Incendio no Pantanal altera rotina de predadores e presas

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Para Quem Tem Pressa

Uma pesquisa científica avaliou o impacto de grandes incêndios sobre os padrões de atividade de mamíferos na Serra do Amolar, no Pantanal brasileiro. O principal achado revelou que cinco das seis espécies de presas analisadas e os dois principais predadores (onças-pintadas e pumas) apresentaram mudanças estatisticamente significativas nos horários em que se deslocam após o fogo. O estudo comparou dados de armadilhas fotográficas coletados antes dos megaincêndios (2011–2013) e no período pós-incêndio (2020–2022), evidenciando uma importante adaptação comportamental na fauna neotropical.

Incendio no Pantanal altera rotina de predadores e presas

Grandes eventos de incêndio têm o potencial de remodelar não apenas a paisagem, mas também a ecologia comportamental da fauna silvestre. É o que aponta um estudo conduzido na Serra do Amolar, no Pantanal brasileiro, que investigou como predadores de topo e espécies de presas ajustaram seus padrões temporais de atividade após os severos incêndios que atingiram a região.

O trabalho utilizou dados de armadilhas fotográficas para comparar registros de 3.824 detecções independentes divididas entre dois períodos: a fase pré-incêndio (2011 a 2013) e a fase pós-incêndio (2020 a 2022). A análise abrangeu duas espécies de felinos predadores — a onça-pintada (Panthera onca) e o puma (Puma concolor) — e seis espécies de grandes herbívoros e roedores que compõem a base de sua dieta na região.

Mudanças no relógio biológico da fauna

Os resultados indicam que a grande maioria das espécies monitoradas alterou significativamente seus horários de circulação na natureza. Cinco das seis espécies de presas avaliadas e ambas as espécies de predadores apresentaram diferenças estatisticamente relevantes nos padrões temporais de atividade após os incêndios.

Em média, os animais passaram a se deslocar mais cedo do que faziam antes das queimadas, registrando um adiantamento temporal médio de 1,82 hora para as espécies de presas e de 1,65 hora para os predadores.

Entre os mamíferos analisados, o que apresentou a resposta mais drástica foi o porco-do-mato ou queixada (Dicotyles tajacu), com uma alteração de 4,18 horas no horário de sua atividade. Por outro lado, a anta-das-terras baixas (Tapirus terrestris) destacou-se como a única espécie do grupo sem evidências fortes de mudança temporal, demonstrando maior resiliência comportamental diante da perturbação.

Impacto nas interações entre predadores e presas

Além de alterar o horário individual de cada espécie, a pesquisa avaliou a sobreposição temporal entre predadores e presas — ou seja, os momentos em que ambos compartilham o mesmo espaço e período do dia. Os dados mostraram que essa sobreposição diminuiu em média 4,8% após os incêndios, o que sugere uma possível alteração na sincronização tradicional dessa dinâmica trófica.

Os pesquisadores apontam que tais descobertas evidenciam a plasticidade comportamental de mamíferos neotropicais frente a perturbações ambientais severas. O entendimento dessas mudanças fornece uma base técnica importante para o planejamento de estratégias de conservação na região, como a preservação de refúgios não queimados e a gestão adequada de áreas afetadas pelo fogo no bioma pantaneiro.

imagem: IA


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