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Azeite de abacate: O ouro verde que salva lucros e evita desperdício

Azeite de abacate
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O azeite de abacate transforma frutos fora do padrão em lucro. Conheça a história da família que uniu café e abacate para criar um negócio sustentável.

Para Quem Tem Pressa

O azeite de abacate surgiu como uma solução estratégica para famílias de agricultores em Minas Gerais e São Paulo. A ideia central é verticalizar a produção, transformando frutos que seriam descartados por questões estéticas em um produto de alto valor agregado. Além da culinária, o óleo já substitui matérias-primas tradicionais na indústria de cosméticos, garantindo que 100% da colheita gere rentabilidade, unindo a tradição do café com a inovação da “azeitona tropical”.


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Veja também: Variedades de abacate: O guia definitivo que você não conhecia


O Casamento Perfeito: Café e Abacate no Campo

A história da família Gonçalves, liderada pelo agrônomo José Carlos, de 79 anos, é um exemplo de intuição transformada em negócio bilionário. Com propriedades que cruzam as divisas de São Paulo e Minas Gerais, eles descobriram que o azeite de abacate poderia ser o próximo passo lógico para uma fazenda que já dominava o café.

O sistema de consórcio entre as duas culturas é o que os técnicos chamam de “tiro certo”. Enquanto o café paga a formação do abacateiro nos primeiros anos, o abacate sustenta os custos do cafezal nos meses de entressafra. A sombra das árvores de abacate ainda protege o café e favorece o surgimento de inimigos naturais contra pragas, mantendo o solo vivo e rico em matéria orgânica.

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Variedades e o Rendimento Industrial

Para produzir um azeite de abacate de qualidade, a escolha da variedade é crucial. A família trabalha principalmente com duas:

  • Margarida: Verde-escura, redonda e com caroço pequeno, o que oferece maior rendimento de polpa.
  • Breda: Formato de pera, casca rugosa e crescimento vertical, chegando a 12 metros de altura.

Na indústria, a diferença aparece no teor de gordura: a variedade Breda entrega cerca de 12% de óleo, enquanto a Margarida se destaca pelo volume. O descarte de campo — cerca de 20% da produção que não tem aparência “bonita” para o CEASA — é o que abastece a fábrica.


Do Campo para o Vidro: O Processo de Extração do Azeite de Abacate

O processo de fabricação do azeite de abacate é minucioso e busca preservar as propriedades químicas do fruto. Após uma lavagem rigorosa para retirar impurezas, a polpa é separada da casca e do caroço.

A mistura final, que leva 70% de polpa e 30% de água, passa cerca de uma hora e meia em tanques de agitação antes de liberar o óleo. Diferente do azeite de oliva, que exige processos de cura, o abacate vai do pé para a extração em poucos dias, garantindo um índice de acidez extremamente baixo.


A Revolução dos Cosméticos

Mas o potencial do azeite de abacate não para na cozinha. Em Cajuru (SP), uma fábrica de cosméticos parceira já substitui a manteiga de cacau e o óleo de mamona pelo óleo extraído dos abacates dos Gonçalves. Hoje, o produto é base para:

  • Batons (produção de 15 mil unidades/dia);
  • Cremes hidratantes para o corpo e rosto;
  • Produtos de higiene pessoal.

Ironia ou não, o que antes era visto como “fruto feio” no pé, hoje estampa prateleiras de lojas exclusivas e embeleza consumidores em todo o país.


O Futuro: Exportação e o “Top” Mundial

Com um investimento que ultrapassa os R$ 3 milhões, a família Gonçalves não pretende parar no mercado interno. O objetivo agora é levar o azeite de abacate brasileiro para o mercado internacional, competindo diretamente com grandes produtores como a Nova Zelândia.

Seu Zé Carlos, com a sabedoria de quem viu o café transformar a região, resume o espírito do projeto: “Eu sou persistente. Com paciência, dedicação e a ajuda de Deus, vamos conquistar o mundo com a nossa azeitona tropical”.

Para o setor de biotecnologia agrícola e novos mercados, essa verticalização é o caminho para um agronegócio mais resiliente e menos dependente das oscilações de preços dos produtos in natura.

Imagem principal: IA.


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