Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2026. Receita cresce 14,1% para US$ 14,17 bilhões, apesar da forte queda de embarques à China. Dados da ABIEC.
PARA QUEM TEM PRESSA
- ✅ Acumulado Jan–Set/26: 2,43 milhões de toneladas exportadas, praticamente estável (-0,5%) ante mesmo período de 2025
- ✅ Receita: US$ 14,17 bilhões, alta de 14,1% — crescimento do valor embarcado supera leve queda de volume
- ⚠️ Setembro: 229,3 mil toneladas (-35,1% YoY); embarques à China recuam 93,2% no mês
- 📈 Diversificação: EUA recebem 48,3 mil toneladas em setembro (+389% YoY), tornando-se principal destino no mês
- 📅 Cota chinesa: ABIEC prepara embarques para novo ciclo a partir de outubro–novembro
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ABIEC: Receita de exportação de carne bovina avança 14,1% mesmo com queda nos embarques à China
O Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2026, volume praticamente igual ao registrado no mesmo período de 2025 (2,44 milhões de toneladas, variação de -0,5%). A receita acumulada somou **US$ 14,17 bilhões**, crescimento de 14,1% em relação aos US$ 12,42 bilhões de um ano antes. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) em 7 de outubro de 2026, com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O desempenho reflete um ano de cenário contrastante: forte ritmo no primeiro semestre, seguido de redução acentuada nos embarques à China a partir de julho, diante do esgotamento da cota anual e da aplicação de tarifa adicional. Outros mercados, especialmente os Estados Unidos, têm ampliado compras de forma expressiva, embora ainda não compensem integralmente a retração chinesa.
Setembro: Queda mensal liderada pela China
Em setembro de 2026, os embarques totais somaram 229,3 mil toneladas, recuo de 35,1% em comparação com 353,1 mil toneladas em setembro de 2025. A receita no mês foi de **US$ 1,38 bilhão**, queda de 27,6% ante US$ 1,90 bilhão do ano anterior. Na comparação com agosto, o volume recuou 1,8% e a receita avançou 1,1%.
A China permanece como o fator determinante do recuo: apenas 12,9 mil toneladas foram embarcadas ao país em setembro, queda de 93,2% no volume e 92,9% no valor (US$ 75,2 milhões). A redução reflete o esgotamento da cota anual de importação sob o regime de salvaguarda, que passou a aplicar tarifa de 67% sobre volumes excedentes a partir de 1º de outubro.
“Passamos por três meses muito difíceis, julho, agosto e setembro, por não termos a possibilidade de vender normalmente para a China. Reduzimos em cerca de 90% os embarques… Temos alguns alentos em outros mercados, mas eles ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa.”
— Roberto Perosa, presidente da ABIEC
Diversificação ganha força: EUA lideram crescimento
Enquanto os embarques à China encolheram, outros destinos registraram expansão expressiva em setembro:
| Destino | Volume (mil t) Set/26 | Variação YoY | Receita (US$ milhões) | Variação YoY |
|---|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 48,3 | +389% | 313,8 | +333,8% |
| Chile | 19,4 | +87,2% | 117,5 | +107,7% |
| União Europeia | 20,0 | +29,7% | 178,7 | +34,7% |
| Rússia | 13,1 | +20,5% | 66,5 | +40,2% |
| Indonésia | 9,4 | +822% | 33,0 | +642,2% |
| Canadá | 4,0 | +870,7% | 22,9 | +830,8% |
Fonte: ABIEC / MDIC — dados referentes a setembro de 2026
Os Estados Unidos passaram a ser o principal destino das exportações brasileiras no mês, com volume quase quatro vezes superior ao enviado à China. No acumulado do ano, as vendas ao mercado norte-americano somam 317,4 mil toneladas (+45%) e US$ 2,08 bilhões (+60,8%).
Balanço dos principais destinos — Jan–Set/26
A tabela abaixo consolida os resultados dos maiores compradores no acumulado dos nove primeiros meses:
| Destino | Volume (mil t) Jan–Set/26 | Variação YoY | Receita (US$ milhões) | Variação YoY | Participação no volume |
|---|---|---|---|---|---|
| China | 912,0 | -20,9% | 5.590,0 | -7,8% | 37,5% |
| Estados Unidos | 317,4 | +45,0% | 2.080,0 | +60,8% | 13,1% |
| Chile | 126,7 | +38,2% | 768,0 | +54,4% | 5,2% |
| Rússia | 109,4 | +28,6% | 531,8 | +45,7% | 4,5% |
| União Europeia | 107,1 | +27,0% | 942,8 | +37,9% | 4,4% |
| Demais mercados | 859,4 | — | 4.177,4 | — | 35,3% |
| Total | 2.432,0 | -0,5% | 14.170,0 | +14,1% | 100% |
Fonte: ABIEC / MDIC — dados de 07/10/2026
A China permanece à frente, com 37,5% do volume total, mas a participação vem caindo. O crescimento de receita (+14,1%) muito acima do volume (-0,5%) indica valorização média dos embarques e ganho de preço nos mercados alternativos, como os EUA.
Perspectivas: Novo ciclo da cota chinesa em 2027
Com a cota de 2026 esgotada, a indústria se prepara para retomar os embarques à China no próximo ciclo. Segundo a ABIEC, as empresas devem começar a programar vendas em outubro e novembro, para que o produto chegue no período de abertura da nova cota. A cota para 2027 terá limite ligeiramente ampliado, de 1,106 milhão para 1,128 milhão de toneladas.
A entidade também discute com o governo brasileiro mecanismos para distribuir os embarques de forma mais equilibrada ao longo do ano, evitando concentração no primeiro semestre e esgotamento precoce do limite.
“Do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano.”
— Roberto Perosa, presidente da ABIEC
Fechamento
O terceiro trimestre de 2026 marca um ponto de inflexão para a exportação de carne bovina brasileira: o mercado deixa de crescer em volume para a China, mas ganha receita e diversifica destinos. O resultado do ano ainda é positivo em faturamento, mas o desempenho do quarto trimestre depende da velocidade de abertura do ciclo chinês e da capacidade de outros mercados sustentarem o ritmo de compras.
Fontes
- ABIEC / Agrolink — Exportações brasileiras de carne bovina chegam a 2,43 milhões de toneladas até setembro. Publicado em 07/10/2026. Base: MDIC/Comex Stat. Link: https://www.agrolink.com.br/noticias/exportacoes-brasileiras-de-carne-bovina-chegam-a-2-43-milhoes-de-toneladas-ate-setembro_519590.html
- ABIEC (site oficial) — Mesmo balanço, confirmação dos números. Link: https://abiec.com.br/exportacoes-brasileiras-de-carne-bovina-chegam-a-243-milhoes-de-toneladas-ate-setembro/
- Gazeta Mercantil / Agência Brasil — Tarifa de 67% sobre carne fora da cota chinesa a partir de 1º de outubro de 2026.
- Peacock Tariff Consulting / Banzeiro News — Esgotamento da cota em 29/09/2026 e valor da cota 2027: 1,128 milhão de toneladas.
- Imagem principal: Depositphotos
