Gado Gama: O segredo genético que dobra a carne
O gado Gama é a nova raça de corte com músculos duplos e alta eficiência. Conheça o “superboi” que promete revolucionar a pecuária mundial.
⚡ Para Quem Tem Pressa
O gado Gama é a nova estrela da pecuária asiática — e promete brilhar também no Brasil. Criado na Indonésia após 13 anos de pesquisa, ele combina genética europeia e tropical, resultando em um animal com músculos duplos, mais carne, melhor adaptação ao calor e alto rendimento. Uma verdadeira revolução científica com impacto direto na produtividade e sustentabilidade da carne bovina mundial.
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🌍 O nascimento do “superboi” tropical
Imagine um boi que une a força do Belgian Blue, famoso por seus músculos impressionantes, com a resistência de um Brahman tropical. Parece ficção científica? Pois foi exatamente isso que aconteceu na Universidade Gadjah Mada (UGM), na Indonésia.
Em parceria com a empresa Widodo Makmur Perkasa (WMPP), os pesquisadores desenvolveram, ao longo de 13 anos, uma nova raça batizada de gado Gama, abreviação de Gagah e Macho — termos que em indonésio significam “forte e másculo”.
O projeto, que começou em 2012, passou por inúmeras fases de cruzamentos seletivos, testes genéticos e avaliações de desempenho zootécnico até chegar a um resultado estável, produtivo e bem adaptado.
O Ministério da Agricultura da Indonésia reconheceu oficialmente o Gama como uma nova raça bovina nacional, por meio do Decreto nº 840/Kpts/HK.150/M/09/2025 — um marco histórico que coloca o país entre os líderes em biotecnologia animal no sudeste asiático.
🧬 A ciência por trás do gado Gama
A base genética do gado Gama combina duas linhagens poderosas:
- Belgian Blue: originária da Bélgica, é conhecida mundialmente pela hipertrofia muscular natural — um fenômeno que dobra a massa muscular, resultando em mais carne e menos gordura.
- Brahman Cross: adaptada ao clima quente e úmido, é reconhecida por sua resistência, fertilidade e partos fáceis.
O desafio enfrentado pelos pesquisadores foi conciliar produtividade e adaptabilidade. O Belgian Blue, embora muito produtivo, tem partos complicados e sofre em regiões tropicais. Já o Brahman, mais rústico, possui menor rendimento de carcaça.
O cruzamento das duas raças resultou em um equilíbrio quase perfeito: um animal de crescimento rápido, parto natural e alto rendimento de carne — tudo isso com boa tolerância ao calor e baixo índice de mortalidade.
💪 Músculos duplos, carne em dobro
Não é exagero dizer que o gado Gama é um “superboi”.
Os bezerros nascem com 36 kg, peso inferior ao Belgian Blue (que pode chegar a 60 kg), o que facilita o parto e reduz complicações reprodutivas.
Mesmo com esse nascimento leve, os animais crescem rapidamente: em 2,5 anos (30 meses), alcançam 700 a 800 kg, com rendimento de carcaça de 65% a 68%, números considerados excepcionais até mesmo em padrões europeus.
Além do ganho de peso, a estrutura corporal é um diferencial: o Gama possui ossos menores e músculos mais densos, o que significa maior volume de carne aproveitável sem aumento de peso estrutural.
Segundo o professor Ali Agus, coordenador do projeto,
“A maior conquista foi adaptar uma genética europeia extremamente produtiva às condições tropicais, sem perder eficiência reprodutiva e sem comprometer o bem-estar animal.”
Essa conquista representa o sonho de qualquer criador tropical: alta produtividade com sustentabilidade.
🌡️ Resistência ao calor: O segredo tropical
As pesquisas da UGM mostraram que o gado Gama mantém um equilíbrio térmico natural, mesmo sob temperaturas elevadas. Ele alterna períodos de descanso e alimentação, busca sombra para ruminar e demonstra comportamento tranquilo, mesmo em climas de 35 °C ou mais.
Essa capacidade de autoregulação térmica é crucial para o sucesso da raça em regiões tropicais e subtropicais, onde o estresse calórico é uma das maiores causas de perda de produtividade.
Com menor necessidade de sombreamento artificial, menor mortalidade e menos gastos com sistemas de resfriamento, o gado Gama se destaca como uma opção economicamente mais eficiente e ambientalmente mais sustentável.
🐄 Impacto para a pecuária asiática
A introdução do gado Gama marca uma mudança estratégica na pecuária da Indonésia.
O país, que por décadas dependeu da importação de carne bovina, agora vislumbra autossuficiência alimentar e até potencial exportador de genética premium.
Com a oficialização da raça, o governo indonésio aposta no Gama como símbolo nacional da inovação agropecuária, integrando universidades, empresas e produtores locais.
Além disso, o projeto fortalece a economia rural e impulsiona a ciência aplicada ao agronegócio, um movimento que vem transformando o continente asiático.
A médio prazo, especialistas projetam que o gado Gama poderá competir diretamente com raças internacionais consagradas, como Angus, Charolês e Limousin, especialmente em países de clima quente.
🇧🇷 E o Brasil com isso?
O Brasil, gigante global da carne, tem muito a ganhar com a chegada do gado Gama.
Nosso país domina a pecuária tropical, com raças zebuínas como Nelore, Guzerá e Tabapuã. O Gama, ao unir a genética de rendimento europeu à rusticidade tropical, abre caminho para novos cruzamentos industriais de alta performance.
Imagine um Nelore x Gama: rusticidade brasileira, musculatura europeia e crescimento acelerado. O resultado seria um animal pronto para o abate em menos tempo, com maior rendimento frigorífico e menor custo de confinamento.
Além disso, o Gama pode fortalecer programas de melhoramento genético voltados à eficiência alimentar e redução de emissões de metano, temas que ganham destaque no mercado exportador.
Para o setor pecuário brasileiro, acostumado a buscar produtividade sem perder adaptabilidade, o Gama representa uma nova ferramenta genética com potencial de revolucionar o cruzamento industrial tropical.
🌱 Ciência, sustentabilidade e futuro
Para o professor Budi Guntoro, decano da Faculdade de Zootecnia da UGM, o reconhecimento da raça é “o início de uma nova era na produção de carne premium tropical”.
Segundo ele:
“Queremos expandir o rebanho Gama de forma sustentável, respeitando o bem-estar animal e contribuindo para a soberania alimentar da Indonésia.”
De fato, o gado Gama é mais do que uma conquista científica — é um símbolo da integração entre inovação, ciência e sustentabilidade.
Em um cenário global onde cresce a demanda por proteína animal e aumenta a pressão por responsabilidade ambiental, raças como o Gama indicam o caminho: mais carne, menos impacto e mais eficiência.
🧭 Conclusão: O futuro da carne é híbrido e inteligente
O gado Gama sintetiza o que há de mais moderno na genética de corte tropical.
Ele nasce leve, cresce rápido, rende mais e se adapta melhor.
Representa uma nova visão de pecuária: tecnológica, sustentável e lucrativa.
Para países como o Brasil, Indonésia, Índia e Filipinas, onde o clima desafia a produtividade, o gado Gama é o exemplo de que ciência e campo podem caminhar lado a lado.
E, quem diria, o futuro da carne talvez venha de um boi “forte e másculo” que fala… indonésio.
Imagem principal: IA.

