Gympie-Gympie, a planta australiana que tortura o corpo humano por quase um ano
Imagine encostar em uma folha e sentir como se milhões de agulhas inflamadas invadissem sua pele. Agora, adicione a isso uma dor que pode durar por meses — até um ano inteiro. Parece coisa de filme de terror, mas essa é a realidade de quem tem o azar de esbarrar na Gympie-Gympie, uma das plantas mais perigosas do planeta. Essa “urtiga assassina”, como é chamada por botânicos e soldados australianos, habita as florestas tropicais do nordeste da Austrália e tem ganhado notoriedade mundial por seu veneno capaz de provocar alucinações de dor, desmaios e até pensamentos suicidas.
Conhecida cientificamente como Dendrocnide moroides, a Gympie-Gympie pertence à família das urticáceas, a mesma das inocentes urtigas comuns. Mas ao contrário destas, sua toxina é algo fora do comum. Suas folhas e caules são cobertos por finíssimos pelos de sílica — praticamente invisíveis — que, ao quebrarem em contato com a pele, injetam uma neurotoxina extremamente potente.
Essa toxina afeta os nervos periféricos e provoca uma dor aguda, latejante e persistente. Há relatos de soldados que preferiram ser dispensados do serviço a conviver com o sofrimento contínuo provocado pelo contato com a planta. E o mais assustador? A simples inalação do ar ao redor da planta pode causar sintomas como irritação respiratória e ardência nos olhos.
O nome “Gympie-Gympie” vem de uma palavra aborígene que significa “folha que queima”. E não é exagero: o contato com a planta pode gerar bolhas, vermelhidão intensa e uma dor que é descrita como “incendiária”. Há relatos de pessoas que, após o toque, chegaram a vomitar de dor ou perder os sentidos. Uma das histórias mais conhecidas é a de um soldado que cometeu suicídio após ser atingido por uma folha durante a Segunda Guerra, incapaz de suportar o sofrimento.
Além da intensidade da dor, o que realmente torna a Gympie-Gympie tão ameaçadora é a duração dos sintomas. Cientistas descobriram que os pelos da planta permanecem na pele e continuam liberando toxinas durante semanas — ou até meses — após o contato inicial. A toxina é resistente ao calor e à maioria dos tratamentos convencionais. Até a depilação a laser já foi tentada para remover os pelos impregnados na pele.
Se você tiver contato com a Gympie-Gympie — o que esperamos que nunca aconteça — é fundamental agir rápido. A área afetada deve ser lavada com água fria e sabão imediatamente. Depois, deve-se aplicar uma solução de ácido clorídrico diluído (1:10) para neutralizar a toxina, seguida da aplicação de cera depilatória para tentar remover os pelos de sílica. Ainda assim, o alívio pode demorar a chegar. Analgésicos fortes são geralmente necessários, e muitos pacientes precisam ser internados.
Curiosamente, sim. Apesar de seu perfil assustador, cientistas estão estudando as propriedades da toxina da Gympie-Gympie para o desenvolvimento de novos analgésicos de ação prolongada. Isso mesmo: o mesmo composto que provoca dor excruciante poderia, com ajustes, servir como base para aliviar dores crônicas em humanos.
Há ainda pesquisas sobre sua possível aplicação na área de neurociência, pois a toxina afeta diretamente receptores da dor e pode revelar mecanismos até então desconhecidos sobre o funcionamento do sistema nervoso.
A Gympie-Gympie não está aí por acaso. Como muitas plantas com defesas extremas, ela desenvolveu esse mecanismo para se proteger de herbívoros — especialmente mamíferos. Curiosamente, alguns marsupiais nativos da Austrália, como o pademelon, são imunes ao seu veneno e consomem suas folhas normalmente, como se fosse alface.
Sua presença em áreas de floresta tropical ajuda a manter o equilíbrio do ecossistema, delimitando territórios e influenciando o comportamento de espécies que ali habitam.
Sim, mas sob condições rigorosas. Alguns institutos botânicos mantêm exemplares da Gympie-Gympie em estufas seladas para pesquisa científica. No entanto, qualquer tentativa de cultivo fora desses ambientes controlados é altamente desaconselhada. Além dos riscos físicos, a planta é protegida por leis ambientais na Austrália, e transportar ou manipular sementes exige autorização especial.
Mesmo pesquisadores treinados usam trajes de proteção completos — parecidos com os de apicultores — para lidar com a planta. O simples toque acidental em uma folha pode desencadear uma emergência médica séria.
A Gympie-Gympie é o tipo de planta que nos obriga a lembrar: a natureza é tão fascinante quanto implacável. Em um mundo onde muitos veem as plantas apenas como elementos decorativos ou medicinais, a existência de uma espécie capaz de provocar uma dor prolongada e torturante nos lembra de que ainda sabemos pouco sobre as forças invisíveis que atuam nos ecossistemas. E que respeito é a melhor forma de convivência.
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