Para Quem Tem Pressa
Pesquisadores acompanharam 224 cães em três abrigos na Pensilvânia para entender se marcadores biológicos de estresse ou atitudes no canil indicam o destino do animal (adoção, devolução aos tutores, transferência ou eutanásia). Publicado na revista científica Physiology & Behavior, o trabalho revelou que a observação direta das atitudes do animal é mais informativa para o abrigo do que dosagens fecais de cortisol ou imunoglobulina A (IgA). Cães que interagiram mais com humanos após a primeira semana tiveram maiores taxas de adoção.
A rotina em um abrigo de animais impõe desafios significativos de adaptação para os cães. Compreender os sinais de estresse e identificar precocemente os animais em risco de longas permanências ou de desfechos negativos é uma das principais metas dos gestores dessas instituições. Uma pesquisa publicada na revista científica Physiology & Behavior investigou a utilidade prática de marcadores biológicos e comportamentais para antecipar o futuro desses animais.
O estudo avaliou 224 cães alojados em três abrigos no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, com coletas realizadas entre outubro de 2023 e julho de 2024. A equipe científica comparou análises de amostras fecais e gravações em vídeo da rotina dentro dos canis em dois períodos específicos: nas primeiras 48 horas após a entrada e entre o 7º e o 9º dia de permanência.
Comportamento na chegada e após uma semana
A análise das filmagens revelou padrões distintos conforme o tempo de permanência no abrigo. Logo na chegada (0 a 48 horas), as reações observadas estiveram mais associadas a desfechos diferentes da adoção tradicional. Os animais que acabaram devolvidos aos seus tutores originais, por exemplo, apresentaram níveis mais elevados de ofegação. Por outro lado, cães que foram submetidos à eutanásia ou transferidos para outras instalações passavam menos tempo sentados em comparação com aqueles que terminaram adotados.
Após uma semana no abrigo, as atitudes direcionadas ao contato humano ganharam protagonismo na definição dos desfechos. Os cães adotados ou transferidos passaram significativamente mais tempo em pé apoiando as patas dianteiras na grade do canil e abanando a cauda, em comparação com os animais que receberam eutanásia.
Limitações dos biomarcadores fisiológicos
Para verificar se exames laboratoriais trariam respostas mais precisas, os pesquisadores mediram as concentrações fecais de cortisol (hormônio ligado à resposta ao estresse) e de imunoglobulina A (IgA, associada à resposta imunológica).
Os resultados mostraram que esses biomarcadores não forneceram respostas definitivas sobre o destino final dos cães no abrigo:
- A concentração de imunoglobulina A (IgA) não apresentou relação estatisticamente significativa com os desfechos dos animais.
- Os cães adotados registraram níveis basais de cortisol significativamente mais altos do que os cães transferidos logo na chegada, mas essa diferença não se manteve após uma semana.
Diante desses dados, os autores concluíram que a observação comportamental direta no canil continua sendo a ferramenta mais útil e acessível para as equipes de manejo avaliarem o bem-estar e as necessidades dos animais. Já os marcadores fisiológicos demonstraram a necessidade de investigações adicionais sobre as diferentes estratégias de enfrentamento e adaptação dos cães ao estresse do confinamento.
fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.
Fonte principal: PubMed — Insights into shelter dog outcomes using behavioral and biological stress markers
