uma conjuntura de excesso de oferta interna provocou um tombo nas cotações, acendendo o sinal de alerta na suinocultura nacional.


Recorde de abates e a mudança de hábito do brasileiro

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de cabeças de suínos abatidas no primeiro trimestre deste ano registrou uma alta expressiva de 5,49% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Curiosamente, o volume total de carcaças cresceu em um ritmo menor (2,64%), o que indica que os animais estão indo para o gancho um pouco mais leves.

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Para a felicidade do setor exportador, os embarques para o exterior subiram 15,27% no mesmo intervalo, ajudando a “enxugar” parte desse excedente produtivo. O verdadeiro fenômeno, contudo, está no prato do brasileiro.

Entre 2015 e 2025, o consumo per capita de carne suína no país saltou impressionantes 40,37%. Para fins de comparação, no mesmo período, o consumo de carne bovina cresceu 18%, enquanto o de frango encolheu 3,28%. Atualmente, cada habitante consome cerca de 20,3 quilos da proteína por ano — um patamar inimaginável há duas décadas.


O tombo nos preços e o fantasma do prejuízo

Se a demanda vai bem, a lógica econômica tradicional sugeriria sorrisos no campo. Mas o mercado de carne suína resolveu testar o coração dos produtores. O preço médio mensal da carcaça sofreu uma desvalorização violenta nos últimos meses, segundo dados consolidados pelo Cepea/Esalq.

Em novembro de 2024, o quilo da carcaça era negociado a confortáveis R$ 15,10. Atualmente, o valor derreteu para a casa dos R$ 8,70 — um tombo vertiginoso de 42,4%.

Novembro/2024: ███████████████████ R$ 15,10
Patamar Atual: ███████████ R$ 8,70 (-42,4%)

Essa derrocada tarifária é explicada principalmente pelo excesso de oferta interna. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, destacou a gravidade da situação durante o lançamento da 14ª Semana Nacional da Carne Suína. Segundo ele, o momento é delicado e, em diversas praças produtoras, o valor recebido pelo criador não é suficiente sequer para cobrir os custos operacionais da atividade.


Preconceito cultural e as frentes de expansão

A grande ironia do atual cenário do mercado de carne suína é que a crise de preços acontece justamente quando o produto atinge sua maior maturidade técnica. O Brasil atende hoje aos mercados mais exigentes do planeta em termos de vigilância sanitária, como o Japão e a Coreia do Sul. Ainda assim, barreiras culturais internas limitam um crescimento ainda maior.

Existe um preconceito histórico e infundado no Brasil em relação à saudabilidade da carne de porco, uma herança de tempos em que a criação não tinha a tecnologia e o rigor de biossegurança atuais. Para reverter esse quadro, o setor aposta em campanhas de marketing e na alta competitividade da proteína, que se tornou uma alternativa extremamente atraente e econômica para o orçamento das famílias frente à carne bovina.

A região Nordeste, por exemplo, desponta como a principal fronteira de expansão para o consumo interno, concentrando os esforços promocionais das cooperativas e associações.


O que esperar para o segundo semestre?

Apesar do sufoco financeiro imediato que o mercado de carne suína impõe aos granjeiros, as lideranças do setor mantêm o otimismo para a segunda metade do ano. A expectativa da ABCS é de que o fluxo de oferta se ajuste nos próximos meses, abrindo espaço para uma recuperação gradual e para preços mais equilibrados.

Mesmo com os solavancos na rentabilidade, a projeção é de que o segmento mantenha a sua rota de expansão estrutural, consolidando um ritmo de crescimento de produção na casa dos 4% ao ano. Para o suinocultor, resta acionar os mecanismos de gestão de risco e aguardar que a forte demanda limpe os estoques e empurre os preços de volta para a margem azul.

Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.


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