Embarques de carne de frango superam 420 mil t/mês e os de suína ficam acima de 110 mil t/mês em setembro/2026. Demanda do Oriente Médio e Ásia e custos de ração mais estáveis recompõem margens.
PARA QUEM TEM PRESSA
- ✅ Exportações de carne de frango mantêm-se acima de 420 mil toneladas por mês; as de carne suína superam 110 mil toneladas por mês em setembro de 2026.
- ✅ Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita) e Ásia (Filipinas, Japão, China) consolidam-se como principais destinos alternativos.
- ✅ Status sanitário do Brasil — reconhecido pela OMSA — favorece o acesso a mercados de maior valor; a suspensão pontual junto à União Europeia não comprometeu o fluxo para outros destinos.
- ✅ Farelo de soja e milho com preços mais estáveis aliviam a pressão sobre custos de produção e recompõem margens das agroindústrias.
- ⚠️ Crescimento nas exportações não garante elevação de preços no mercado interno, que depende da massa salarial e da renda doméstica.
Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.
Acompanhe as cotações de soja, milho, boi gordo, vaca gorda, novilha gorda e boi China
Com status sanitário consolidado, embarques de proteína animal mantêm ritmo acima de 420 mil t/mês de frango e 110 mil t/mês de suína
Os embarques brasileiros de carne de frango e de carne suína encerram o terceiro trimestre de 2026 em ritmo sustentado, com volumes mensais consolidados acima de 420 mil toneladas e 110 mil toneladas, respectivamente. A manutenção do status sanitário reconhecido internacionalmente, combinada à demanda aquecida em mercados do Oriente Médio e da Ásia, tem permitido direcionar a produção para destinos alternativos, enquanto a relativa estabilização nos preços de milho e farelo de soja cria ambiente mais favorável à rentabilidade do setor. Os dados são referentes ao mês fechado de setembro de 2026 e foram divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), pelo Ministério da Agricultura e pelo Comex Stat/MDIC.
Volume e preços de embarque
Em setembro de 2026, as exportações de carne de frango permaneceram acima de 420 mil toneladas no mês, repetindo o patamar observado nos meses anteriores. No caso da carne suína, os embarques superaram 110 mil toneladas no mesmo período.
O preço médio por quilo exportado reflete diferenças de composição de mercados e cortes:
- Carne de frango: preço médio de referência próximo a US$ 1,95/kg (US$ 1.953/tonelada) em setembro, com valorização de 10,5% na comparação com setembro de 2025.
- Carne suína: preço médio de referência em torno de US$ 2,30/kg (US$ 2.299/tonelada) no período, com queda de 11% no preço médio em relação ao ano anterior, compensada pelo avanço de 16,3% no volume médio diário.
| Produto | Volume mensal (set/2026) | Preço médio US$/kg | Variação preço (ano) | Variação volume (ano) | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Carne de frango | > 420 mil t | ~1,95 | +10,5% | +11,7% | Secex/Sindicarne |
| Carne suína | > 110 mil t | ~2,30 | -11,0% | +16,3% | Secex/Safras & Mercado |
Nota: Os valores de volume e preço referem-se a amostras de dias úteis e projeções; dados finais consolidados podem apresentar pequena diferença.
Mercados alternativos ganham protagonismo
Oriente Médio e Ásia seguem como pilares da demanda externa. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os cinco maiores destinos da carne de frango brasileira, com mais de 44 mil toneladas e 35 mil toneladas embarcadas respectivamente no período de referência. Na Ásia, Filipinas, Japão e China lideram a lista de compradores de carne suína, com embarques de 23,3 mil t, 16,5 mil t e 15,2 mil t apenas em agosto de 2026.
O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em maio de 2025, e a ausência de focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em plantas comerciais em 2026 mantêm a credibilidade sanitária do país junto aos importadores. A suspensão pontual de embarques de frango e suína para a União Europeia, anunciada em setembro, não alterou o fluxo para os demais destinos, conforme dados da ABPA.
Custos de ração e margens
A estabilização dos preços de milho e farelo de soja — principais componentes da ração, responsáveis por até 70% do custo de produção na suinocultura e cerca de 50% na avicultura — tem permitido a recomposição gradual das margens operacionais das agroindústrias integradas. Mesmo com a leve alta observada em alguns mercados regionais no terceiro trimestre, não há pressão ascendente generalizada nos insumos, o que confere previsibilidade ao planejamento produtivo.
O que isso significa para o produtor
É fundamental diferenciar o desempenho do mercado externo do comportamento do mercado interno. O aumento no volume exportado não implica, por si só, alta de preços no mercado doméstico, que segue ritmo próprio ditado pela massa salarial, poder de compra e oferta interna. O cenário é favorável aos produtores com contratos de integração vinculados a unidades exportadoras, mas não deve ser interpretado como sinal garantido de reajuste geral nos preços ao consumidor ou pago ao produtor independente.
Fechamento
Os embarques de proteína animal brasileira encerram o trimestre em patamar elevado, com demanda diversificada e suporte sanitário consolidado. A combinação de custos mais controlados e receita cambial em dólares cria condição mais equilibrada para o setor, embora a rentabilidade efetiva dependa da manutenção desses fatores ao longo do quarto trimestre. Dados finais consolidados de setembro serão divulgados pela ABPA e pelo Comex Stat/MDIC nas próximas semanas.
Fontes
- ABPA — Associação Brasileira de Proteína Animal
- Comex Stat / MDIC — Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
- MAPA — Ministério da Agricultura e Pecuária
- Secex / Sindicarne
- Secex / Safras & Mercado
- Imagem principal: Depositphotos
