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Inadimplência no crédito rural atinge R$ 48 bilhões e impulsiona retomada de fazendas por bancos

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A inadimplência no crédito rural atingiu R$ 48 bilhões em 2026. Veja dados sobre retomada de fazendas, alienação fiduciária e venda de máquinas.

PARA QUEM TEM PRESSA

  • Volume de calotes: A inadimplência rural subiu de R$ 2 bilhões (2021) para R$ 48 bilhões em 2026, elevação na taxa de 0,5% para 5,6%.
  • Retomada de propriedades: O Banco do Brasil retomou mais de 130 fazendas no ano de 2026.
  • Garantias contratuais: A presença de cláusulas de alienação fiduciária saltou de 3% para 63% dos contratos em apenas uma safra.
  • Maquinário em queda: A venda de colheitadeiras registrou recuo de 85% desde 2022.
  • Medida governamental: A Medida Provisória (MP) do governo cobre R$ 28 bilhões do montante endividado, ante um pleito do setor superior a R$ 100 bilhões.
  • Estruturação de ativos: O Santander reuniu fazendas retomadas em um Fiagro com patrimônio de R$ 97 milhões.

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Inadimplência

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Execução de garantias e avanço da alienação fiduciária

O avanço expressivo dos números de inadimplência gerou impacto direto na gestão de garantias por parte dos credores. O Banco do Brasil, uma das principais instituições de fomento ao agronegócio no país, efetuou a retomada de mais de 130 fazendas ao longo de 2026 devido ao descumprimento de obrigações financeiras por parte dos tomadores de empréstimos.

Um dos fatores que aceleraram a execução de imóveis foi a mudança na estrutura dos contratos operados no setor. Em um período de apenas uma safra, a utilização da cláusula de alienação fiduciária — instrumento jurídico que permite a consolidação da propriedade em favor do credor pela via extrajudicial, sem a necessidade de processo judicial — passou de 3% para 63% dos contratos firmados.

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Reorganização de ativos e retração em maquinários

As instituições privadas também vêm adotando estratégias para lidar com o volume de imóveis rurais recuperados. O Santander, por exemplo, reuniu propriedades retomadas decorrentes de inadimplência em um Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) avaliado em R$ 97 milhões.

Paralelamente ao avanço da dívida e à perda de ativos por produtores, o mercado de investimentos em bens de capital no campo apresentou forte desaceleração. Os dados do setor indicam que a comercialização de colheitadeiras acumula um recuo de 85% em relação aos níveis observados em 2022.


Aporte governamental e demanda do setor

Em resposta à crise de endividamento do campo, o governo federal editou uma Medida Provisória prevendo a cobertura de R$ 28 bilhões para socorro e renegociação das dívidas do setor. O volume alocado pela MP, contudo, é inferior à demanda apresentada por entidades do agronegócio, que solicitavam uma intervenção superior a R$ 100 bilhões para conter o rombo financeiro e restabelecer a capacidade de custeio dos produtores.


Conclusão

O cenário atual do agronegócio brasileiro reflete uma crise severa de liquidez e sustentabilidade financeira no campo, evidenciada pela escalada expressiva da inadimplência rural, que passou de R$ 2 bilhões para R$ 48 bilhões. O movimento desencadeou um aumento direto na perda de patrimônio por parte dos produtores, impulsionado pela mudança na estrutura de garantias — com a migração em massa para a alienação fiduciária —, o que permitiu aos bancos acelerar a tomada de terras e até criar veículos de investimento para gerir os imóveis retomados.

Como desdobramento direto do estrangulamento financeiro, a capacidade de reinvestimento do setor desabou, resultando em uma forte retração na compra de maquinários agrícolas de ponta. Embora o governo federal tenha implementado medidas de alívio com o aporte de R$ 28 bilhões via Medida Provisória, a intervenção estatal atende a apenas uma fração do socorro pleiteado pelo setor, deixando o agronegócio diante de um desafio complexo de restruturação de dívidas, contenção do endividamento e recuperação da sua capacidade produtiva.

Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.


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