Exportação de carne bovina cresce 21,7% em receita até agosto de 2026, com US$ 12,79 bilhões e 2,202 milhões de toneladas embarcadas.
PARA QUEM TEM PRESSA
- O Brasil exportou 2,202 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e agosto.
- O volume cresceu 5,3% na comparação anual.
- A receita chegou a US$ 12,79 bilhões, avanço de 21,7%.
- A valorização do preço médio da carne exportada ajudou a ampliar o faturamento.
- Em São Paulo, o boi-China chegou a R$ 360/@ em setembro, segundo levantamentos de mercado.
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Exportação de carne bovina cresce 21,7% em receita em 2026
As exportações brasileiras de carne bovina acumulam crescimento de 21,7% na receita em 2026, mesmo com avanço mais moderado no volume embarcado. Entre janeiro e agosto, o país exportou 2,202 milhões de toneladas, alta de 5,3% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o faturamento chegou a US$ 12,79 bilhões. Os dados são de levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Receita cresce mais que o volume exportado
O principal destaque dos dados está na diferença entre o crescimento físico dos embarques e o avanço da receita. Enquanto o volume exportado aumentou 5,3%, o faturamento avançou 21,7% no acumulado até agosto.
A diferença está relacionada à valorização do produto comercializado no exterior. Segundo o levantamento da Abiec, o resultado considera as exportações brasileiras de carne bovina in natura, industrializada e salgada, além de miúdos, gorduras e tripas.
Em agosto, porém, o desempenho mensal foi mais fraco. Os embarques somaram 233,5 mil toneladas, queda de 22,2% em relação a agosto de 2025, enquanto a receita ficou em US$ 1,36 bilhão, recuo de 15,2%.
Isso mostra que o resultado acumulado positivo não significa crescimento uniforme mês a mês. A trajetória de 2026 combina meses de forte desempenho com uma redução dos embarques em agosto.
China continua na liderança, mas outros mercados ganham espaço
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira no acumulado até agosto. O país asiático recebeu 899,2 mil toneladas, com receita de US$ 5,51 bilhões. Apesar da liderança, o volume vendido à China ficou 6,6% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 269,1 mil toneladas e crescimento de 28,7% no volume, gerando US$ 1,74 bilhão em receita.
Chile, Rússia e União Europeia também apresentaram crescimento nos embarques acumulados. O Chile recebeu 107,3 mil toneladas, a Rússia 96,3 mil toneladas e a União Europeia 87,1 mil toneladas.
| Destino | Volume jan.-ago. 2026 | Receita jan.-ago. 2026 |
|---|---|---|
| China | 899,2 mil t | US$ 5,51 bilhões |
| Estados Unidos | 269,1 mil t | US$ 1,74 bilhão |
| Chile | 107,3 mil t | US$ 649,7 milhões |
| Rússia | 96,3 mil t | US$ 453,5 milhões |
| União Europeia | 87,1 mil t | US$ 762,3 milhões |
Fonte: Abiec, com base em dados do MDIC/Secex.
Os números mostram que a expansão das exportações brasileiras não depende exclusivamente do mercado chinês. O crescimento dos embarques para outros destinos ajuda a explicar a capacidade do setor de manter receita elevada mesmo diante da retração das compras chinesas no período.
Boi-China chega a R$ 360/@ em São Paulo
O mercado físico também apresenta referências elevadas para animais destinados à exportação. Em setembro, levantamentos de mercado registraram o boi-China em R$ 360/@ em São Paulo.
Em levantamento divulgado em 24 de setembro, a Scot Consultoria apontou R$ 360/@ para o boi-China paulista, no prazo. No Paraná, a referência indicada no mesmo levantamento foi de R$ 364,50/@ no prazo.
Em outra apuração divulgada em 28 de setembro, a Scot indicava R$ 359,50/@ no prazo para o boi-China de São Paulo e R$ 352/@ para Mato Grosso do Sul. No Paraná, o levantamento apontava R$ 367/@ no prazo.
Essas cotações são referências de mercado e não devem ser confundidas com uma média nacional ou com o valor efetivamente recebido em todas as negociações.
A relação entre exportações e preço do boi também precisa ser tratada com cautela. Os dados disponíveis mostram simultaneamente uma receita externa elevada e cotações firmes para animais com padrão de exportação, mas não permitem atribuir isoladamente o preço da arroba ao desempenho das exportações.
Setembro ainda exige atualização dos dados
Outro ponto importante para a leitura da pauta é a data dos números. Os US$ 12,79 bilhões e as 2,202 milhões de toneladas são dados acumulados de janeiro a agosto de 2026.
A Secex divulgou em 21 de setembro os dados preliminares referentes à terceira semana de setembro e informou que uma nova atualização seria divulgada em 28 de setembro. Portanto, os números consolidados apresentados pela Abiec não devem ser descritos como fechamento de setembro.
O próprio MDIC informa que os dados mensais consolidados de comércio exterior são atualizados conforme o cronograma oficial da Secex.
Assim, para uma publicação feita antes da divulgação consolidada do mês, a forma mais segura é manter a referência “acumulado de janeiro a agosto”.
O que os números mostram para o mercado
O resultado acumulado revela um cenário em que a receita das exportações de carne bovina cresce em ritmo significativamente superior ao volume embarcado.
Ao mesmo tempo, a composição dos destinos mostra uma participação relevante de mercados além da China. Os Estados Unidos apresentaram crescimento expressivo no volume comprado, enquanto Chile, Rússia e União Europeia também registraram avanços.
Para o pecuarista, os dados externos fazem parte de um conjunto maior de fatores que influenciam o mercado físico. As cotações de setembro mostram referências firmes para o boi-China em importantes praças produtoras, mas a conexão direta entre um indicador de exportação e uma determinada cotação regional exige análise de oferta, demanda, escalas de abate e condições de negociação.
O dado mais objetivo, portanto, é que o setor exportador brasileiro encerrou os oito primeiros meses de 2026 com 2,202 milhões de toneladas embarcadas e US$ 12,79 bilhões em receita, enquanto o mercado internacional remunerou a carne brasileira em patamar superior ao observado no mesmo período de 2025.
Conclusão
A exportação de carne bovina brasileira mantém resultado positivo em 2026, com crescimento de 5,3% no volume e de 21,7% na receita acumulada até agosto. A valorização do produto exportado explica parte importante da diferença entre os dois indicadores.
A China continua como principal destino, mas Estados Unidos, Chile, Rússia e União Europeia ampliaram sua participação nos embarques. Paralelamente, o mercado físico registra referências firmes para o boi-China em praças como São Paulo e Paraná.
O fechamento de setembro, porém, deve ser tratado separadamente quando os dados consolidados da Secex estiverem disponíveis. Até lá, o dado confirmado para a receita acumulada permanece em US$ 12,79 bilhões até agosto.
Fontes
- ABIEC — “Exportações brasileiras de carne bovina chegam a 2,2 milhões de toneladas até agosto” — setembro de 2026.
- MDIC/Secex — Informativo nº 044/2026, com dados preliminares da terceira semana de setembro — 21/09/2026.
- MDIC/Secex — Dados mensais consolidados de comércio exterior.
- Scot Consultoria, reproduzida em clipping do Sindicarne-PR — referências do boi-China em setembro de 2026.
- Imagem principal: Depositphotos.
