Biochar, casca de ovo e azola melhoram solos arenosos e feijão

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Para Quem Tem Pressa

Pesquisadores avaliaram a aplicação combinada de biochar (carvão vegetal de bagaço de cana), pó de casca de ovo e da samambaia aquática Azolla pinnata no cultivo de feijão-comum em solo arenoso no Egito. Os experimentos de campo, conduzidos ao longo de duas safras consecutivas, demonstraram que o tratamento triplo elevou o teor de matéria orgânica e a disponibilidade de nitrogênio, fósforo e potássio no solo. Como resultado, as plantas apresentaram maior teor de clorofila, acúmulo de biomassa e produtividade de grãos, apontando um caminho sustentável para o manejo de áreas de baixa fertilidade e retenção hídrica limitada.

Biochar, casca de ovo e azola melhoram solos arenosos e feijão

Solos de textura arenosa impõem barreiras severas à agricultura irrigada e de sequeiro em regiões áridas e semiáridas. Caracterizados por baixos teores de matéria orgânica, fraca agregação estrutural e reduzida capacidade de retenção de água e nutrientes, esses solos favorecem perdas expressivas por lixiviação. Para culturas de ciclo rápido e exigentes em fertilidade equilibrada, como o feijão-comum (Phaseolus vulgaris L.), o desafio é ainda maior.

Buscando alternativas sustentáveis baseadas na valorização de resíduos e insumos biológicos, um estudo publicado no periódico científico Scientific Reports em agosto de 2026 investigou o uso isolado e combinado de três condicionadores de solo: biochar, pó de casca de ovo e a samambaia aquática Azolla pinnata.

O trabalho de campo foi conduzido na Estação de Pesquisa Agrícola de Ismailia, no Egito, durante dois ciclos consecutivos de cultivo (2021 e 2022), utilizando a cultivar de feijão ‘Dokki 126’.

Como funcionou o experimento

A área experimental foi dividida em oito tratamentos dispostos em blocos casualizados com três repetições. Todos os talhões receberam adubação química padrão com fontes de nitrogênio (nitrato de amônio), fósforo (superfosfato) e potássio (sulfato de potássio), permitindo comparar o efeito adicional de cada condicionador:

  • Biochar: obtido a partir de bagaço de cana-de-açúcar pirolisado a 450 °C, moído e peneirado (< 0,5 mm), incorporado antes do plantio;
  • Azolla pinnata: biomassa fresca da samambaia aquática, conhecida pela simbiose com a cianobactéria fixadora de nitrogênio Anabaena azollae, aplicada antes da semeadura;
  • Pó de casca de ovo: resíduo doméstico lavado, seco e moído, rico em carbonato de cálcio ($CaCO_3$), aplicado a uma dose aproximada de 7,2 toneladas por hectare (equivalente a 3 toneladas por feddan, medida agrária egípcia).

Foram testados o controle (apenas adubação química), os três condicionadores isolados, as três combinações duplas e a integração tripla dos materiais.

Efeitos sobre a fertilidade e a química do solo

A combinação dos três condicionadores apresentou os resultados mais expressivos em ambas as safras. O teor de matéria orgânica do solo arenoso, historicamente crítico, subiu para 0,65% no primeiro ano e 0,70% no segundo ciclo, superando o controle.

A disponibilidade de macronutrientes na camada arável (0 a 30 cm) também registrou aumento significativo no tratamento triplo:

  • Nitrogênio disponível: atingiu 49,10 mg/kg na primeira safra e 51,10 mg/kg na segunda;
  • Fósforo disponível: alcançou 5,65 mg/kg e 6,67 mg/kg, respectivamente;
  • Potássio disponível: chegou a 192 mg/kg e 200 mg/kg nas duas safras analisadas.

Houve ainda uma leve redução no pH do solo (de 7,83–7,84 no controle para 7,58–7,62 na mistura tripla), fenômeno associado à liberação de ácidos orgânicos durante a mineralização dos resíduos, além de decréscimo na condutividade elétrica.

De acordo com os pesquisadores, a resposta integrada se deve a uma dinâmica complementar: o biochar atua como uma matriz porosa estável que retém água e adsorve os nutrientes liberados gradualmente pela decomposição da azola, enquanto a casca de ovo fornece cálcio solúvel e atua no tamponamento químico da rizosfera.

Resposta fisiológica, produtividade e qualidade do grão

As melhorias nas características físicas e químicas do solo refletiram diretamente na parte aérea das plantas. As folhas de feijoeiro sob a combinação tripla registraram as maiores concentrações de pigmentos fotossintéticos (clorofila e carotenoides), indicando atividade metabólica mais eficiente.

O desenvolvimento vegetativo acompanhou o padrão, com incrementos significativos na altura das plantas, número de ramificações, quantidade de folhas e acúmulo de biomassa fresca e seca.

No momento da colheita, a produtividade de grãos atingiu seu ponto mais alto nas parcelas que receberam biochar, azola e casca de ovo integrados. Além do rendimento bruto, a composição das sementes apresentou teores superiores de proteína bruta e óleo. A análise estatística de correlação de Pearson confirmou associações fortemente positivas entre os teores de matéria orgânica e nitrogênio no solo e a produtividade final do feijão.

Limitações e próximos passos

Os autores ressaltam que, embora os resultados em campo tenham sido consistentes nas duas temporadas, o experimento foi executado em um único local geográfico. A resposta da integração de biochar, resíduos de casca de ovo e biofertilizantes aquáticos ainda precisa ser avaliada em diferentes tipos de solo, granulometrias e zonas bioclimáticas antes de recomendações agronômicas generalizadas.

fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.


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