Boi gordo fecha a R$ 357,40/@ no físico, enquanto novembro e dezembro chegam a R$ 388,90 na B3. Veja o prêmio e como interpretar a curva.
PARA QUEM TEM PRESSA
· Indicador Cepea/Esalq: R$ 357,40 por arroba em 23/09.
· Outubro/2026 fechou a R$ 379,90; novembro e dezembro, a R$ 388,90 por arroba.
· O prêmio de novembro e dezembro sobre o físico era de R$ 31,50/@, cerca de 8,8% em cálculo do Agron.
· A curva futura mostra preços negociados para outros vencimentos; não é previsão garantida.
· Oferta ajustada de animais terminados continua sendo um dos pontos relevantes para o mercado físico.
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Boi gordo: futuros ficam até R$ 31,50 acima do físico
O boi gordo fechou 23 de setembro com uma diferença significativa entre o mercado físico e os contratos futuros da B3. O Indicador Cepea/Esalq terminou o dia em R$ 357,40 por arroba, enquanto novembro e dezembro foram negociados a R$ 388,90.
A diferença de R$ 31,50 por arroba chama atenção, mas precisa ser interpretada corretamente. Ela mostra o preço negociado para aqueles vencimentos na B3 naquele dia; não significa que o mercado físico estará obrigatoriamente nesse patamar no fim do ano.
Quanto a curva futura estava acima do físico
Referência em 23/09/2026 R$/@ Diferença para o físico Diferença %
Cepea/Esalq — físico 357,40 — —
B3 — set/2026 360,85 +3,45 +1,0%
B3 — out/2026 379,90 +22,50 +6,3%
B3 — nov/2026 388,90 +31,50 +8,8%
B3 — dez/2026 388,90 +31,50 +8,8%
Fontes: Cepea/Esalq e B3. Elaboração: Agron.
O prêmio era pequeno no vencimento de setembro, aumentava para outubro e chegava a aproximadamente 8,8% em novembro e dezembro. A curva, portanto, mostrava preços mais altos para os meses seguintes, mas não uma trajetória garantida.
Por que contrato futuro não é previsão oficial da B3
A B3 é o ambiente onde os contratos são negociados. O preço resulta das ordens e expectativas dos participantes do mercado, e não de uma projeção institucional da bolsa.
Por isso, o correto é dizer que os contratos futuros estavam sendo negociados em determinados valores. Expressões como “a B3 prevê” ou “a B3 projeta” podem dar a impressão errada de que a bolsa publicou uma previsão de preço.
Mercado físico também avançou em setembro
Em 31 de agosto, o Indicador Cepea/Esalq estava em R$ 344,40 por arroba. No dia 23 de setembro, chegou a R$ 357,40. A diferença foi de R$ 13,00 por arroba, ou aproximadamente 3,77%.
O movimento reduziu a distância para os níveis observados em abril, mas a comparação deve ser tratada em valores nominais.
Oferta de animais segue no radar
O Cepea vinha destacando a disponibilidade mais restrita de animais terminados como um dos fatores de sustentação do mercado. A menor oferta pode limitar a pressão de baixa quando frigoríficos precisam recompor escalas.
Ao mesmo tempo, consumo doméstico, exportações, escalas de abate e comportamento dos contratos futuros continuam mudando ao longo do tempo. Nenhum desses fatores, isoladamente, explica toda a formação do preço.
Como essa diferença pode ser útil para o pecuarista
Comparar o físico com os vencimentos futuros pode ajudar na avaliação de proteção de preço e planejamento comercial. A decisão, porém, depende de custos, estratégia, liquidez dos contratos, necessidade de caixa e preço efetivamente disponível na região do produtor.
Fontes
Cepea/Esalq-USP — Indicador do Boi Gordo e análises de mercado.
B3 — Boletins e dados de negociação de derivativos.
Imagem principal: Depositphotos.

