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O segredo da carne brasileira que dribla Trump

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A carne brasileira nos EUA surpreende: prejuízo cai 70% após suspeita de triangulação via México, Paraguai e Uruguai. Entenda os bastidores.

Para Quem Tem Pressa

A carne brasileira nos EUA sofreu com tarifas de 50% impostas por Donald Trump. O setor previa perder 1 bilhão de dólares, mas conseguiu reduzir esse impacto em 70%. Como? As exportações para México, Paraguai e Uruguai dispararam, e esses países aumentaram suas vendas aos americanos. Oficialmente, não há triangulação, mas os números levantam suspeitas.


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A tarifa que mudou o jogo

Quando os Estados Unidos anunciaram um tarifácio de 50% sobre a carne brasileira nos EUA, a indústria se preparou para um golpe duro. Os cálculos iniciais apontavam para um prejuízo monumental de 1 bilhão de dólares, uma perda que poderia comprometer toda a estratégia de exportação do setor bovino brasileiro.

No entanto, meses depois da medida entrar em vigor, o cenário mudou. O rombo previsto não se confirmou, e a indústria revisou as projeções: a perda agora deve ficar em torno de 300 milhões de dólares, uma redução de 70%.

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A grande questão é: o que explica essa mudança tão brusca?


O fenômeno das exportações explosivas

Os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento do Brasil cruzados com os registros do Departamento de Comércio dos Estados Unidos mostram um movimento incomum. Três países surgem como peças centrais nesse quebra-cabeça: México, Paraguai e Uruguai.

  • México: em julho, as importações de carne brasileira cresceram 112% em relação ao mesmo período do ano passado.
  • Paraguai: o salto foi muito maior, de impressionantes 967%.
  • Uruguai: também registrou alta de 28%, no mesmo recorte.

O detalhe curioso é que, ao mesmo tempo, esses países também ampliaram fortemente suas exportações de carne bovina para os Estados Unidos:

  • Paraguai: aumento de 225% nos embarques para os EUA.
  • Uruguai: crescimento de 44% em suas vendas ao mercado americano.

Esse espelhamento numérico sugere uma relação direta: enquanto compram muito mais do Brasil, vendem muito mais para os Estados Unidos.


Triangulação ou simples efeito de mercado?

Para analistas de comércio exterior, os números são compatíveis com uma triangulação comercial: a carne sai do Brasil, segue para um desses três países, e só depois entra nos Estados Unidos, escapando das tarifas impostas por Trump.

A prática, embora contestada, não é inédita no comércio internacional. Rotas indiretas são usadas em diversos setores para driblar barreiras tarifárias ou sanitárias.

A Associação Brasileira da Indústria da Carne (ABIEC), no entanto, nega qualquer triangulação. Segundo a entidade, a explicação estaria em uma simples reorganização do mercado. O raciocínio é o seguinte: México, Paraguai e Uruguai aumentaram suas vendas diretas para os Estados Unidos e, para não desabastecer o consumo interno, passaram a importar mais carne brasileira.

Essa justificativa faz sentido sob a ótica comercial, mas não elimina as dúvidas. Afinal, a sincronia entre a explosão das exportações brasileiras para esses vizinhos e o salto das vendas deles para os EUA é, no mínimo, intrigante.


O impacto no setor brasileiro

Independentemente de a triangulação existir ou não, o fato é que a indústria conseguiu atenuar fortemente os efeitos do tarifário. O prejuízo previsto de US$ 1 bilhão foi reduzido a US$ 300 milhões, mostrando que a carne brasileira ainda encontra espaço — direto ou indireto — no prato do consumidor americano.

Esse movimento reforça a resiliência da cadeia da carne bovina, que soube buscar alternativas rápidas diante de um cenário adverso. Mais do que isso: demonstra a importância da integração comercial do Brasil com seus vizinhos sul-americanos.


Carne, geopolítica e ironias do mercado

Há uma ironia embutida nessa história. A medida de Trump pretendia proteger os pecuaristas americanos da concorrência brasileira, impondo barreiras pesadas às exportações diretas. No entanto, a demanda do consumidor nos EUA não desapareceu. Pelo contrário: continuou firme. E o mercado deu um jeito de manter a oferta — ainda que por caminhos mais tortuosos.

Assim, a carne brasileira nos EUA chega com passaporte paraguaio, uruguaio ou até mexicano. No rótulo, não está escrito “Brasil”. Mas na origem, boa parte ainda é do gado criado em terras brasileiras.


Conclusão: Um jogo de números e estratégias

No comércio internacional, estatísticas contam histórias. A alta de 112% no México, de 967% no Paraguai e no Uruguai, somada ao crescimento de 225% e 44% das exportações desses países para os EUA, compõe um enredo de mercado em transformação.

Se é triangulação? Não há prova definitiva. Se é apenas redistribuição de oferta e demanda? Também pode ser. Mas o resultado é incontestável: o impacto do tarifário americano foi muito menor que o previsto.

A carne brasileira nos EUA, que parecia condenada a um prejuízo bilionário, mostrou capacidade de adaptação. E enquanto analistas discutem se há triangulação ou não, o consumidor americano continua levando para casa bifes e hambúrgueres que, de um jeito ou de outro, têm DNA brasileiro.

Imagem principal: Depositphotos.


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